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    Cidade Invisível


    Garantido e Caprichoso recordam apresentações sobre lendas amazônicas

    Com o sucesso da série "Cidade Invisível", os bumbás Garantido e Caprichoso relembram momentos das apresentações sobre as Lendas Amazônicas no Festival de Parintins

     

    Item artístico de número 17, a Lenda Amazônica ilustra a cultura e o folclore de um povo
    Item artístico de número 17, a Lenda Amazônica ilustra a cultura e o folclore de um povo | Foto: Divulgação

    Parintins (AM) – O folclore brasileiro entrou os holofotes mundiais com o lançamento da série “Cidade Invisível” na Netflix, que traz criaturas mitológicas como o Boto Cor-de-rosa, o Curupira e o Saci-Pererê com novos olhares. Essas figuras e muitas outras também fazem aparições anuais no Festival Folclórico de Parintins, e os bumbás Garantido e Caprichoso relembram os momentos em uma retrospectiva com o EM TEMPO.

    Item artístico de número 17, a Lenda Amazônica ilustra a cultura e o folclore de um povo, sempre exaltando o imaginário caboclo e indígena em espetáculos na arena.

    Um dos quadros que mais apelam para a criatividade e encenação, seres fantásticos como a Cobra Grande e a Iara criam vida a partir de toadas, que transportam o público pelos mistérios que cercam a lenda.

    O jornalista e compositor Mencius Melo, da Comissão de Arte do Garantido, citou as lendas do Mapinguari, Ipupiara e Curupira como momentos que levantaram a Galera Vermelha e Branca. “Foram muito bem executadas na arena. Desde que o Festival Folclórico de Parintins foi criado, esse item sempre é muito bonito”, afirmou.

     

    A lenda do Curupira animou a Arena
    A lenda do Curupira animou a Arena | Foto: Divulgação
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    O Festival Folclórico de Parintins talvez seja a maior leitura das lendas brasileiras e do folclore brasileiro que você tenha a nível de eventos sociais do país. Nem o Carnaval enaltece tanto esse folclore quanto o festival, e isso preserva muito a nossa cultura popular "

    Mencius Melo, jornalista e compositor

     

    Conforme relembrou Melo, o Ipupiara - também chamado de homem-marinho - é outro personagem amazônico que fez uma aparição nas telonas, em “A Forma da Água”.

    “No filme, as características são semelhantes ao Ipupiara, uma entidade que cura e que protege os rios. Para mim, uma das melhores lendas que o Garantido apresentou no festival”, disse. O “homem-marinho” pisou na Arena em 2017.

    Com a toada “Curupira da Amazônia” interpretada por Sebastião Júnior - que também integra a playlist “Cidade Invisível: Lendas do Folclore Brasileiro”, lançada pelo Garantido em referência à série da Netflix – a alegoria de 27 metros do menino de cabelos de fogo marcou o festival de 2019.

    “Essas lendas são colocadas em um contexto que cabe ao discurso de cada boi. No caso do Garantido, quando falamos de preservação da Amazônia, o Curupira é recorrente”, explicou Mencius Melo.

     

    Curupira em Cidade Invisível
    Curupira em Cidade Invisível | Foto: Divulgação

    Em Cidade Invisível, o ator Fábio Lago interpreta Iberê, o Curupira. Na série, o personagem é um morador de rua que está sempre bêbado, e que assume a forma da lenda - com o corpo queimado e fogo no lugar dos cabelos - nos episódios finais.

    Interpretações

    Já as Lendas Amazônicas que mais encantaram os torcedores do Caprichoso, de acordo com o presidente do Conselho de Arte do boi-bumbá, Ericky Nakanome, foram “As Princesas Turcas Encantadas na Amazônia”, em 2019 e “Sissa – Uma história de amor”, em 2018.

    Do artista Márcio Gonçalves, a viagem das três filhas do sultão turco Toy Darsalam, Mariana, Erundina e Toya Jarina, revelou o reino de Aruanda, onde habitam “As Princesas Turcas Encantadas na Amazônia”.

     

    A lenda "Sissa - Uma história de amor"
    A lenda "Sissa - Uma história de amor" | Foto: Divulgação

    O momento acompanhou a época das cruzadas cristãs em Jerusalém, que atravessaram um portal místico no estreito de Gibraltar e despertaram a Encantaria na Amazônia.

    A lenda “Sissa - Uma história de amor” levou as três notas 10 no item 17, e remonta a história de Sissa e Kitz, que, prestes a se casar, foram surpreendidos com a chegada de navegadores espanhóis.

    Com um bloco musical animado, a narrativa da lenda foi construída nos versos da toada, e o amor foi eternizado na Arena.

     

    | Foto: Divulgação

    Na série, o mote que a Netflix está usando para promover Cidade invisível é “E se as lendas brasileiras fossem reais?”. O espectador estrangeiro que nunca ouviu falar nas lendas do folclore pode ter que fazer algum esforço para entender os “super-poderes” dos personagens. Mas o contexto da série é universal, e isso facilita a comunicação.

    Para os brasileiros, a conexão é imediata, ainda que, como narrativa, a série não traga nenhuma grande inovação. É o velho jogo de gato e rato, bem contra o mal, opressor contra oprimido. Mas já saturado com diferentes versões de vampiros, demônios e toda sorte de monstros, o espectador poderá dar as boas-vindas às entidades fantásticas que falam a nossa língua.

    Vídeo do Garantido sobre a lenda do Curupira

     

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