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    Pandemia


    ‘Endemia’: Série manauara estreia nesta sexta (18), com 5 episódios

    Desde meados de novembro, um coletivo de artistas manauaras independentes, vem trabalhando na produção da série digital ''Endemia'', que vai contar em cinco episódios

    A obra estreia nessa sexta-feira (18), no canal do artista Diogo Ramon no YouTube
    A obra estreia nessa sexta-feira (18), no canal do artista Diogo Ramon no YouTube | Foto: Divulgação

    Manaus - Registrar em mais ou menos cinquenta minutos o que vivemos nesse ano de 2020 seria quase impossível, mas apresentar artisticamente alguns momentos pontuais que mexeram com a humanidade neste ano sem precedentes, é o que um grupo de 7 artistas está tentando fazer.

    Desde meados de novembro, um coletivo de artistas manauaras independentes, vem trabalhando na produção da série digital ''Endemia'', que vai contar em cinco episódios como foi o cotidiano deles próprios enquanto cidadãos e de mais sete personagens que eles interpretarão. A obra estreia nessa sexta-feira (18), no canal do artista Diogo Ramon no YouTube.

    Entendida como uma obra cênica-audiovisual e ficcional-documental, a série ''Endemia'' busca trabalhar dialogando esteticamente com os princípios do teatro, e poeticamente por meio dos recursos técnicos do audiovisual.

    No enredo aparecem problemas contemporâneos individuais dos seres humanos
    No enredo aparecem problemas contemporâneos individuais dos seres humanos | Foto: Divulgação

    A ideia de se basear no termo ''endemia'' está ligada ao processo das manifestações de doenças e infecções que ocorrem em determinada área ou região e lá permanecem ocorrendo costumeiramente.

    Para tanto, o projeto parte deste conceito, trabalhando dramaturgicamente com suas características de contaminação, ocorrência e incidência; buscando elaborar uma analogia subjetiva com as questões cotidianas da sociedade.

    No enredo aparecem problemas contemporâneos individuais dos seres humanos, e coletivos estruturais da sociedade, podendo citar os tantos preconceitos, a auto cobrança, as patologias do século, o desemprego e a desigualdade social.

    A série retratará a rotina pessoal e a criação cênica de sete atores
    A série retratará a rotina pessoal e a criação cênica de sete atores | Foto: Divulgação

    Dialogando com as alternativas de combate de ‘endemias’, o texto sugere repensar possíveis caminhos de esperança, resiliência, respeito e tolerância, enquanto medidas de enfrentamento aos males sociais apresentados, sempre no sonho do alcance de suas erradicações.

    A série retratará a rotina pessoal e a criação cênica de sete atores em suas habitações e ambientes de relação.  

    A proposta estética do projeto é organizada por meio da composição de cenas individuais dos artistas e o registro destas em formato de vídeo.

    Estes recortes videográficos seguirão os procedimentos estéticos, poéticos e técnicos teatrais em diálogo com os fundamentos estéticos e técnicos audiovisuais.

    A proposta dramatúrgica se baseia numa dimensão não cronológica
    A proposta dramatúrgica se baseia numa dimensão não cronológica | Foto: Divulgação

    Essas cenas contarão com a participação dos atores envolvidos, realizando monólogos e solilóquios; bem como interagindo e contracenando à distância, promovendo uma obra que cruza caminhos com o naturalismo teatral e cinematográfico.           

    Já a proposta dramatúrgica se baseia numa dimensão não cronológica, mas conectiva entre cada episódio. O texto base da obra e seus roteiros se baseiam na realidade dos sete atores envolvidos no processo, em comunicação constante com os sete personagens interpretados pelos mesmos.

    Estes personagens apresentados, foram criados a partir de cidadãos que nos acostumamos a identificar no dia a dia durante a pandemia.

    As atitudes e os posicionamentos diversos destes cidadãos, frente às questões sociais das duas décadas do terceiro milênio e as dos últimos nove ou doze meses, durante a pandemia, são os desenhos que delinearam o enredo da obra.

    Sete personagens           

    Série manauara estreia nesta sexta
    Série manauara estreia nesta sexta | Foto: Divulgação

    A atriz Vânia Rosas vai interpretar a artista Nádia. Essa personagem é a típica representação dos artistas que viram suas atividades serem paralisadas e suspensas por conta da pandemia.

    Buscando colaborações de editais de emergência para sobreviver e tendo que se adaptar às novas tecnologias, a personagem trará muitas surpresas no desenvolver dos episódios. Nádia deixa o questionamento: em tempos de pandemia e de isolamento, qual a importância da arte e dos artistas?         

    O ator Akilles Anderson é o intérprete do personagem Leonardo, um jovem trabalhador que têm ansiedade e encontrou no tempo de pandemia e isolamento social, o momento mais difícil de sua vida e do tratamento que vinha realizando.

    Série manauara estreia nesta sexta
    Série manauara estreia nesta sexta | Foto: Divulgação

    Esse personagem é inspirado no brasileiro trabalhador que não tem tempo pra descanso, porque se parar, não consegue viver, mas que teve que desacelerar pra conseguir sobreviver. O questionamento que este personagem deixa é: como viver sem ansiedade em tempos pandêmicos e de isolamento social?           

    A atriz Mayara Cabral é quem comanda a missão de dar vida à representante dos profissionais da saúde, a enfermeira Elizabeth.

    A enfermeira trabalhadora do sistema privado e público de saúde verá na pandemia o seu maior desafio profissional e humano.

    Série manauara estreia nesta sexta
    Série manauara estreia nesta sexta | Foto: Divulgação

    O questionamento que Elizabeth suscita é: como alguém tão acostumada com a morte, poderia senti-la tão perto e teme-la como nunca? Elizabeth traz a identificação de finitude que a pandemia escancarou ao mundo.           

    Os atores Neuriza Figueira e Murilo Barbosa interpretarão os personagens Maria e Luiz, mãe e filho que antes da pandemia, haviam se separado pela primeira vez.

    Estes personagens apresentam como o distanciamento tão sonhado por alguns, como é o caso do personagem Luiz que, sempre almejou a independência, acabou se tornando um pesadelo num momento de crise mundial.

    A personagem Maria é a representação do familiar eu sente saudades e que não cumpre tão bem as recomendações dos órgãos de saúde, sempre sob a justificativa no senso comum e em superstições. Murilo Barbosa também é quem assina a Direção de fotografia da série e a Edição e Finalização do trabalho.           

    A atriz Stephane Bacelar é quem vai dar vida à Natália, a personagem caçula do enredo. Natália tem 17 anos e está nos momentos finais de estudo no ensino médio, e se prepara para prestar vestibular, almejando o ingresso em uma universidade.

    Acostumada com altos prêmios e boas colaborações nas escolas particulares por onde já estudou, a jovem vê na paralização das escolas o seu maior medo: se atrasar de ano.

    A pergunta que fica é a seguinte: quem não se atrasou nesse ano, em que o atraso foi ressignificado?       

    O artista Diogo Ramon é quem assina a direção geral da série, a roteiragem, a edição e também interpreta o personagem Igor.

    Esse personagem vai dialogar com as propostas tradicionais da figura do anfitrião das produções cinematográficas das décadas de 30 a meados de 60, que é justamente aquele que apresenta as questões técnicas da produção e dramatúrgicas do enredo. Essa dimensão do cinema possibilita o trabalho com questões próprias do teatro.

    No caso de Igor, o jovem de 25 anos, desempregado, isolado e questionador, é quem conversará com as questões da vida dos cidadãos intérpretes. Igor, um sobrevivente no meio da maior pandemia dos últimos tempos, tentará trazer reflexão e provocar mais dúvidas, do que conclusões.

    O processo de gravação da série se deu por meio de roteiros compartilhados com os atores em formato de folhetim, buscando uma melhor qualidade de atuação dos envolvidos e desenvolvimento cênico da obra.

    Desta forma, a cada semana, os atores iam descobrindo novas nuances de seus personagens e buscando trazer novas possibilidades dramáticas.

    Na ficha técnica, além do elenco apresentado que conta com Diogo Ramon, diretor geral, roteirista e editor; e Murilo Barbosa, diretor de fotografia, editor e finalizador; também integra trabalhos a produtora executiva Kelly Vanessa, que foi responsável durante o processo na comunicação à distância entre os artistas e no encaminhamento logístico da produção e divulgação.

    A série vai ser exibida diariamente pelo YouTube entre 18 e 22 de dezembro de 2020, às 20h (horário de Manaus) no canal do diretor do projeto, Diogo Ramon.

    Todos os episódios ficarão disponível de forma permanente no canal, o que garante o espectador de poder assistir a obra no momento em que preferirem.

    No dia 23 de dezembro de 2020, ocorrerá uma live-debate às 20h (horário de Manaus), com todos os envolvidos no processo, objetivando possibilitar um espaço de troca entre artistas e público, com transmissão via rede social do YouTube. 

    “Esperamos trazer um respiro artístico na casa de cada um que assistir este trabalho. Esperamos provocar reflexão de uma forma tranquila e por meio do diálogo que o texto traz. A ironia acompanha o enredo, pois falar de endemia em tempo de pandemia é estranho demais, mas a ironia vai sempre junto da esperança, que é o sentimento e ação que queremos provocar, ou pelo menos vamos tentar trabalhar nessa dramaturgia” afirma Diogo Ramon, idealizador do projeto.

    Ele também compartilha os sentimentos que o inspiraram a pensar neste trabalho. “Um registro. Esse trabalho vai ser um registro. Não só porque vai ficar pra sempre lá no YouTube, mas porque toda vez que assistirmos vamos nos lembrar desse momento que passamos. Nós interpretamos personagens que viveram o que vivemos nesse ano: uma pandemia, isolamento social e várias incertezas. Esse registro tem que servir pra algo. Pra melhorar algo. Pra gente caminhar pra frente, sem se esquecer do passado, pra não repetirmos os mesmos deslizes.”

    E encerra declarando que “é uma homenagem pra todos os mais de 180 mil brasileiros falecidos nesse momento. E todos os do mundo todo. Todos os familiares enlutados. Pra todos”.           

    A série ''Endemia'' é produzida por artistas independentes de Manaus, contando com profissionais na área do teatro e do audiovisual.

    Este projeto foi contemplado no Edital – Prêmio Manaus de Conexões Culturais 2020 por meio da Lei Aldir Blanc, contando com o apoio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (ManausCult) por meio da Prefeitura de Manaus, e também da Secretaria Especial da Cultura por meio do Ministério do Turismo do Governo Federal.

    *Com informações da assessoria

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