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    Perdas


    Muito além de números: artistas amazonenses que a Covid-19 levou

    O cenário cultural amazonense chorou perdas inestimáveis na música, na literatura, na dança e em diversas áreas da arte

     

    O EM TEMPO presta homenagens e relembra a trajetória de alguns artistas do Amazonas
    O EM TEMPO presta homenagens e relembra a trajetória de alguns artistas do Amazonas | Foto: Giulliano Andrade

    Manaus – Ano marcado por perdas, 2020 tomou a vida de filhos, pais, mães, e entes queridos, entre eles, cantores, escritores, pintores, ou entusiastas da arte. Cada vítima de Covid-19 deixou uma marca única na cultura do Amazonas. O EM TEMPO presta homenagens e relembra a trajetória de alguns artistas que tiveram a jornada interrompida pela doença que assola o mundo.

    O Furacão do Boi

    De alegria contagiante e de um humor extraordinário, o cantor Klinger Araújo foi um dos nomes que virou legado no cenário cultural amazonense. O “Furacão do Boi”, como era conhecido, partiu aos 51 anos, vítima de Covid-19, em 29 de setembro.

    Com 50% dos pulmões comprometidos, Klinger Araújo ficou internado por duas semanas. Uma grande mobilização de orações pela recuperação do cantor foi feita pelas torcidas dos bois Garantido e Caprichoso, durante o período de doença.

     

    Klinger Araújo
    Klinger Araújo | Foto: Divulgação

    A última apresentação de Klinger Araújo, em Parintins, pelo boi Caprichoso, foi durante o Carnaboi 2020, onde comandou a Nação Azul e Branca e ainda foi homenageado no Carnailha, pelo bloco Fax Clube. 

    Como radialista, ele foi o pioneiro a tocar toadas de boi-bumbá nas emissoras da capital amazonense, evidenciando artistas e os bumbás de Parintins. Como artista, defendeu as duas cores e ainda representou o folclore amazonense em programas nacionais de TV. 

    Binho Lopes

    Segundo caso de morte por Covid-19 no Amazonas, o músico e proprietário da banda Joy, Robson Lopes, mais conhecido como Binho Lopes, de 43 anos, teve uma carreira bem-sucedida como tecladista, produtor, regente e professor de música.

     

    Binho Lopes
    Binho Lopes | Foto: Divulgação

    Ele foi internado apresentando grande acometimento pulmonar, com necessidade de manobras para melhorar a ventilação. A vítima faleceu no dia 30 de março, devido complicações da doença.

    Binho começou no meio musical em 1992, aos 16 anos, e atuou como tecladista para vários artistas do cenário gospel de renome regional e nacional, como Nelson Ned, Cristina Mel, Asaph Borba, Álvaro Tito, Armando Filho e Ozéias de Paula.

    No decorrer da carreira participou da banda base do Festival da Canção de Itacoatiara (Fecani), em 1998, e entrou fazendo os primeiros acordes da música tema do evento. No mesmo período, ele ingressou no mercado de bandas de baile de Manaus com a Cocktail, lembrada até hoje como uma das melhores bandas de baile da capital amazonense.

    Ana Peixoto

     

    Ana Peixoto
    Ana Peixoto | Foto: Marinho Ramos

    Aos 69 anos, a escritora amazonense Ana Maria Souza Peixoto deixou cinco filhos, - três biológicos e dois de coração - sete netos e uma trajetória importante na literatura amazonense. Na manhã de 10 de setembro, ela não resistiu às complicações da Covid-19, e faleceu.

    Licenciada em Filosofia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Ana era professora aposentada e se dedicava, desde 2004, à literatura infanto-juvenil, com o lançamento do livro “Quintal, um lugar para ser feliz”, que deu início à série “Coisas da Ana”.

    Ana também realizava contação de histórias para crianças em escolas e instituições assistenciais, e sempre buscava novos leitores com participação em feiras e eventos literários, inclusivo no interior do Amazonas.

    Ulysses “Boca”

     

    Ulysses Marcondes
    Ulysses Marcondes | Foto: Divulgação

    A morte prematura de Ulysses Paulo de Athayde Marcondes, Uly para os colegas de trabalho da Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) e “Boca” para os parceiros do skate, decretou luto oficial em Manaus.

    Aos 46 anos, Ulysses não resistiu às complicações causadas pela Covid-19 e morreu após mais de 20 dias internado, em 7 de dezembro. Além de jornalista, Ulysses também dedicou a vida ao esporte. O skate era uma grande paixão, como prática e como atividade social e empreendedora.

    "Boca" foi mentor do projeto de construção do Skate Park, construído no parque municipal Ponte dos Bilhares, entre tantas outras ações para disseminar a modalidade e a cultura hip-hop. Como homenagem, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, deu o nome de Ulysses ao parque.

    Mandrake

     

    Mandrake
    Mandrake | Foto: divulgação

    Conhecido como um dos mais importantes produtores culturais do cenário do rock em Manaus, Douglas Mandrake morreu aos 48 anos, por complicações da Covid-19.

    Amigos e admiradores de Mandrake declararam luto pelo cenário musical amazonense e homenagearam a forte atuação do produtor cultural, relembrando a peça primordial que ele foi no rock manauara.

    Com reconhecimento nacional, Mandrake foi responsável por contribuir com bandas de garagens e organizar diversos eventos de grande porte do cenário manauara.

    Mestre China

     

    | Foto: Divulgação

    O mestre de bateria e ativista cultural Paulo Santos, mais conhecido como Mestre China, escreveu uma bela história no carnaval amazonense, que teve o capítulo final no dia 10 de maio, quando ele morreu aos 55 anos de idade, vítima de Covid-19.

    Mestre China deixou uma grande contribuição para as Escolas de Samba de Manaus, especialmente nos Unidos do Alvorada, Mocidade Independente do Coroado e Tradição Leste, da qual era vice-presidente.

    Em 2017, China realizou o feito de levar o boi bumbá Carinhoso para disputar a principal categoria do Festival Folclórico do Amazonas. Além do samba e do boi bumbá, ele também promoveu quadrilhas e danças folclóricas nos grandes palcos da capital.

    Pássaro dos Andes

     

    Erik David
    Erik David | Foto: Divulgação

    Apelidado de condor, um pássaro dos Andes, Erik David fez parte do quadro de coreógrafos do bumbá azul e branco até 2016. O artista faleceu em 13 de dezembro, vítima de Covid-19.

    Trabalhando ao lado de personalidades como Maria Azedo (cunhã-poranga), Brena Dianná (rainha do folclore), Jeane Benoliel (cunhã e porta-estandarte), Thainá Valente (sinhazinha) e Rayssa Tupinambá (porta-estandarte), ele era considerado um dos mais brilhantes coreógrafos do Caprichoso.

    Outras perdas de 2020

    Poeta da Amazônia

     

    Emerson Maia
    Emerson Maia | Foto: Divulgação

    "O índio chorou, o branco chorou. Todo mundo está chorando". Dessa vez o choro não é pela Amazônia que está queimando, mas pela perda inestimável de uma das grandes vozes da floresta. O poeta Emerson Maia morreu, aos 66 anos, na madrugada de 14 de agosto.

    Emerson Maia foi um dos grandes compositores do Festival Folclórico de Parintins. Dono de toadas que marcaram gerações. A causa da morte não foi divulgada, mas o poeta lutava há meses contra uma tuberculose que afetou o fígado.

    De acordo com informações divulgadas pela Associação folclórica do Garantido, Emerson estava com um quadro de cirrose agravada onde apenas um transplante de fígado poderia aumentar a expectativa de vida.

    Emerson Maia foi autor de toadas clássicas do Festival Folclórico de Parintins, como Lamento de raça, Rio Amazonas e Pura Harmonia.

    Badú Faria

     

    Badú Faria
    Badú Faria | Foto: Divulgação

    O ex-presidente do Boi Garantido, Emanoel Faria, conhecido como "Badú", morreu aos 86 anos, no dia 21 de junho. Ele participou por mais de 50 anos da Batucada do Boi do Povão.

    Badú Faria foi um ilustre e histórico batuqueiro, que contagiava a nação encarnada, além de ter sido amigo do fundador do boi Garantido, Lindolfo Monteverde, padrinho e torcedor apaixonado pelo bumbá da Baixa do São José.

    Mustafá Said

    Mustafá Said
    Mustafá Said | Foto: Divulgação


    O intérprete Mustafá Said, conhecido como ''Gigante do Bolero'' nas casas noturnas de Manaus, morreu aos 48 anos na manhã de 27 de outubro. De acordo com familiares, ele faleceu dormindo por uma parada cardíaca.

    Natural de Pauini (distante 924 quilômetros de Manaus), Mustafá Said causou luto em toda classe artística amazonense.

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