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    COMEMORAÇÃO


    Lendária banda amazonense Blue Birds Band completa 54 anos de história

    A banda tem uma rica história na cultura amazonense e muitos projetos para o futuro

     

    | Foto: Divulgação

    Manaus - A icônica banda Blue Birds Band está completando 54 anos, nesta quinta-feira (17), período em que participou da vida cultural manauara e marcou indiscutivelmente seu lugar no imaginário musical do Amazonas. Liderada pelo empresário e guitarrista-base Roberto Sá Gomes, mais conhecido como 'Beto Blue', a banda comemora seu quinquagésimo quarto aniversário com uma rica história e com muitos projetos para o futuro.

    Formada em 1967 por Lúcio Hernani Siqueira Cavalcanti, idealizador da banda, e João Bosco Siqueira Cavalcanti, José Chain Silva, José Dibo, Antônio Carlos Chauvin, Ananias Dantas Góes, Irandir Monteiro e Vagner Costa, todos estudantes secundaristas, a Blue Birds Band já teve inúmeras formações, pelas quais passaram 152 músicos: muitos seguiram na música, outros tiveram outras carreiras, mas todos estão registrados nas fotos e documentos da Blue Birds.

    Beto entrou na banda dois anos após a sua fundação, em 1969, e afirma que é o profissionalismo que ele e outros membros da banda cultivaram que dá a receita da longevidade dos Blue Birds. Já tocou contrabaixo, toca guitarra e administra a banda desde 1980, quando adquiriu seus direitos.

    "Eu não entrei na banda com o objetivo de ser músico temporário, eu entrei nos Blue Birds para fazer dela um projeto de vida. O Dr Lúcio Cavalcanti, pai do Lúcio Hernani, nos dizia 'Banda é negócio sério. É um trabalho como qualquer outro', e a partir disso nos guiamos, sempre através da seriedade e do profissionalismo. Em 54 anos, nunca deixamos de nos apresentar em nenhum compromisso assumido. Participamos da fundação e tocamos por mais de 30 anos no Tropical Hotel, como banda da casa. Tudo isso é nossa história", conta o guitarrista.

     

    O empresário e guitarrista 'Beto Blue' relembrou a história da banda na música amazonense
    O empresário e guitarrista 'Beto Blue' relembrou a história da banda na música amazonense | Foto: Brayan Riker

      Os Blue Birds, no início, tinham o formato de rock tradicional, chamado por Beto de "formato Beatles": baixo, duas guitarras, voz e bateria. Conforme as décadas foram passando, o repertório da banda foi ampliado do rock n' roll que já dominavam para outros ritmos que agitavam o público, como a era da disco music, o samba, boleros e músicas românticas.  

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    "Os primeiros anos foram apenas música em inglês, os hits internacionais da juventude do momento. As poucas músicas nacionais em que tocávamos eram do Roberto Carlos, mas a molecada queria ver Beatles, Rolling Stones, Queen. A gente dosava assim: músicas românticas primeiro, Elton John, Tom Jones, Beatles - canções que os casais dançavam juntinhos por mais de uma hora no baile. Aí depois, mudávamos para um rock mais apressado, e lá pelo final, entrava o rock mais pesado, que era o ápice da apresentação", conta Beto. "

    Beto Blue, líder da Blue Birds Band

     

    A banda foi crescendo junto à diversidade de ritmos, que Beto tirava das paradas de sucesso e das demandas do próprio público, que foi se tornando fiel às apresentações e continua a prestigiá-los após 54 anos. Infelizmente, o grupo perdeu seu percussionista, Antonio Máximo, este ano, e Beto decidiu não contratar outro percussionista em memória do artista.

    "Conforme foi aumentando a quantidade de músicos e a complexidade dos arranjos, eu achei bacana, por exemplo, adicionar um naipe de sopro, que dá um brilho a mais à banda. Na época, ninguém tinha. Hoje já faz parte da paleta de sons que a gente pode produzir pros arranjos. Tornou-se uma assinatura nossa esses arranjos", conta Beto.

    Para Beto, a importância da Blue Birds Band não fica apenas no aspecto cultural, mas econômico e social da cidade. "Nós sempre pagamos imposto, movimentamos a economia cultural da cidade. Desde sempre temos a tradição de fazer doações filantrópicas no aniversário da banda, algo que ninguém fazia nos anos 70. Tem muita gente que se formou engenheiro, advogado, doutor, que foi músico da Blue Birds e teve essa experiência conosco, e que se lembra até hoje", recorda ele.

    Uma das facetas mais interessantes dos Blue Birds é que das 152 pessoas que já tocaram na banda, muitas são familiares. Já tocaram ou cantaram na banda pais, filhos, mães, e essa intimidade é traduzida no palco, em que adaptam o repertório para os mais diversos gêneros, dependendo da demanda do espetáculo. As reuniões de formações antigas da banda, de acordo com Beto, também servem para que os ex-membros se reencontrem e experimentem tocar juntos novamente.

    Documentação cultural

      Beto também é parte do histórico cultural de Manaus. Músico na cidade desde a década de 1960, ele também é graduado em Educação Artística com Habilitação em Música, pós-graduado em Gestão Cultural e elaboração de projetos e mestre em História da Arte na Universidade Federal do Amazonas, além de consultor do Conselho Municipal de Cultura. Nesse processo, Beto acabou por participar ou testemunhar a criação de vários dos mecanismos culturais da cidade.  

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    "Na Ordem dos Músicos, eu ajudei a criar a Terça Musical, que oferecia o palco do Teatro Amazonas aos músicos daqui, da nossa terra. Como técnico em projetos, estive presente na elaboração da Amazonas Filarmônica, do Coral e do Corpo de Dança, que são corpos estáveis do Teatro Amazonas, que é um lugar com o qual tenho muita intimidade. Os Blue Birds ensaiaram demais aqui, tocaram demais", ele relembra. "

    Beto Blue, líder da Blue Birds Band

     

    Para Beto, que possui toda a trajetória da banda documentada num acervo imenso de fotografias, recortes de jornal e outros itens históricos, o importante é guardar toda essa informação cultural para o livre acesso pelas futuras gerações tanto de pesquisadores e músicos quanto do próprio povo do Amazonas. 

    "Minha formação acadêmica foi para isso, e é isso que eu e os Blue Birds queremos deixar para o Amazonas: nossa memória cultural. Quero que o Amazonas seja um estado com memória, que valorize o que é nosso, nossa música e cultura daqui. Tenho a história da banda em recortes de jornal, em fotografias, em registros. Quero deixar para a posteridade o livre acesso a esse material. Com esse acervo, a pesquisa cultural sobre as últimas cinco décadas da nossa cidade se torna mais fácil, rápida, rica", reflete Beto.

    Projetos futuros

      Feito usando o acervo da banda, Beto prepara o livro "Blue Birds - 54 anos - História e Memória", com lançamento previsto para o ano que vem, além do livro "Feijão com Arroz", que traz memórias pessoais suas dos anos na estrada e na música. Beto também fez questão de divulgar que a banda já tem planejado e ensaiado o projeto "Jovem Guarda Viva" que busca resgatar sucessos e músicas mais desconhecidas, B-sides da Jovem Guarda e que fizeram parte do início da banda.  

    A Blue Birds Band atualmente é composta por Beto Blue (guitarra-base), Neil Armstrong (guitarra-solo), Bernardo Lameiras (contrabaixo), Chico Carlos (bateria), Célio Vulcão (teclado), Rosa, Luciana e Juliana (cantoras), Jecimá Souza (cantor) e um naipe de sopro completo (Sax alto e tenor, trompete e trombone). A banda recebeu em 2018 o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Amazonas do Governo do Estado. 

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