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    Audiovisual


    ‘Itacoatiaras’ do Amazonas e Rio de Janeiro inspiram artes visuais

    As duas localidades com o mesmo nome, no Amazonas e no Rio de Janeiro, inspiraram uma média-metragem e uma exposição de artes visuais

     

    Dois pontos do Brasil apresentam o mesmo nome, Itacoatiara
    Dois pontos do Brasil apresentam o mesmo nome, Itacoatiara | Foto: Divulgação

    Manaus – Duas Itacoatiaras, uma localizada às margens do Rio Amazonas, e outra em frente ao Oceano Atlântico, no Rio de Janeiro, inspiraram uma média-metragem e uma exposição de artes visuais, ambas produzidas pela proponente Cris Ferreira, em parceria com os cineastas amazonenses Sérgio Andrade e Henrique Amud, e com a artista visual carioca Patricia Gouvêa.

    A proposta de “Itacoatiaras”, que está em fase de produção, de acordo com Ferreira, é realizar um levantamento de dados e pesquisa, além do roteiro, que revele os contrastes entre os dois pontos do Brasil, distantes por milhares de quilômetros – exatamente 4.594,8 – o que poderia ser percorrido em 63 horas de uma viagem rodoviária hipotética.

    Enquanto no Amazonas, a Itacoatiara é a “Pedra Pintada”, que carrega a história da época áurea do ciclo da borracha, no Rio de Janeiro, a praia que carrega o nome é palco de torneios de surf e bodyboarding.

     

    Itacoatiara do Amazonas
    Itacoatiara do Amazonas | Foto: Divulgação

    “A Itacoatiara do Amazonas nos fala da colonização e da ocupação amazônica, de um mundo outrora remoto, que mistura lendas dos povos originários com a economia do estado. Já a Itacoatiara do Rio de Janeiro mistura um pouco do tempo elástico dos habitantes tradicionais do litoral e a cultura do surf”, explicou a proponente, conhecedora dos dois pontos.

    Uma das cidades mais antigas do Amazonas, Itacoatiara também mostra pontos históricos, como a Avenida Parque, cartão postal da localidade. O visual teve início em 1928, através do primeiro prefeito da cidade, Isaac José Peres, que tomou como referência a charmosa avenida parisiense Champs Elysées. Este é apenas um dos fatos que ganham destaque nos projetos visuais.

    Elaboração do projeto

    Cris Ferreira convidou dois amigos, Patricia e Sérgio, para pôr em prática o projeto “Itacoatiaras”. Via imagens e sons, a proposta envolve histórias de infância, memórias, arquivos e personagens que fazem parte de um imaginário comum.

     

    Túnel Verde da Avenida Parque
    Túnel Verde da Avenida Parque | Foto: Divulgação

    Patricia Gouvêa, ao lado de Sérgio Andrade, colabora com o roteiro e direção do projeto, sendo a primeira experiência da artista no audiovisual. “Creio que será uma oportunidade para pesquisar e trazer à tona a matriz ancestral indígena no Amazonas e no Rio. Pessoalmente, coincide com um interesse pessoal em encontrar a ancestralidade da minha família”, contou.

    O projeto também inclui o desenho expográfico para uma exposição, além do material para a média-metragem. Para Gouvêa, esse formato instalativo é uma grande atração.

    “Esperamos poder atrair o interesse de instituições culturais para realizarmos esta parte do projeto. Me fascina pensar nisso”, afirmou a fotógrafa.

    Sérgio Andrade, contribuindo com o roteiro e co-dirigindo o projeto com Patricia Gouvêa, admira a dualidade exposta na arte. “Patrícia tem uma história pessoal com a Itacoatiara do Rio, e eu, sendo daqui e trabalhando com cinema, podemos concretizar com a proposta da Cristina, nosso sonho de unir essas duas localidades homônimas e que falam tanto do Brasil e suas origens”.

     

    Itacoatiara é uma das cidades mais antigas do Amazonas
    Itacoatiara é uma das cidades mais antigas do Amazonas | Foto: Divulgação

    A convite da proponente, Henrique Amud também colabora com a produção de “Itacoatiaras”. “É um prazer ajudar um projeto instigante, de dois artistas que eu admiro, a sair do papel, principalmente no meio de tantas adversidades que vivemos hoje em dia, dentro e fora do setor cultural”, ressaltou.

    Acessibilidade

    O projeto “Itacoatiaras” também pretende se adaptar a diversos públicos, incluindo recursos de legendagem, legendagem descritiva, áudio-descrição e libras. São medidas que buscam tornar o audiovisual acessível, de acordo com a idealizadora.

    “Temos ideias de tornar a experiência das duas Itacoatiaras vívidas e memoráveis, registrando o som típico dos lugares e atraindo o público deficiente visual. Queremos o ruído da linguagem corporal e os estados emocionais ao máximo captados por som”, revelou.

    Prazos para execução

     

    Visão da praia de Itacoatiara, no Rio de Janeiro
    Visão da praia de Itacoatiara, no Rio de Janeiro | Foto: Divulgação

    A situação pandêmica do Brasil e do Amazonas também gerou observações dos cineastas. Amud levou os holofotes à questão dos prazos de execução dos editais de fomento à cultura, como o Prêmio Feliciano Lana, onde o projeto foi contemplado.

    “Boa parte das propostas culturais precisam de tempo e de contato humano para realizar as suas fases de pesquisa, pré-produção, produção e finalização. Com tudo isso em mente, é notório que precisamos de um adiamento urgente no prazo de execução e entregas do edital, para manter a segurança de toda uma rede de técnicos, realizadores, fornecedores e do público em geral”, revelou.

    O cineasta Sérgio Andrade reforçou a questão, ressaltando a importância da realização dos projetos em um prazo maior que o estipulado. “Com o agravamento da situação de Covid-19 no estado, é complicado termos que nos expor para cumprir essas datas, não só nós, mas todos os outros projetos”, finalizou.

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