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    Disco é Cultura


    Projeto Vila Vinil reúne amantes da arte em Manaus

    Idealizado pelo artista Ramon Marola, o evento é realizado todo domingo, na Casa Criativa Vila Vagalume

    Ramon Marola em apresentação do Vila Vinil
    Ramon Marola em apresentação do Vila Vinil | Foto: Arquivo pessoal

    Manaus – Todo domingo, a Casa Criativa Vila Vagalume 80, localizada na avenida Padre Agostinho Caballero Martin, bairro São Raimundo, zona Oeste de Manaus, abre espaço para o projeto Vila Vinil, dedicado aos amantes da arte que desejam reviver os tempos de ouro.

    O evento, que ocorre desde 2019, reúne fãs fieis ao vinil. Nessa programação, a interação dos visitantes é uma parte importante: o público pode levar os próprios LPs e interagir com a playlist selecionada para o projeto.

    O acervo da casa é composto por relíquias da música popular brasileira, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, Gonzaguinha, Moraes Moreira, Secos e Molhados, entre outros. A seleção é comandada pelo artista residente, Ramon Marola, um apreciador da cultura e colecionador de vinil.

    LPs utilizados no projeto são acervo pessoal de Ramon Marola
    LPs utilizados no projeto são acervo pessoal de Ramon Marola | Foto: Arquivo pessoal

    ‘‘Antes do evento começar, eu penso muito com o meu coração em como traduzir as coisas que eu estou sentindo naquele dia, nas músicas que eu vou reproduzir. Quais memórias afetivas eu estou com vontade de acessar naquele momento, e monto na minha cabeça mesmo um grupo de artistas, separo os discos e vou à luta’’, contou Marola, o idealizador do projeto.

    Entre os clientes que acompanham fielmente o projeto, também já surgiram LPs raros, de acordo com o artista, como o disco “Transa do Caetano’’, produzido em inglês durante o exílio, no período de regime militar no Brasil.

    ‘‘As pessoas que ainda vivem forte esse amor pelos LPs também podem compartilhar a paixão. E geralmente aparecem grandes surpresas, como esse disco do Caetano Veloso, que fala de saudade e da ânsia por liberdade, saindo da alma de alguém que foi degredado de sua terra num período de muita repressão. Essa interação traz história para refletir, conserva a nossa cultura. É gostoso demais quando chegam amigos na nossa casa com pérolas como essa nas mãos’’, relembrou Ramon Marola.

    Como surgiu o projeto?

    Vila Vagalume sedia o projeto
    Vila Vagalume sedia o projeto | Foto: Arquivo pessoal

    Da paixão pela arte que existe nos LPs. O evento é sediado na Vila Vagalume 80, que existe desde 2016. O espaço, administrado por Vívian Oliveira e Mauro Lima, oferece serviços de arte, culinária vegetariana, artes visuais, música, produção musical, rodas de conversas, oficinas de formação, exposições, plantio, jardinagem, saúde e bem-estar.

    Hoje, em nova sede de frente para o Rio Negro, a casa desfruta de uma estrutura melhor para oferecer arte e cultura para a comunidade. Apesar do projeto existir há apenas um ano, essa paixão pelo vinil existe em Ramon Marola desde a infância.

    “A minha primeira motivação para cultivar esse modo de ouvir música, veio com a minha avó, que tinha uma vitrola e vários discos em casa. Mas, pelo fato de ser muito cuidadosa, não me deixava ficar lá manuseando, ouvindo, lendo. Com isso, aquela vontade de ter esse contato foi sendo contida’’, afirmou o artista.

    Ramon Marola declara a paixão pela arte em cada evento
    Ramon Marola declara a paixão pela arte em cada evento | Foto: Arquivo pessoal

    Com o passar do tempo, Marola ganhou os próprios CDs e discos, e foi juntando dinheiro aos poucos para comprar uma vitrola, onde ouvia Roberta Miranda, Alcione, Beth Carvalho, Clara Nunes, e diversas outras. A coleção, que começou com 30 vinis, atualmente tem mais de 400 volumes.

    ‘‘Fui consumindo tudo que podia e comecei a comprar e ganhar outros discos. A coleção foi aumentando ao longo desses 15 anos, até que eu me mudasse para a Vila Vagalume, quando ainda era no bairro Dom Pedro, e nasceu esse desejo de compartilhar todos esses sentimentos e sons’’, explicou Marola.

    Amor pelo Vinil

    Intérprete, compositor e artista plástico, Ramon Marola utiliza o projeto Vila Vinil apenas como um ‘’catalisador’’ da paixão que ele possui pela arte, mas às vezes essa paixão escapa nos eventos.

    ‘‘É algo muito lindo, também sou cantor, então o meu lugar mais apropriado, eu sinto ser o palco. E quando eu estou ali reproduzindo os discos, não é como se fosse um espetáculo, mas do nada eu deito a ponta da agulha em ‘Explode Coração’, e quando as pessoas ouvem a voz da Maria Bethânia, elas simplesmente me olham e aplaudem’’, brincou Marola.

    Marola apresenta LPs com orgulho
    Marola apresenta LPs com orgulho | Foto: Arquivo pessoal
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    É um show, e eu canto junto, me empolgo. Não é um espetáculo meu, mas em mim, tem despertado todas as emoções de que se fosse "

    Ramon Marola, artista residente do Vila Vagalume

    A experiência no projeto, ele define apenas como gratificante, e revela que pretende continuar com os eventos por muito tempo pela frente. ‘‘Cada domingo é uma recarga na minha bateria, por eu ver meus discos fazendo bem às pessoas, lembranças brotando nos olhos delas, às vezes em forma de uma lágrima, um sorriso. Eu vivo querendo fazer as pessoas sorrirem e isso deixa o meu coração muito feliz’’, comemorou.

    No futuro, os planos de Ramon Marola para o projeto Vila Vagalume envolvem expandir ainda mais a coleção de discos, e a qualidade de reprodução dos LPs.

    ‘‘Com uma melhor aparelhagem e sempre buscando coisas novas, talvez eu até crie coragem de lançar a carreira de DJ. Por enquanto, Marola é só alguém que gosta de compartilhar sentimentos sonoros’’, finalizou.

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