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    Cultura e Empoderamento Escolar


    Projeto estimula a arte em alunos de escola da Zona Leste de Manaus

    A atividade de formação com o tema ''Cultura e Empoderamento Escolar'' visa atender jovens negros das periferias de Manaus, através de oficinas e rodas de diálogos

    | Foto: Divulgação

    Manaus - A arte tem o poder de inspirar vidas. E é através da arte que o projeto “Bem Dito Sião’’ atende jovens negros das periferias de Manaus, com oficinas e rodas de diálogos, onde ecoa o tema ‘’Cultura e Empoderamento Escolar’’.

    Serão oferecidas pelo menos cinco oficinas aos estudantes da Escola Municipal Professora Sônia Maria da Silva Barbosa, localizada no bairro Cidade de Deus, Rua Monte Sião, pelo projeto. A unidade de ensino foi escolhida para a execução das ações por estar distante do centro da cidade, e possuir alta criminalidade, conforme explicou Ythana Isis, uma das idealizadoras do ‘’Bem Dito Sião’’.

    “O projeto tem o intuito de aproximar o jovem da nossa cultura local, e esses fatores dificultam o acesso dos jovens às artes. O bairro Cidade de Deus também foi contemplado por possuir um dos números mais altos de negros em Manaus’’, afirmou Isis. De acordo com o censo do IBGE de 2010, o bairro apresenta a maior população autodeclarada negra da capital.

    Alunos da Escola Municipal Professora Sônia Maria da Silva Barbosa
    Alunos da Escola Municipal Professora Sônia Maria da Silva Barbosa | Foto: Divulgação

    Ações

    As ações do projeto são desenvolvidas ao longo de dois meses, tornando viável acompanhar a evolução dos jovens a partir do conhecimento adquirido no projeto.

    Na primeira etapa que ocorreu em outubro deste ano, as atividades abordaram o “Audiovisual: o celular como uma ferramenta artística”, em que os participantes receberam auxílio para produzir material de audiovisual, e assim exibi-los no Cineclub, atividade da terceira etapa. A atividade terá a cineasta Keila Serruya como facilitadora.

    A música também se fez presente, através da oficina “Maracatu de baque virado”, ritmo de cultura popular nascido em Recife, por negros escravizados no século XIX, com o grupo Maracatu Pedra Encantada, em paralelo. O projeto contou, ainda, com intervenção de graffiti nas paredes deterioradas da escola, atividade que já foi realizada pela artista visual Kerolayne Kemblin.

    A música também se fez presente, através da oficina “Maracatu de baque virado”
    A música também se fez presente, através da oficina “Maracatu de baque virado” | Foto: Divulgação

    "É uma oportunidade para que entendam o contexto de pobreza, violência e exclusão onde estão incluídos, e assim alcancem mudanças, bem como dar-lhe treinamento para que possuam meio de desenvolver atividades geradoras de renda”, contou Regina de Benguela, ao lado de Isis, uma das idealizadoras da ação.

    Etapas

    A primeira etapa do projeto, que finalizou na última segunda-feira (23), promoveu uma roda de conversa sobre igualdade e legislação racial. A ideia, segundo Ythana Isis, é dialogar sobre o racismo.

    ‘’E, para isso, é necessário alertar os jovens sobre os diversos aspectos envolvidos nesse contexto, para assim saberem como proceder e combater’’, ressaltou. A mediadora será a atriz e ativista negra Francine Marrie, moradora do bairro Cidade de Deus, juntamente com uma profissional jurídica.

    Já a segunda etapa terá duração de um mês, no qual os participantes da oficina de audiovisual serão agrupados e acompanhados para produzirem vídeos curtos com tema livre. A expectativa nesse exercício é criar uma rede artística na comunidade, incentivá-los a produzir, e instigar a criatividade.

    Serão oferecidas pelo menos cinco oficinas aos estudantes
    Serão oferecidas pelo menos cinco oficinas aos estudantes | Foto: Divulgação

    Na terceira fase ocorrerá uma oficina de artesanato com o objetivo de estimular o empreendedorismo criativo para geração de renda; “Cineclub”, com exibição de documentário com tema relevante para o projeto, assim como o material produzido na segunda etapa e continuação da intervenção do graffiti, visando as contrapartidas do projeto.

    Shows musicais dos artistas da cena independente da cidade, Eber Pirangy e da jovem Karen Francis, negra e moradora do bairro Cidade de Deus, também fazem arte da terceira fase.

    ''Nós realizamos isso de uma forma que eles aprendam, conheçam e troquem informações e saberes com artistas e produtores da cidade. E, a partir dessas oficinas, criem consciência social e possam transformar isso em uma geração de renda’’, motivou Isis.

    Realizado pelo espaço Cultural BemDito, a execução do projeto se dá devido ao apoio do Prêmio Conexões Culturais 2018, promovido pela Prefeitura de Manaus, através da Fundação Municipal de Cultural, Turismo e Eventos – ManausCult, e em parceria da Pedra de Fogo Produções, Encrespa Geral e a Picolé da Massa.

     “Através desse projeto, nós buscamos proporcionar a esses jovens de periferia que são estigmatizados e discriminados a possibilidade de visualizar um outro mundo, outras possibilidades. Com as oficinas oferecidas pela iniciativa, buscamos que estes jovens sejam protagonistas de suas próprias histórias, escrevendo seus projetos e os desenvolvendo em suas comunidades'', finalizou Regina de Benguela.

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