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    Balanço


    'O foco é valorizar o artista amazonense', diz Marcos Apolo

    Em entrevista ao EM TEMPO, o secretário de cultura, Marcos Apolo Muniz, pontuou sobre as ações executadas na pandemia, e a distribuição da verba de R$ 38 milhões de reais da Lei Aldir Blanc

     

    Secretário de Cultura do Estado, Marcos Apolo Muniz
    Secretário de Cultura do Estado, Marcos Apolo Muniz | Foto: Arquivo EM TEMPO

    Manaus - Não é novidade que o setor cultural foi o primeiro a paralisar, e deve ser um dos últimos a retornar à normalidade no período pós-pandemia. A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, sob a gestão de Marcos Apolo Muniz, enfrentou um período nunca visto desde a criação do órgão, em 1997, e as medidas de enfrentamento precisaram ser planejadas de forma estrategicamente ágil. 

    Em entrevista ao EM TEMPO, o secretário de cultura comentou sobre as ações da pasta durante a pandemia, com o repasse de verba da Lei Aldir Blanc, e a preparação para o ano que inicia, além da elaboração para o fomento das manifestações culturais no interior do Amazonas e formação e especialização de novos artistas. 

    ET: Quais foram os maiores desafios durante esse período de pandemia na gestão de cultura?

    Marcos Apolo Muniz: O grande desafio nessa pandemia foi, e ainda é, dar o melhor auxílio aos trabalhadores da arte e da cultura. Esse foi um setor muito prejudicado por conta das paralisações das atividades econômicas e sociais. Como fazer arte sem a presença do público? Sabendo disso, a Secretaria se mobilizou em buscar diferentes ferramentas para auxiliá-los nesse momento como: O Edital "Fica na rede, maninho", que premiou 290 proponentes com projetos realizados em plataformas digitais. Cada contemplado recebeu o prêmio de R$ 1 mil. Distribuição de cestas básicas, kits de prevenção a covid-19 (máscaras, álcool em gel), distribuição de frutas e legumes.

    Encaminhamentos, por meio do canal de atendimento ao artista, para profissionais como assistentes sociais, psicólogos, além de programas sociais. Agenda Virtual, onde eles cadastraram suas lives ou atividades na internet e com isso ganhavam mais visibilidade e apoio. Na esfera política, lutamos para elaborar e implementar a Lei 14.017 de Emergência Cultural, conhecida como Lei Aldir Blanc, que vem possibilitando um auxílio aos trabalhadores da cultura. Só a nossa gestão recebeu mais de R$ 38 milhões de reais, então sendo aplicados em auxílio emergencial e em três prêmios de fomento a iniciativas culturais.

     

    Marcos Apolo ressaltou ações do governo na cultura
    Marcos Apolo ressaltou ações do governo na cultura | Foto: Arquivo EM TEMPO

    ET: Mesmo no período pós-pandemia, a cultura no nosso estado terá um período de fragilidade, assim como todos os outros setores afetados pelo momento. Uma das reivindicações dos movimentos artísticos para o Governo Federal é a prorrogação da Lei Aldir Blanc. Qual seu posicionamento sobre essa mobilização, e como o estado deve lidar com a cultura no pós-pandemia?

    MA: A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa se posiciona a favor da prorrogação dos prazos de execução da Lei Aldir Blanc para 2021. É importante frisar que esse movimento é essencial para que os gestores públicos de Estados e Municípios executem 100% dos recursos disponibilizados através da Lei. Muitos estados e municípios ainda sofrem com os poucos prazos para essa aplicação. O prazo para estados e municípios se empenharem e executarem os recursos da Lei é até o dia 31 de dezembro e, o que não for investido, deve retornar ao Governo Federal até o dia 10 de janeiro de 2021. Felizmente, ao que compete a gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, estamos com um bom planejamento de execução, um planejamento apertado, mas que nos possibilita afirmar que vamos executar aproximadamente 95% dos recursos disponibilizados à Secretaria.

    Do inciso I, que trata do auxílio emergencial aos trabalhadores da cultura, das cinco parcelas previstas pela Lei, já pagamos três e as outras duas serão pagas até o fim da próxima semana. 441 artistas foram beneficiados com esse recurso. Já para o Inciso III, que se refere ao fomento a projetos culturais, foram lançados três editais: o prêmio “Feliciano Lana”, do qual 531 projetos foram contemplados e já estão sendo pagos; e os prêmios “Equipa Cultura”, para aquisição de bens e equipamentos, e o “Encontro das Artes”, para ações voltadas ao interior do Amazonas, e ambos vão beneficiar cerca de 273 projetos. Estamos falando aí em 804 pessoas beneficiadas, um total estimado de 16 mil trabalhadores da cultura alcançados de forma direta e 32 mil de forma indireta.

    Em relação ao pós-pandemia, ainda é muito difícil prospectar qualquer cenário. Vamos continuar administrando o momento com responsabilidade, atendendo a todos os protocolos de enfrentamento a covid-19, seguindo às orientações dos órgãos de saúde. No mais, vamos buscar apoios, parcerias e recursos para melhor auxiliar os trabalhadores da cultura para encarar esse momento da maneira mais branda possível. Não será fácil, mas estamos trabalhando para isso.

    ET: O interior do Amazonas ainda apresenta um movimento muito fraco em relação à cultura, além de pouco incentivo para artistas, e o cenário cultural do estado se concentra em Manaus. Há algum planejamento para fomentar as manifestações artísticas pelos municípios?

     

    Interior do Amazonas deve receber mais ações artísticas
    Interior do Amazonas deve receber mais ações artísticas | Foto: Arquivo EM TEMPO

    MA: Sim! Há uma proposta de estreitar o diálogo com os secretários e coordenadores de cultura dos municípios. Isso já ocorreu de uma forma muito positiva durante a operacionalização da Lei Aldir Blanc. Nos reunimos quase que semanalmente para trocar experiências como auxiliá-los na gestão dos recursos da lei. Atualmente, temos o contato de todos os responsáveis pela gestão da cultura no interior do Amazonas.

    Isso é fruto do trabalho do Governo do Amazonas de potencializar a cultura no interior. Assim que o quadro das novas prefeituras estiver configurado, vamos partir para uma conversa e juntos montar um plano para melhor colaboração e fortalecimento das manifestações culturais no interior, seja por meio das nossas atividades ou dando suporte aos projetos que lá já existem. Precisamos fazer isso juntos.

    ET: Parintins, por se caracterizar como uma cidade turística, viu um impacto bem maior com a pandemia, já que o cancelamento do Festival Folclórico de 2020 zerou o faturamento mais expressivo da cidade. Como deve ser o planejamento para recuperar essa perda na cultura, em 2021?

    MA: Em relação ao movimento cultural e artístico, Parintins até conseguiu de alguma forma manter seus artistas em movimento. A Lei Aldir Blanc também contemplou o município que recebeu um recurso de mais de R$ 700 mil. Foi a cidade que mais recebeu recursos, fora a capital, Manaus. Além disso, as lives promovidas por Caprichoso e Garantido, seja com apoio de patrocinadores, quanto do Governo, também ajudaram a minimizar esse momento. Claro que isso não representa metade do que o Festival Folclórico movimenta, principalmente em relação ao comércio do município.

    Mas, para 2021, já iniciamos conversas com os presidentes dos Bois, com os patrocinadores, com a prefeitura e demais profissionais envolvidos. É difícil falar de Parintins sem lembrar da perspectiva da pandemia. É um evento de grande porte, que recebe muitos turistas e ele depende desse movimento para ser grande. Mas estamos desenhando com carinho e atenção um planejamento para apoiar os Bumbás nessa retomada e fazer um festival de superação ao momento econômico e social que estamos vivendo. 

    ET: Há uma falta de atividades formativas e cursos para os artistas no Amazonas, em especial no setor audiovisual, tanto que muitos precisam sair do estado para realizar maiores especializações. Como a Secretaria de Cultura enxerga e pretende atuar nessa questão?

     

    Parintins se prepara para retomada do festival folclórico
    Parintins se prepara para retomada do festival folclórico | Foto: Arquivo EM TEMPO

    MA: Nós pretendemos atuar como articuladores e pensar junto com a classe, as demandas de formação que eles necessitam. Cabe a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa apoiar nesse processo, pois podemos em parceria com a sociedade civil e a classe provocar essa demanda a instituições como a Universidade do Estado do Amazonas e o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), por exemplo.

    Sabemos que na área de ensino é preciso que tenha uma demanda e, a partir daí, profissionais capacitados para atendê-la. Já há um diálogo aberto com o Cetam, sobre cursos de empreendedorismo e técnicos na área da cultura e precisamos firmar essa parceria e, também, um curso de aperfeiçoamento na área do audiovisual em parceria com a classe. São conversas iniciais que ainda precisam ganhar corpo, mas que já estão sendo desenvolvidas.

    Hoje temos um curso de Artes na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e os de Teatro, Dança e Música na Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Ambos são de graduação. Mas precisamos ampliar mais essa formação e qualificação na área.

    ET: Qual a verba da pasta e os projetos previstos para 2021?

    MA: 2021 também será um ano atípico. Ainda há muitas incertezas e mencionar qualquer atividade agora é precipitado, mas independentemente de qualquer cenário, vamos continuar trabalhando com o foco de potencializar a cultura no interior, dar continuidade a valorização do artista amazonense e implementar o Sistema Estadual de Cultura. Nossa gestão segue firme nessa narrativa.

    ET: Há a possibilidade de trabalho em conjunto com a Manauscult, ou já existe algum projeto que envolve essa parceria?

    MA: A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa está sempre aberta a parcerias. A relação com a atual gestão da Manauscult sempre foi harmônica e imagino que deva continuar assim com a próxima. Um exemplo foi a operacionalização da Lei Aldir Blanc, onde trabalhamos em conjunto com a Manauscult para a formatação dos editais. Qualquer parceria que beneficie o trabalhador da arte e da cultura do Amazonas será sempre bem-vinda.

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