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    História


    Cinemas de rua mantém viva memória no Centro Histórico de Manaus

    O Cine Casarão é destaque como opção de entretenimento para quem busca obras independentes e fora do circuito comercial

     

    | Foto: Divulgação

    MANAUS – O que os cinemas de rua tinham que os cinemas de shopping não têm? Na capital amazonense, o Centro Histórico de Manaus abrigava um show de luzes, câmeras e ação em meio à rotina da cidade. Com o passar dos anos, no entanto, esse movimento diminuiu, e, hoje, quase cessou.

    Poucos são os lugares que ainda mantêm essa tradição. Entre eles, o Cine Casarão é destaque, como uma opção de entretenimento para quem busca obras independentes e fora do circuito comercial. O Cineteatro Guebes Medeiros também abriga, eventualmente e de forma gratuita, sessões de cinema com filmes europeus.

    Outro desses pontos que preservam a memória cinematográfica do Centro Histórico de Manaus é o Cineteatro Guarany, nomeado em homenagem a um dos principais cinemas de rua da Paris dos Trópicos no século XX. O projeto cênico, inspirado na antiga casa de cinema, é palco de estreias de filmes e documentários amazonenses.

     

    Mas, apesar desses locais serem exceção à regra dos cinemas de Manaus, ainda mantém a magia da experiência do que era um local de encontro entre amigos e namorados. “Era uma outra relação com o cinema. Algo que ia além de somente assistir a um filme”, relembrou o amazonense Humberto Araken, de 69 anos, sobre o auge da própria juventude.

    Importância histórica

    O professor Antônio José Vale da Costa, conhecido como “Tomzé”, que dedicou mais de 30 anos como docente na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e fundou o Cine & Vídeo Tarumã, citou a importância histórica e cultural que esse formato representou para o Amazonas.

    “Foi como a população passou a acompanhar o que o cinema propunha. As pessoas ia m, acompanhavam e lotavam os cinemas. Imagine só, hoje, um cinema com quase mil pessoas dentro de uma sala. Não há mais. Além de prestigiar o cinema, esse formato congregava a população”, disse, sem esconder a paixão que sente por essa arte.

    A opção de entretenimento também coincidiu com o período em que a televisão não havia se popularizado, de acordo com o professor. “Nós não tínhamos concorrência da televisão, da internet, nada. Então era algo muito centrado, e chegou até a espalhar os cinemas pelos bairros de Manaus”, comentou. Depois, a difusão da TV foi o que enfraqueceu os cinemas de rua.

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    O que temos agora são as experiências como o Cine Casarão, pequenas, direcionadas para o cinema alternativo, mais artístico e menos comercial. Alguns países ainda conservam o cinema de rua por causa da tradição, mas aqui no Brasil, não temos tradição nenhuma "

    Antônio José Vale da Costa, professor

     

    Diferencial

    “O que temos agora são as experiências como o Cine Casarão, pequenas, direcionadas para o cinema alternativo, mais artístico e menos comercial. Alguns países ainda conservam o cinema de rua por causa da tradição, mas, aqui no Brasil, não temos tradição nenhuma”, Antônio José Vale da Costa, professor.

    Mesmo com esse ponto positivo para o cinema de rua, o que mais contou para a prevalência do novo formato foi a adaptação. “É uma situação nacional e talvez, até mesmo internacional. É uma tendência levar o entretenimento para onde está o comércio, nesse momento, nos shoppings, movimentando milhões”, explicou o professor "Tomzé".

     

    “Ou seja, o fato de os cinemas estarem nas ruas, era pelo comércio também estar nas ruas. Hoje, está tudo muito espalhado e o comércio no Centro reduziu muito. É difícil ter alguma atividade quando a noite chega. Aqui em Manaus, a tendência foi essa”, finalizou.

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