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    Literatura


    Amazonense publica livro em francês sobre visão do Brasil no exterior

    Beatriz Mascarenhas, fundadora do grupo Mona Coletiva das Artes, escreveu o primeiro livro solo que foi publicado em Mali, na África

     

    Segundo a autora, o livro é um longo poema que fala da situação do Brasil sob um olhar de quem saiu do país
    Segundo a autora, o livro é um longo poema que fala da situação do Brasil sob um olhar de quem saiu do país | Foto: Divulgação

    Manaus – “Bête”, que pode ser traduzido em português como “Bicho”, é o nome do lançamento da amazonense Beatriz Mascarenhas, publicado no início do ano na África, em francês, e ainda sem previsão para publicação no Brasil. 

    Segundo a autora, o livro é um longo poema que fala da situação do Brasil sob um olhar de quem saiu do país. “Quando eu cheguei na França, comecei esse observatório poético, como chamo, das diferentes realidades no Brasil e na Europa, além de observar a vida dos imigrantes que aqui vivem”, disse. 

    Esse processo de escuta e escrita resultou no livro “Bête”, que também conta a história das raízes e da família Mascarenhas. “São histórias que minha vó repete incansavelmente e outras que sabemos, mas que não falamos muito sobre. Falo, por exemplo, da morte da minha avó e da minha bisavó. A realidade dura que passaram meus familiares e as camadas de construção para que eu parasse aqui, hoje”, contou a amazonense. 

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    Sobre a família, falo também dos meus irmãos e de nossos laços, da minha esposa, meus pais e minha sogra. Uma forma de manter o livro vivo com aqueles que estão comigo "

    Beatriz Mascarenhas, escritora, atriz, roteirista e pesquisadora

     

    A escritora compartilha que a ligação afetiva é tão forte, que a capa foi produzida pelo próprio pai, o quadrinista Romahs Mascarenhas. Nela, o artista retratou um bem-te-vi com uma lula no bico, em uma intencional inversão de tamanhos. Segundo Beatriz, o bem-te-vi foi escolhido pelas características amazônicas, e a lula por ser um bicho que observa na França.

    Beatriz Mascarenhas também descreveu que a experiência de escrever “Bicho” foi uma catarse. “Havia dias que eu escrevia em transe, muitos dos dias foi assim, os dedos não paravam de digitar e eu arfava. Foi intenso e extremamente prazeroso ver o resultado”, relatou.

    Publicação

     

    Capa de "Bicho"
    Capa de "Bicho" | Foto: Romahs Mascarenhas

    O manuscrito foi apresentado ao escritor Ismaila Samba Traoré, dono da editora La Sahélienne, que abraçou a ideia e preparou a publicação. A tradução foi trabalho de Fábio de Melo e Philippe Caron.

    “Eu o encontrei aqui na França após ele palestrar na minha universidade e falei para ele sobre Bicho. Ele foi muito receptivo, pediu que eu mandasse o manuscrito e enviei. Meses depois, ele me informou que a comissão de leitura tinha aceitado publicar Bicho em francês, através da sua editora”, afirmou a amazonense. 

    Bête é a primeira publicação solo de Beatriz Mascarenhas e aconteceu no Mali, na África, sede da editora. O livro ficará à venda on-line, em francês, e também em uma série de livrarias, bibliotecas e universidades na África e na França.

    “Mali é um país com uma cultura literária muito forte, com bienais, feiras e autores incríveis. Foi uma honra para mim ser publicada nesse país com o aceite de uma grande editora”, agradeceu a escritora.

    Após essa primeira conquista, a amazonense espera publicar o livro novamente, dessa vez, por uma editora brasileira. “É muito importante para mim publicar no meu país, com a minha língua para falar com a minha gente. Bicho é sobre amor, cultura e sobrevivência. Bichos, somos todos, em qualquer lugar do mundo”. 

    Sobre a autora

     

    Bête é a primeira publicação solo de Beatriz Mascarenhas
    Bête é a primeira publicação solo de Beatriz Mascarenhas | Foto: Divulgação

    Beatriz Mascarenhas é atriz, roteirista, dramaturga, escritora e pesquisadora. Fundadora do grupo Mona Coletiva das Artes que atua com artes cênicas na cidade de Manaus, Espanha e França desde 2016.

    É roteirista dos Estúdios Mauricio de Sousa Produções desde 2020. Participou de antologias literárias desde 2012 e, em 2020, publica o primeiro livro na França e no Mali, África, o poema político Bête.

    Como atriz, Beatriz já atuou em diversas peças na cidade de Manaus, como “Agreste”, “Akangatu” e “A ver estrelas”. É formada em Letras pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com Mestrado em Literatura pela UFAM e graduada em Gestão Cultural pela Université Aix Marseille, na França.

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