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'Caminhando para novidades', revela Bruno Cardoso, do Sorriso Maroto

Em entrevista ao EM TEMPO, o vocalista do Sorriso Maroto, Bruno Cardoso, compartilhou sobre as experiências do grupo durante a pandemia e a expectativa para futuros shows

Sorriso Maroto é um grupo de samba originário do bairro do Grajaú, área nobre do Rio de Janeiro
Sorriso Maroto é um grupo de samba originário do bairro do Grajaú, área nobre do Rio de Janeiro | Foto: Divulgação

Manaus – Bruno Cardoso, vocalista do Sorriso Maroto, conversou com o EM TEMPO sobre os desafios do grupo durante a pandemia da covid-19, o andamento do projeto “AMA – Antes que o Mundo Acabe’’, a experiência com os shows em estilo drive-in e a expectativa para os futuros eventos. 

O vocalista mencionou ainda as inseguranças durante o processo de recuperação da saúde, em 2019, e como transformou a dor em inspiração para o futuro no projeto AMA. 

A banda, que nasceu em Grajaú, bairro do Rio de Janeiro, no ano de 1997, começou por ''brincadeira'', e Bruno Cardoso revelou como surgiu o nome ''Sorriso Maroto''. Confira a entrevista completa:

EM TEMPO: Como foi o período de isolamento do Sorriso Maroto?

Bruno Cardoso, vocalista do Sorriso Maroto
Bruno Cardoso, vocalista do Sorriso Maroto | Foto: Divulgação

Bruno Cardoso: Essa fase de isolamento pegou todo mundo de surpresa. Não só o Sorriso Maroto, mas o mercado da música e o mundo de uma maneira geral foi surpreendido e acabou servindo de reavaliação do próprio trabalho, da relação com a família... várias coisas aconteceram nesse período, mas, falando profissionalmente, o que foi bom para o Sorriso Maroto nesse período foi que pudemos dar uma acalmada no fluxo de trabalho e fazer uma grande reavaliação da estrutura, do projeto que tínhamos acabado de gravar, em fevereiro, e que estamos retomando agora.

Tudo isso foi um ponto a favor nessa pandemia, reuniões em formatos diferentes. Até nesse ponto aprendemos coisas novas nesse processo. Reestruturamos tudo, nossa equipe, e uma série de coisas vieram para somar. Agora, estamos entrando em uma nova etapa, em pandemia ainda, mas estamos com uma flexibilização que permite pensar em lançamentos. Aos poucos vamos retomando os shows e acreditamos que logo iremos voltar ao que conhecíamos antes.

ET: Há planos para outros shows em formato drive-in? 

Sorriso Maroto subiu aos palcos, durante a pandemia, com shows no estilo ''drive-in''
Sorriso Maroto subiu aos palcos, durante a pandemia, com shows no estilo ''drive-in'' | Foto: Divulgação

BC: Então, isso é bem curioso. Cada região do país funciona de uma forma, em agosto, começamos fazer eventos presenciais no estilo drive-in em Brasília e na sequência, realizamos um evento que não era bem nesse formato. Foi uma live que o Sorriso fez com o Dilsinho, em um projeto chamado ‘’Juntos’’ e, nesse show, foi uma espécie de ‘’evolução’’ do drive-in.

 Logo após, fizemos um show em um formato que não precisava chegar com carro, mas no local, entrando de maneira segura, tem um cercado. E agora, estamos caminhando já para uma outra novidade, um formato como uma outra capacidade de público, mas um pouco mais próximo. Enfim, está tudo mudando, e isso é ótimo, o drive-in foi uma experiência muito bacana, pois nunca tínhamos realizado algo do tipo.

Tanto para o público quanto os artistas foi uma experiência interessantíssima para se contar. Os aplausos viraram buzinas, lanterna, farol. Bem interessante, uma química diferente, mas agora estamos cada vez mais próximos do nosso ‘’normal’’, que também está sendo, graças a Deus, uma vitória para o setor cultural, tão afetado e penalizado com o adiamento e cancelamento dos eventos e shows. Estamos felizes de poder retomar aos poucos e também viver essas experiências e evolução da retomada.

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Estamos caminhando para uma outra novidade, um formato com outra capacidade de público, mas um pouco mais próximo "

Bruno Cardoso, vocalista do Sorriso Maroto

ET: O projeto audiovisual “AMA – Antes que o Mundo Acabe’’, recebeu diversos comentários durante a pandemia, por ser uma espécie de ‘’profecia’’ do período que vivemos. Qual foi a inspiração do Sorriso Maroto para Antes Que o Mundo Acabe?

Do desejo de viver em mundo melhor, nasceu “AMA - Antes que o Mundo Acabe”
Do desejo de viver em mundo melhor, nasceu “AMA - Antes que o Mundo Acabe” | Foto: Divulgação

BC: É engraçado, e chega a ser curioso, pois esse projeto acabou antecipando uma discussão que hoje é presente em todos os campos do mundo. O que será do amanhã? Será que vamos passar dessa fase? Dessa pandemia? Esses questionamentos são frequentes no cotidiano de todo mundo, mas, na verdade, foi uma visão que eu tive no período que fiquei enfermo. Foi muito frequente essa dúvida. ‘‘Será que eu vou voltar aos palcos? Será que o Sorriso vai seguir? Como será, ou não será, essa volta? Será que as pessoas ainda estarão cantando nosso trabalho?’’. Essas dúvidas foram frequentes, eu vivi uma espécie de quarentena durante a internação, depois ainda fiquei um período em casa, continuando o tratamento.

Foi um processo longo, de seis meses, muito similar ao que estamos vivendo agora com a quarentena. Esse projeto surgiu com todos esses questionamentos e traz um pouco das discussões. Não falamos sobre o fim do mundo e sim sobre a construção de um mundo melhor.

Entendemos que a música é um ponto de convergência de várias coisas, principalmente sensações boas, energias positivas, amor, confraternização, e a música do Sorriso fala muito disso. A gente brinca, a gente ama, então o projeto toca muito nesses pontos, o que podemos fazer para amar mais, curtir mais, viver mais.

Acho que, sem dúvida, tivemos uma noção do quão importante é viver em conjunto. O show é isso, conversar, encontros, abraços, casais se formam, grupos de amigos se encontram. Então, foi uma situação muito ausente nesse período, não podíamos encontrar nossos amigos, nossos familiares, ir num pagode, ir no show da sua banda preferida. Esse tema que a gente traz no novo projeto do Sorriso, ele traz tudo isso à tona: viver como se não houvesse o amanhã, então vamos viver intensamente enquanto a gente pode.

ET: Como ficaram os preparativos para a turnê do AMA? Há previsão para esse projeto?

Gravada no dia 16 de fevereiro, a incrível mensagem do AMA teve como palco a Praia do Francês, em Alagoas
Gravada no dia 16 de fevereiro, a incrível mensagem do AMA teve como palco a Praia do Francês, em Alagoas | Foto: Divulgação

BC: A pandemia adiou um pouco esses planos. Gravamos em fevereiro, saímos de férias logo após o carnaval, que foi a semana seguinte da gravação do DVD, e no meio das férias, voltamos naquela situação de chegar e ficar em quarentena. Naquele processo de vamos ficar 15 dias em casa e depois entender o que está acontecendo. Esses 15 dias viraram 30, que viraram meses, e a gente está nessa até agora.

Achamos gente achou, por bem, não lançar o projeto, por uma questão nossa de viver essa experiência juntos. A gente entende que esse é um projeto para se viver corpo a corpo com o artista, pois não é somente uma coisa musical, ele é sensorial, você tem que estar presente, viver essa experiência.

A gente quer levar essa turnê para todas as regiões do país, a gente quer viver isso com os fãs, com as pessoas que curtem nosso trabalho. Então, a gente ficou esperando, realmente, uma luz no fim do túnel, e entender de que forma o mundo vai reagir à pandemia, se vamos ter condições de voltar à ativa e de que forma a gente vai conseguir voltar à ativa, para então colocar o trabalho na rua e começar a divulgar.

Já temos data de lançamento para um single e vamos fracionar esse lançamento ao longo de vários meses. Em dezembro temos outra parte do projeto, em janeiro outra, e vamos fazendo esses lançamentos de forma ‘’parcelada’’, até que ele se conclua, ainda no primeiro semestre de 2021, e então entramos em turnê. É a previsão, mas como sabemos, tudo pode mudar. De qualquer forma, estamos otimistas que tudo vai acontecer nesse jeitinho.

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Não falamos sobre o fim do mundo e sim sobre a construção de um mundo melhor. Antes que o mundo acabe, o que a gente pode fazer para ele não acabar? Entendemos que a música é um ponto de convergência de várias coisas, principalmente sensações boas, energias positivas, amor, confraternização e a música do Sorriso fala muito disso "

Bruno Cardoso, vocalista do Sorriso Maroto

ET: Como está a expectativa para novos projetos e novas gravações?

Em janeiro de 2020, antes mesmo da gravação do DVD, o grupo lançou o primeiro single do projeto, intitulado “Sinal Vital”
Em janeiro de 2020, antes mesmo da gravação do DVD, o grupo lançou o primeiro single do projeto, intitulado “Sinal Vital” | Foto: Divulgação

BC: A gente ''tá'' 100% focado no AMA. Em paralelo ao AMA estamos em fase de reuniõe e muito empolgados com esse projeto do Sorriso com o Dilsinho, ‘’Juntos’’. É possível que aconteça alguma coisa ainda para 2020, temos ideias e estamos namorando a repercussão que teve a nossa live, que foi bastante positiva, a galera curtiu, ouviu muito.

Estamos bolando aqui algumas coisas, ainda não temos data, mas acreditamos que aconteça algo e prometo vir aqui contar para vocês assim que estiver mais organizado, mas o que podemos afirmar é que o AMA vai sair. O projeto do Sorriso com o Dilsinho pode deixar de ser promessa e virar realidade.

ET: Qual a história por trás do nome do grupo, ‘’Sorriso Maroto’’?

Em 1997, surgia o Sorriso Maroto, que hoje é carinhosamente chamado pelos fãs de “Sorriso”
Em 1997, surgia o Sorriso Maroto, que hoje é carinhosamente chamado pelos fãs de “Sorriso” | Foto: Divulgação

BC: O nome surgiu como uma brincadeira. Montamos o grupo sem pensar em montar uma banda para fazer shows ou fazer sucesso. O grupo se encontrava, constantemente, e todo o movimento médio de umas pessoas tocando um pagode tinha nome. Surgiu esse questionamento na época. Os nomes foram surgindo com a experiência do que a gente fazia.

Como sempre tinha churrasco, veio ‘’Sal Grosso’’, porque o sal grosso acompanhava o churrasco. Veio ‘’Cara de Gato’’, porque, aqui no Rio de Janeiro, a gente tem o costume de dizer que o churrasco que vende nas barraquinhas é o churrasquinho de gato.

Tentando encontrar sempre algumas conexões com as coisas que a gente fazia e ‘’Sorriso Maroto’’ foi o único que não tinha muito a ver, talvez, por isso, a gente achou que seria um nome legal.

Alguém acabou brincando, dizendo, ‘’que sorriso maroto, cara, ‘tão’ sempre curtindo’’, e a gente era ‘’meio moleque’’, tem aquela coisa descontraído, atrevido em alguns momentos, então por que não Sorriso Maroto? Seguramos esse nome e fomos levando para onde a gente se apresentava, nas brincadeiras com os amigos, até que achamos que a coisa realmente estava ficando séria, tinha uma galera que ia nas resenhas só para curtir o pagode resolvemos levar para um restaurante.

A apresentação no restaurante tinha que ter um ar mais profissional e, ali, definimos que o nome da banda seria Sorriso Maroto. Fomos conquistando outros territórios, como no jogo ‘’War’’, não sei se você lembra, e estamos até hoje nessa brincadeira, de conquistar os territórios e viajar o Brasil todo, como fazemos hoje, graças a Deus. E esse é o Sorriso Maroto.

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Sabemos que esse é um projeto para se viver corpo a corpo com o artista, pois não é somente uma coisa musical, ele é sensorial, tem que estar presente, viver essa experiência. Queremos levar essa turnê para todas as regiões do país e viver isso com os fãs, com as pessoas que curtem nosso trabalho "

Bruno Cardoso, vocalista do Sorriso Maroto

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