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    Grafitti caboclo


    Grafiteiros querem levar o 'homem amazônico' para outros estados

    A temática abordada na obra busca inspirações no Rio Amazonas, trazendo seres que vivem no rio, como peixes caraterísticos da região amazônica

     

    Dupla Curumiz entrega maior mural de grafitti do Baixo Amazonas
    Dupla Curumiz entrega maior mural de grafitti do Baixo Amazonas | Foto: Divulgação

    Parintins -  Um Aquário Amazônico. Essa foi a proposta dos artistas Curumiz Kemerson Freitas e Alziney Pereira ao realizar o maior mural de graffiti do Baixo Amazonas. A temática abordada na obra busca inspirações no Rio Amazonas, trazendo seres que vivem no rio, como peixes característicos da região amazônica.

    Os artistas levaram para o mural uma poética que usa o híbrido entre os ribeirinhos com animais e a floresta. A obra, feita no muro do complexo Silvio Miotto, localizado na rua Marechal Castelo Branco, no Centro de Parintins, mede 35×7 metros e dará vida, cores e luzes para uma das vias, que, até então, era considerada sem muito movimento. O projeto foi aprovado na Lei Aldir Blanc.

    Em entrevista ao EM TEMPO, Alciney e Kemerson relataram que na obra há mistura de formas humanas e seres do Rio Amazonas que se cruzam criando uma forma antropomórfica, quando as cores se permeiam no movimento do Rio Amazonas.

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    "Desde o início da nossa carreira, buscamos destacar o homem amazônico e sua relação com a natureza, em um contexto onírico, dos sonhos de uma maneira única nossa. Buscamos também autores que falam sobre o homem amazônico, fazemos rascunhos e vamos desenvolvendo", explica Alciney. "

    Alciney Pereira, artista de grafitti

     

    Os artistas começaram a estudar a linguagem artística de rua em 2017, com projetos de lambe-lambe, e aprenderam a fazer grafitti em 2018, aprendendo em diversas fontes, inclusive em videoaulas. Eles tentaram escolher um local ainda mais abandonado da cidade, mas o acesso concedido foi apenas ao complexo Silvio Miotto.

    "Eu me inspiro muito em alguns artistas de grafitti de fora, como a dupla Os Gêmeos e o Alex Sena, além de artistas renomados, como o Jean-Michel Basquiat e o René Magritte. Nós temos essa relação próxima com o rio, com a cultura ribeirinha, e através disso extraímos muitos dos temas para as nossas obras", refletiu Kemerson. 

    Para os Curumiz, trazer o grafitti com influências de metrópoles para Parintins é importante ao sair do comum da cidade, que é geralmente identificada com o Festival Folclórico dos bois Garantido e Caprichoso. 

    "Criar esses murais gigantes no interior, do jeito que é feito em grandes murais do país, é uma maneira de inovar dentro do contexto cultural da cidade", afirmou Kemerson.

      Os Curumiz tem como objetivo exportar o trabalho do grafitti para outros estados e, possivelmente para o exterior. A ideia da dupla é que a voz distinta da dupla sobre o homem amazônico seja levada a metrópoles e exposta em museus que dão importância para a arte urbana, além de outros municípios do Amazonas.  

    "Queremos mostrar a essência do nosso trabalho, do caboclo amazônico para outros estados, como a Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro, e ter esse convívio com outros artistas. Como artistas, queremos participar de exposições, festivais, ter reconhecimento, ter acesso para pintar prédios. Queremos expandir a partir desse ponto de partido, levar o nome de Parintins para outros lugares, isso é a missão da nossa arte", declarou Alciney.

    Pioneiros no grafite caboclo

    A dupla de grafiteiros fez história ao ser pioneira em levar graffiti para as comunidades em torno do Rio Amazonas. O projeto “Arte Ribeira” transformou casas nas comunidades Vila Amazônia, Bom Socorro e Ilha das Guararibas, todas no município de Parintins, em obras verdadeiras obras de arte.

    "Estamos sempre querendo inovar e trazer o nosso trabalho para as comunidades ribeirinhas é muito satisfatório", assegura Kemerson Farias após concluir a obra na margem do lago do Zé Açu. 

    Eles idealizaram a cultura da banana, que durante muitos anos foi a principal atividade econômica da região que integra o projeto de assentamento da Gleba de Vila Amazônia. Além disso, deixaram a representatividade feminina na obra estampando o rosto de uma criança da localidade. 

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