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    ARTE NA PANDEMIA


    Com a pandemia, teatro leva a magia dos palcos para as telas

    Companhias e escolas de teatro tiveram que se readaptar durante a pandemia com espetáculos on-line

     

    Peças em Manaus foram feitas respeitando o isolamento, usando a casa como cenário
    Peças em Manaus foram feitas respeitando o isolamento, usando a casa como cenário | Foto: Reprodução/MeVer

    Manaus - O setor cultural foi um dos grandes afetados pela pandemia da Covid-19. A classe sofreu com a ausência do público e a impossibilidade de realizar eventos presenciais por conta das aglomerações. A alternativa encontrada foi seguir para o meio on-line, como muitas companhias de teatro fizeram na capital amazonense.

    O primeiro deles foi o Grupo Jurubebas de Teatro. Eles tinham uma extensa agenda de apresentações fora do Amazonas, mas tiveram que mudar completamente os planos devido à pandemia. “O maior susto foi ver que o que achávamos que duraria apenas um mês foi se prolongando por mais meses e hoje estamos há 1 ano vivenciando esse momento pandêmico”, afirma Felipe Jatobá, o diretor geral e produtor cultural do grupo.

     

    Grupo remodelou toda a peça para ser exibida de forma virtual
    Grupo remodelou toda a peça para ser exibida de forma virtual | Foto: Divulgação/Grupo Jurubebas

    Com o passar do tempo e esse prolongar da pandemia, os atores tiveram que pensar em novas alternativas para ganhar alguma renda, pois dependem da arte. Momento este em que surgiu a solução através do teatro virtual e festivais que incentivavam a modalidade.

    “Em agosto de 2020 realizamos a estreia do espetáculo “E Nós Que Amávamos Tanto A Revolução” e dois meses de temporada no canal do grupo no YouTube, com apresentação ao vivo direto do palco, mas sem plateia”, conta. Isso se repetiu para as estreias e produções do grupo durante o ano todo. Em 2020 foram realizadas apresentações virtuais de 4 espetáculos do nosso repertório, todos inéditos.

     

    Espetáculo 'E Nós Que Amávamos Tanto a Revolução' foi apresentado através do Youtube
    Espetáculo 'E Nós Que Amávamos Tanto a Revolução' foi apresentado através do Youtube | Foto: Divulgação/Grupo Jurubebas

    Ainda segundo o Grupo Jurubebas de Teatro, essa nova forma de fazer arte através da internet possibilitou um maior contato com o público, pois foram capazes de ler cada depoimento, mensagens de carinho, apoio e conforto.

    A arte de educar

    Para uma forma de arte que está familiarizada com o contato e o calor humano, ter de ficar isolado e distante de todos é um grande desafio. Para alunos do curso de teatro da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) não foi diferente, mesmo com inúmeras alternativas criadas pela universidade e seus professores para a continuidade do ensino.

    Segundo a professora Gislaine Pozetti, o desafio se deu justamente pela ausência da forma de ensino tão acolhedora já conhecida pelos alunos antes da pandemia, “À medida em que a pandemia avançava, a preocupação era com os alunos. Primeiro sobre as condições físicas, depois as psicológicas, financeiras e, depois ainda, os estudos”, conta. Mesmo depois do início das aulas remotas, a grande dificuldade era as aulas práticas do curso.

     

    Professores, como Gislaine, tiveram que encontrar alternativas para continuar ensinando
    Professores, como Gislaine, tiveram que encontrar alternativas para continuar ensinando | Foto: Divulgação

    Para isso, professores entraram em contato com o portal Me Ver, responsável por apresentar espetáculos através de plataformas digitais, criando assim a peça ‘Roque Severino: todo dia morre gente que nem vivia’.

    “Surgiu da necessidade de continuarmos trabalhando, estudando e também de acolhermos nossos alunos, alguns com perdas de parentes muito próximos, dentro das próprias casas, então sentimos que produzir um espetáculo seria uma forma de estarmos acompanhando diariamente cada um deles”, relembra Pozetti.

     

    Alunos tiveram que improvisar cenários e figurinos em casa
    Alunos tiveram que improvisar cenários e figurinos em casa | Foto: Divulgação

    Toda a produção do espetáculo foi feita cumprindo o isolamento, usando a casa de cada aluno como cenário. “Fazer o espetáculo de forma presencial foi um desafio de experimentação e construção, pois tivemos que repensar a cenografia, a iluminação e o uso do palco ou espaço não convencional (casa)”, conta a acadêmica Jade Cascais.

     

    Alunos produziram todo o projeto respeitando o isolamento social
    Alunos produziram todo o projeto respeitando o isolamento social | Foto: Divulgação

    Para outros alunos que participaram do projeto, isto abre portas para uma nova forma de fazer arte. “Já está em ascensão”, afirma a aluna Renata da Silva, que também participou do espetáculo.

    “Em 2020, no começo de abril, teve o Festival Pan e agora em 2021 temos um Festival de teatro em miniatura totalmente on-line, ou seja, a tendência é as apresentações nesse formato se popularizarem”, afirma.

    Aulas palcos e agora nas telas

    A Casa de Artes Trilhares é bastante conhecida no meio artístico por seus cursos e aulas voltadas para todos os públicos, além do incentivo ao teatro. No entanto, assim como muitos outros grupos e companhias, sofreu com a pandemia e teve de se remodelar.

     

    Casa de Artes Trilhares  atua no mercado de ensino de artes há seis anos
    Casa de Artes Trilhares atua no mercado de ensino de artes há seis anos | Foto: Divulgação

    De acordo com a diretora e produtora cultural da Casa, Rafaela Margarido, o espaço suspendeu todas as suas aulas durante a primeira onda de casos de Covid-19 no Amazonas, em abril. Pouco tempo depois, já entre dificuldades financeiras e internas, lançou a campanha virtual ‘Trilhares em Casa’, como uma espécie de teste para as aulas on-line, retornando de vez nesse formato em maio.

    “Fizemos empréstimos para não fechar, tivemos que mudar de local no meio da pandemia. Foi uma montanha russa de sentimentos, uma loucura”, relembra.

     

    'Trilhares em Casa' foi a melhor opção na época para manter os trabalhos e o ensino
    'Trilhares em Casa' foi a melhor opção na época para manter os trabalhos e o ensino | Foto: Divulgação

    Como a primeira experiência do formato virtual em 2020, a Casa ganhou a confiança dos alunos e, agora em 2021, além do conteúdo programático tradicional, traz intercâmbio com artistas nacionais e a Teatroterapia.

    “A arte é uma grande ferramenta de transformação e no momento em que estamos isolados a ansiedade e outras doenças emocionais são desencadeadas e dentro da nossa proposta, essa rede de apoio é extremamente necessária”, conta Margarido.

    Sobre o futuro desse novo modelo de espetáculos, ensino e aprendizado, Rafaela foi capaz de concentrar o posicionamento de todos os entrevistados desta reportagem em uma só frase, “O artista tem esse lugar de criar, se reinventar e resistir e é isso que artistas de Manaus e do Brasil inteiro estão se movimentando para fazer e estamos fazendo muito bem”, diz junto à crença de que dias melhores de fato virão.

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