Fonte: OpenWeather

    Adiamento


    Parintins sem Festival Folclórico: bumbás sustentam decisão de adiar

    Após o Festival Folclórico de Parintins ser adiado em 2020, a esperança era que neste ano, a cidade pudesse superar a perda. No entanto, os presidentes das associações são categóricos: não há clima

     

    Garantido e Caprichoso apoiam o adiamento do Festival Folclórico de Parintins
    Garantido e Caprichoso apoiam o adiamento do Festival Folclórico de Parintins | Foto: Divulgação

    PARINTINS (AM) Pelo segundo ano consecutivo, o Festival Folclórico de Parintins deve ser adiado e ambos os presidentes do Garantido e do Caprichoso, em um momento onde o Amazonas prevê a terceira onda da Covid-19, concordam em um ponto: adiar é uma ação necessária.

    A 55ª edição do evento, que estava com data marcada para os dias 25, 26 e 27 de junho de 2021, já havia sido adiada no ano anterior. Em nota enviada ao EM TEMPO, o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, confirmou que o diálogo com os bumbás aponta, novamente, para a não realização do festival.

    O EM TEMPO também conversou com a presidência das associações culturais para medir o impacto da decisão. Em 2020, a notícia sobre o adiamento foi recebida de forma negativa pelos bumbás. O argumento era que o Festival Folclórico de Parintins seria crucial para a economia do estado.

     

    Evento reúne um grande público todos os anos
    Evento reúne um grande público todos os anos | Foto: Michael Dantas/SEC

    No entanto, um ano depois e frente ao cenário de perdas que a pandemia causou no Brasil, com mais de 10 mil vidas perdidas para a Covid-19 somente no Amazonas, o discurso é diferente.

     

    “A pandemia continua ceifando muitas vidas. Ainda não conseguimos fazer o nosso cotidiano voltar ao normal. Com isso, uma festa de grande porte, a maior festa do estado do Amazonas, é inviável de acontecer nos formatos tradicionais”, ressaltou o presidente do Caprichoso, Jender Lobato, ao EM TEMPO.

    "

    Está muito claro que não há como acontecer o Festival Folclórico de Parintins da forma tradicional "

    Jender Lobato, presidente do Caprichoso

     

    O presidente do Garantido, Antônio Andrade, seguiu com a mesma fala, sem desconsiderar o auxílio que deve ser dado para os profissionais envolvidos no evento.

    “Seria uma loucura fazer o Festival Folclórico de Parintins. Iríamos colocar em risco muitas pessoas e isso pode terminar em uma tragédia, mas ele representa hoje cerca de 70% a 75% do PIB de Parintins”, disse.

    “O turismo que acontece na cidade é muito relacionado ao evento e essa cultura também é essencial. Como ficamos ano passado, e provavelmente esse ano de novo sem o Festival, o prejuízo é enorme”, continuou o presidente.

     

    Segundo levantamento do Departamento de Estatística da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), de 2005 a 2018, o evento injetou R$ 426 milhões na economia local. Em cada edição, é movimentado um valor de R$ 50 a R$ 80 milhões.

    A Secretaria de Cultura assegurou, se o Festival realmente não for promovido, que será realizada uma ação para que os artistas e as pessoas que contribuem com o evento não fiquem desassistidos.

     

    Festival movimenta a economia do Amazonas em milhões
    Festival movimenta a economia do Amazonas em milhões | Foto: Divulgação

    “Estamos em uma situação muito grave em relação aos trabalhadores da cultura em Parintins. Pois quem trabalha com cultura, vive de cultura. Esses profissionais precisam ser olhados nesse momento de crise, não podem ser deixados para último plano”, declarou o presidente do Garantido.

    Alternativa

    Em 2020, quando o Festival Folclórico de Parintins foi adiado pela primeira vez na história, a alternativa simbólica que a organização planejou para marcar os dias em que ocorreriam o evento – no último fim de semana de junho – foi realizar uma live.

    A alternativa discutida neste ano pelo bumbás, no entanto, é voltada para a economia. Como no ano passado, outro formato deve ser adotado para superar a perda de quem trabalha direta ou indiretamente no evento.

     

    Em 2020, festival ocorreu de forma on-line
    Em 2020, festival ocorreu de forma on-line | Foto: Divulgação

    “O que pensamos em fazer, é algo em outro formato que gere renda para essas pessoas que trabalham na cultura. Algo que elas consigam fazer de casa, sem se colocar em risco. Mas é importante que haja uma política emergencial para isso. Precisa ter vacina para que possamos trabalhar ou precisa ter auxílio emergencial para que possamos ficar em casa”, defendeu Antônio Andrade.

     

    Apesar da turbulência, a esperança de dias melhores acompanha toda a torcida do Festival. “O certo é que vamos encontrar um caminho para resolver tudo da melhor forma. Já temos esse diálogo com o secretário de cultura, e esperamos achar uma alternativa, respeitando o momento de pandemia”, finalizou Jender Lobato. 

    Leia mais:

    Boi Caprichoso apresenta projetos ao prefeito de Parintins

    Garantido cria playlist com toadas sobre lendas do folclore

    Garantido e Caprichoso recordam apresentações sobre lendas amazônicas