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    Brasil no Oscar


    'É um poema visual', diz Bárbara Paz sobre o filme 'Babenco'

    Dirigido por Bárbara Paz, com quem Babenco foi casado durante nove anos, o documentário retrata com um olhar amoroso a arte e a vida do cineasta. O filme é a aposta do Brasil no Oscar

    O documentário “Babenco - Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou” é o primeiro longa-metragem de Bárbara Paz, e a última obra de Hector Babenco
    O documentário “Babenco - Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou” é o primeiro longa-metragem de Bárbara Paz, e a última obra de Hector Babenco | Foto: Divulgação

    Por mais de 20 anos, desde o estrondoso “Central do Brasil’’, o país não consegue emplacar uma obra na categoria de “Melhor Filme Internacional’’ do Oscar. Isso pode mudar com a escolha de ‘’Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou’’, como o indicado para representar o Brasil em 2021. É a primeira vez que um documentário é escolhido na corrida por uma estatueta nacional.

    O longa-metragem traça um paralelo entre a arte e a doença do cineasta argentino, naturalizado brasileiro, Hector Babenco, que dirigiu filmes como Carandiru, Pixote, e o Beijo da Mulher Aranha, pelo qual recebeu a indicação ao Oscar de ‘’Melhor Direção’’, em 1986.

    O filme revela medos e ansiedades, mas também memórias, reflexões e fabulações, num confronto entre o vigor intelectual e a fragilidade física que o marcou. Dirigido pela atriz, diretora e produtora Bárbara Paz, casada por nove anos com Babenco, o longa foi submetido às categorias de ‘’Melhor Filme Internacional’’ e ‘’Documentário’’.

    Como costume, as indicações oficiais do Oscar são divulgadas um mês antes da cerimônia de premiação. Em 2021, a previsão é que o anúncio ocorra em 15 de março, enquanto o evento deve ocorrer 25 de abril..

    O filme já foi selecionado para mais de 20 festivais internacionais, e estreou mundialmente no Festival de Veneza de 2019, recebendo o prêmio de Melhor Documentário na Mostra Venice Classics, e o prêmio Bisato D’Oro 2019, prêmio Paralelo ao 76º Festival Internacional de Cinema de Veneza, dado pela crítica Independente.

    No início do ano, o longa conquistou o prêmio de Melhor Documentário no Festival internacional de Cinema de Mumbai, na Índia, e também já foi selecionado para o Festival do Cairo, Festival de Havana, Festival de Mar del Plata, Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Festival do Rio, Festival Internacional de Cinema Documental, na Argentina, para o Mill Valley Film Festival, nos Estados Unidos.

    "Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou’’

    Cena do longa-metragem
    Cena do longa-metragem | Foto: Divulgação

    “Eu já vivi minha morte, agora só falta fazer um filme sobre ela”, disse o cineasta Hector Babenco à Bárbara Paz, ao perceber que não lhe restava muito tempo de vida.

    Ela aceitou a missão e realizou o último desejo do companheiro: ser protagonista da própria morte. Na imersão amorosa na vida do cineasta, ele se desnuda, consciente, em situações íntimas e dolorosas. Do primeiro câncer, aos 38 anos, até a morte, aos 70 anos, Babenco fez do cinema, remédio e alimento para continuar vivendo.

    O filme já foi selecionado para mais de 20 festivais internacionais, e estreou mundialmente no Festival de Veneza de 2019, recebendo o prêmio de Melhor Documentário na Mostra Venice Classics, e o prêmio Bisato D’Oro 2019, prêmio Paralelo ao 76º Festival Internacional de Cinema de Veneza, dado pela crítica Independente.

    No início do ano, o longa conquistou o prêmio de Melhor Documentário no Festival internacional de Cinema de Mumbai, na Índia, e também já foi selecionado para o Festival do Cairo, Festival de Havana, Festival de Mar del Plata, Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Festival do Rio, Festival Internacional de Cinema Documental, na Argentina, para o Mill Valley Film Festival, nos Estados Unidos. 

    O filme foi indicado em diversos festivais pelo mundo
    O filme foi indicado em diversos festivais pelo mundo | Foto: Divulgação

     O documentário é o primeiro longa-metragem de Bárbara Paz e a última obra de Hector Babenco. Em entrevista ao EM TEMPO, a diretora comentou sobre a paixão que depositou no filme.

    EM TEMPO: Qual foi a emoção ao descobrir que "Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou’’ irá representar o Brasil na corrida para o Oscar 2021? Principalmente por ser o primeiro documentário vitorioso.

    Bárbara Paz: Eu fiquei muito emocionada e surpresa, realmente não esperava. Tenho muito que agradecer a Academia Brasileira de Cinema pela indicação. Agora, estamos focados no lançamento do filme do Brasil e na campanha do filme no Oscar. Ao mesmo tempo que é uma enorme alegria, é uma enorme responsabilidade. É uma disputa com os melhores 80, 90 filmes do ano... O Hector merecia muito isso.

    ET: E qual a expectativa para a aceitação do filme nos cinemas?

    BP: Eu fiz o filme para o cinema, eles estão abertos seguindo os protocolos de segurança, com ar sendo renovado. Eu espero que as pessoas compareçam aos cinemas para assistir ao filme com todas as precauções. A experiência é outra. Estamos estreando em várias cidades do Brasil depois de ter passado em vários festivais, iniciando a carreira no Festival de Veneza de 2019, com o Leão de Ouro.

    O longa-metragem traça um paralelo entre a arte e a doença do cineasta argentino
    O longa-metragem traça um paralelo entre a arte e a doença do cineasta argentino | Foto: Divulgação

    ET: O currículo do longa-metragem carrega importantes festivais de cinema internacionais, como o Festival de Veneza. Você acredita que o cinema brasileiro é mais valorizado no exterior?

    BP: A gente está vivendo um momento lindo na história do cinema nacional, com nossos filmes sendo premiados no mundo inteiro. As pessoas amam o cinema brasileiro, querem se alimentar de cinema brasileiro, gostam de cinema brasileiro. Não é a política que vai parar a gente agora.

    ET: Para você, o que falta para que a sétima arte brasileira seja mais valorizada e voe mais alto?

    BP: A cultura brasileira está passando por momentos difíceis, com ataques e perseguição, mas tenho certeza que vai passar. E, como eu disse, o cinema está vivendo um momento lindo e importante, com filmes sendo premiados no mundo todo. O mundo tem olhado para a cultura brasileira, e nós vamos continuar resistindo.

    ET: Como você imagina que o Hector receberia a notícia de que a vida dele virou um filme indicado ao Oscar?

    BP: O Hector com certeza está muito feliz e orgulhoso de onde ele está e estou fazendo o que posso para levar o filme mais longe. Com certeza ele estava sorrindo no dia que saiu a indicação. Tomara que a gente chegue ao tapete vermelho.

    Bárbara Paz, atriz, diretora e produtora
    Bárbara Paz, atriz, diretora e produtora | Foto: Divulgação

    ET: Sobre a produção do documentário, quais foram os desafios para tornar ‘’Babenco’’ possível?

    BP: Em um dos altos e baixos da doença do Hector, eu tive a ideia de criar o documentário, com medo que ele fosse partir naquele hospital, naquela viagem e ele topou. Depois que ele partiu, foi um longo percurso. Arrumar material, pesquisa, começar montagem. O filme foi construído com toda a equipe unida. Só terminei o filme quando achei o corte, fomos lapidando. O material “bruto” do filme está no livro que lancei ano passado “Mr. Babenco – Solilóquio a dois sem um: Hector Babenco e Bárbara Paz”.

    ET: Se você pudesse descrever essa obra em apenas uma palavra, qual seria?

    BP: Amor. O filme é minha carta de amor para o Hector. É meu poema visual.

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