Fonte: OpenWeather

    Reconhecimento


    Filme amazonense é selecionado para festival de cinema na Itália

    "A Terra Negra dos Kawa’’, do cineasta Sérgio Andrade, já representou o Amazonas em outros festivais tradicionais do circuito europeu

    O longa-metragem foi dirigido e produzido por Sérgio Andrade
    O longa-metragem foi dirigido e produzido por Sérgio Andrade | Foto: Divulgação

    Manaus – O longa-metragem amazonense "A Terra Negra dos Kawa’’ foi selecionado para a Mostra Competitiva do 74° Festival Internazionale del Cinema di Salerno, na Itália, realizado on-line entre os dias 30 de novembro e 5 de dezembro.

    A ficção do cineasta Sérgio Andrade, que assina o roteiro, a produção e a direção do filme, representou o Amazonas em outros festivais tradicionais do circuito europeu, como o Mercado do Filme de Cannes, realizado anualmente em conjunto com o Festival de Cannes, na França.

    ‘’A Terra Negra dos Kawa tem nos proporcionado umas alegrias estilosas. Outro dia, uma cientista suíça do ramo da alimentação solicitou o filme para uma apresentação privada, em um simpósio de ciência’’, comentou Andrade.

    No Festival de Cinema de Salerno, a expectativa é que, além de mostra on-line, também sejam realizadas exibições presenciais para o público italiano.

    ‘‘Essa seleção foi uma surpresa, e estou muito curioso para saber como o público de lá reagirá. Uma delícia ver os caminhos que a obra percorre, e os diferentes públicos que atinge’’, comemorou o cineasta.

    Reconhecimento mundial

    No Festival de Cinema de Salerno, a expectativa é que além de mostra on-line, também sejam realizadas exibições presenciais do filme amazonense
    No Festival de Cinema de Salerno, a expectativa é que além de mostra on-line, também sejam realizadas exibições presenciais do filme amazonense | Foto: Divulgação

    É com admiração que Sérgio Andrade observa o reconhecimento que a obra recebe no cinema mundial, e atribui esse sucesso à diversos fatores.

    ‘’Imagino que a liberdade do filme, ao ar livre, o humor diferente e as narrativas e linguagens amazônicas devem encantar neste momento tão triste do mundo, mas, na realidade, posso apenas imaginar. Participar desse circuito europeu significa chances de mercado e de apreciação da obra por um público e uma crítica que terão uma compreensão inédita. Estou louco para descobrir qual é’’, afirmou o cineasta.

    Apesar dos bons frutos que ele colhe com essa produção, Andrade chama atenção para a falta de incentivo que o setor audiovisual recebe no Amazonas. No momento em que o cinema local ganha os holofotes em festivais nacionais e internacionais, ainda há muito caminho a ser percorrido.

    ‘’Acredito que o nosso potencial local não será incentivado por repercussões internacionais de nossas obras. Ajuda, mas eu já tive filme na Panorama do Festival de Berlim, e nenhum incentivo ou apoio nas obras seguintes, por parte de esferas de governos locais. O problema é de falta de continuidade da vontade política’’, ressaltou.

    A Terra Negra dos Kawa

    As narrativas e as linguagens amazônicas são fatores que Andrade destaca no filme
    As narrativas e as linguagens amazônicas são fatores que Andrade destaca no filme | Foto: Divulgação

    Na trama de ‘’A Terra Negra dos Kawa’’, Sérgio Andrade usa pela primeira vez da ficção científica para mostrar a relação de um grupo indígena chamado Kawa, com a terra preta existente em uma região rural do Amazonas, próxima a Manaus, e que oferece propriedades medicinais, energéticas e sobrenaturais.

    Os anciões Uçana e Turyná são os principais responsáveis pelo comando das terras, e tornam-se motivo de interesse para três cientistas escavadores.

    Ao acompanhar a rotina de trabalho dos índios, que cultivam a terra por meio de técnicas misteriosas, os pesquisadores reagem de diferentes maneiras: Anita e Juan respeitam as tradições da tribo, enquanto Caetano tem intenções ambiciosas.

    ‘’A ficção científica cabocla é uma homenagem livre à terra preta dos índios, que é uma riqueza nossa aqui da Amazônia, milenar e milagrosa, que se deve a esse poder telúrico que os indígenas manejam tão bem. Fizemos uma alegoria, como disse, uma brincadeira honrosa com uma ciência indígena em forma de filme de ficção’’, explicou o cineasta Sérgio Andrade.

    ''Bastidores'' do longa-metragem amazonense
    ''Bastidores'' do longa-metragem amazonense | Foto: Divulgação

    O longa-metragem realizou a estreia no “Festival Olhar do Norte”, em Manaus, no ano de 2019. No elenco, os indígenas Severiano Kedassere, Kay Sara, Anderson Kary Báya e Anderson Tikuna ganharam elogios da crítica de cinema especializado, ao lado de Marat Descartes, Felipe Rocha e Mariana Lima.

    ‘‘Todos os meus longas, e até os curtas, tem a participação do indígena, seja como protagonista, ou como presença e inspiração no argumento. Isso é intrínseco na cultura local, e acho que deveria estar de algum modo em quem a faz. Portanto, sempre estarei inspirado por essa cultura’’, finalizou.

    Nascido em Manaus, Sérgio Andrade participou de produções de TV e cinema na Amazônia, entre elas “Diários de Motocicleta”, de Walter Salles, e “A Festa da Menina Morta”, de Matheus Nachtergaele.

    Sérgio Andrade é produtor, roteirista e diretor de cinema
    Sérgio Andrade é produtor, roteirista e diretor de cinema | Foto: Divulgação

    Seus curtas receberam diversos prêmios e foram selecionados em festivais como Brasília, Clermont-Ferrand, Tiradentes, Toulouse, Miami, Recife, Barcelona, entre outros.

    Leia mais: 

    Protagonizado por indígenas do AM, 'A Febre' é sucesso nos cinemas

    Cine Casarão recebe filmes do Festival de Cinema Francês em Manaus

    Conheça Dan Stump, o inerente artista amazonense