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    No dia do Cinema Nacional, confira dicas de grandes filmes do Brasil

    Apaixonado pela Sétima Arte? Então aproveite dicas para comemorar o dia do cinema nacional, com pipoca e bastante emoção

     

    EM TEMPO traz dicas de filmes nacionais em comemoração do Dia do Cinema Nacional. Foto do filme O Caso dos Irmãos Naves, de Luiz Sérgio Person
    EM TEMPO traz dicas de filmes nacionais em comemoração do Dia do Cinema Nacional. Foto do filme O Caso dos Irmãos Naves, de Luiz Sérgio Person | Foto: Reprodução

    MANAUS - Desde 1896, quando ocorre a primeira exibição com um cinematógrafo no Brasil, graças ao exibidor belga Henri Paillie, o cinema faz parte da nossa história. A primeira exibição foi no Rio de Janeiro, numa sala alugada para o evento no Jornal do Commercio, e ocorreu apenas um ano após a primeira exibição dos irmãos Lumière, que é considerada a primeira exibição de cinema da história, em 1895.

    Apenas um ano depois, em 1897, o Brasil já tinha sala de exibição própria, pertencente aos irmãos italianos Affonso e Paschoal Segreto. Desde então, o cinema se tornou sinônimo de inventividade e diversidade: em 125 anos de história no Brasil, nosso cinema, mesmo sem os vultosos recursos da grande indústria internacional, já contou histórias ímpares, e acostumou-se a contornar dificuldades com criatividade e bom gosto.

    Passando por uma primeira fase de cinema mudo nos anos 20, um domínio hollywoodiano nos anos 30 (a exceção sendo a produtora Cinédia, que apresenta ao mundo Carmen Miranda), tentativas de industrialização nos anos 40 e 50 pela Vera Cruz, período em que também surge a chanchada, e a explosão do Cinema Novo e do Cinema Marginal dos anos 60, o Cinema Nacional tem uma história muito rica.

    Nos anos 70, com a Embrafilme, o cinema nacional recebeu incentivo, principalmente o gênero das pornochanchadas - versões mais picantes das chanchadas, com alto teor sexual e cômico. A aparente contradição de costumes, já que a Ditadura Militar estava no auge à época, é explicada pelos números: a pornochanchada levava milhões ao cinema, e por muitos anos nossa maior bilheteria foi de A Dama do Lotação, obra-prima do gênero, que foi visto por 6,5 milhões de pessoas.

    Com a crise econômica dos anos 80 e o fim da Embrafilme nos anos 1990, o cinema só foi se recuperar na chamada Retomada, com apoio da Lei de Incentivo à Cultura e da Lei do Audiovisual. Em 1994, Carlota Joaquina: Princeza do Brasil, primeiro filme da Retomada, dá início a um retorno do cinema, sendo seguido por filmes como Guerra de Canudos (1996) Central do Brasil (1998) e Lavoura Arcaica (2001).

    Hoje, cinema brasileiro é diverso, conseguindo levar milhões às salas com comédias populares estreladas por celebridades, como as franquias Minha Mãe É Uma Peça e Se Eu Fosse Você, ou gerando filmes de assinatura estética e temática demarcados, como Bacurau (2018) e Branco Sai, Preto Fica (2014).

    O EM TEMPO, comemorando o Dia do Cinema Nacional neste sábado (19), traz algumas dicas de filmes que cobrem toda essa história e riqueza do cinema, contando histórias diversas, aventurando-se na criatividade, contornando dificuldades estruturais e desafiando gêneros.

    Limite (1930) - Mário Peixoto

    Considerado pela Associação Brasileira dos Críticos de Cinema (Abraccine) o melhor filme brasileiro da história, Limite é um grande exemplo da inventividade do cinema brasileiro: com ângulos inovadores para a época, uma história introspectiva e não linear sobre três pessoas num barco a remo, e uma reflexão sobre a passagem do tempo, o longa é uma exceção à época e uma obra que sobreviveu ao tempo e parece nova até hoje.

    Alô, alô, Brasil (1935) -  Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro

    A busca atrapalhada de um homem por uma cantora conhecida como “Dulcineia” é o que amarra uma série de números musicais da Era do Rádio, neste filme que apresentou ao mundo a estrela Carmen Miranda.

    À meia noite levarei sua alma (1964) - José Mojica Marins

    Dirigido e estrelado por José Mojica Marins, que interpreta seu mais famoso personagem, Zé do Caixão, este filme conta a história a história do amoral e sádico coveiro, que começa aqui sua busca para ter um filho com a “mulher perfeita” e assim alcançar a sonhada imortalidade. Para isso, ele passa a cobiçar a mulher do melhor amigo, que ele acredita que pode gerar o filho perfeito.

    Todas as mulheres do mundo (1966) - Domingos Oliveira

    Um grande filme romântico que gira em torno da desmedida paixão de Paulo (Paulo José) por Maria Alice (Leila Diniz, que é a grande musa do filme). Os dois passam a viver um grande amor juntos, mas Paulo sente falta da antiga vida de solteiro e Maria Alice ainda tem sentimentos pelo noivo que trocou por Paulo, Leopoldo.

    O Caso dos Irmãos Naves (1967) - Luiz Sérgio Person

    Dirigido por Luiz Sérgio Person e escrito por Jean-Claude Bernardet como uma alegoria que usava o passado do Estado Novo para criticar o presente (na época, a Ditadura Militar), O Caso dos Irmãos Naves conta a história real de dois irmãos (Juca de Oliveira e Raul Cortez) que foram presos e barbaramente torturados em 1937, ficando presos por oito anos por um assassinato que não só não cometeram, como sequer chegou a acontecer - a suposta vítima estava viva.

    Terra em Transe (1967) - Glauber Rocha

    Dirigido por aquele que é visto por muitos como nosso maior diretor e mais polêmico diretor, Terra em Transe é um clássico do chamado Cinema Novo, que buscava afastar-se das influências do padrão hollywoodiano e buscar uma estética autenticamente brasileira, que não hesitasse em usar os recursos que tivesse a mão, nem a mostrar a miséria do país.

    Neste filme, outro protesto contra a Ditadura, o roteiro usa o fictício país de Eldorado para falar sobre a situação que conduziu o Brasil ao sistema autoritário, além dos acirrados conflitos ideológicos que marcaram a época, brigas entre correntes políticas e da exposição da pobreza e opressão do povo.

     O bandido da luz vermelha (1968) - Rogério Sganzerla

    Clássico do Cinema Marginal, corrente contemporânea ao Cinema Novo que buscava desafiar a amabilidade da indústria cinematográfica através do choque e do abraço ao grotesco, ao sarcástico e ao radical. Neste filme baseado em fatos reais, a história do Bandido da Luz Vermelha é usada para criar uma fina crítica de classe e debochar do imaginário social criado pelo jornalismo sensacionalista.

    Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976) - Bruno Barreto

    Baseado no romance de Jorge Amado, este grande sucesso de Bruno Barreto encantou e divertiu as plateias com a história de uma professora de culinária que fica dividida entre o marido atual, Teodoro (Mauro Mendonça) , um pacato e responsável farmacêutico, que a trata bem mas não a satisfaz, e o fantasma do falecido marido, Vadinho (José Wilker), farrista, beberrão e malandro, mas um ótimo amante. A icônica cena final em que Dona Flor desce o Pelourinho com os dois maridos é lembrada pelo público até hoje.

    A dama do lotação (1978) - Neville D'Almeida

    Baseado num conto pinçado da lendária coluna "A vida como ela é", de Nelson Rodrigues, este filme foi por anos a maior bilheteria da história do país, mantendo até hoje o posto de sexta maior bilheteria, com 6,5 milhões de ingressos vendidos. Em mais um grande sucesso estrelado por Sonia Braga, Solange, após sofrer uma violência do marido, uma mulher passa a se envolver com desconhecidos que conhece no ônibus.

    Pixote – a lei do mais fraco (1981) - Hector Babenco

    Baseado num conto pinçado da lendária coluna “A vida como ela é”, de Nelson Rodrigues, este filme foi por anos a maior bilheteria da história do país, mantendo até hoje o posto de sexta maior bilheteria, com 6,5 milhões de ingressos vendidos. Em mais um grande sucesso estrelado por Sonia Braga, Solange, após sofrer uma violência do marido, uma mulher passa a se envolver com desconhecidos que conhece no ônibus.

    Os Saltimbancos Trapalhões (1981) - J. B. Tanko

    Outro grande sucesso de bilheteria do Brasil, os Saltimbancos Trapalhões é o único filme dos Trapalhões a constar na lista da Abraccine dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos. O filme, baseado na peça teatral Os Saltimbancos, conta a história de quatro contra-regras de um circo, interpretados pelos Trapalhões (Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum e Zacarias), que acabam por se tornar estrelas do circo, sendo explorados pelo dono.

    O invasor (2002) - Beto Brant

    Baseado em livro de Beto Brant, O Invasor conta a história de dois sócios Ivan e Gilberto (Alexandre Borges e Marco Ricca), que após um desentendimento com seu terceiro sócio Estevão (George Freire), decidem contratar um assassino para matá-lo. No entanto, o assassino contratado busca subir na vida, e começa a invadir a vida dos dois mandantes, confrontando-os com o que fizeram.

    Notícias de uma guerra particular (1999)

    Neste documentário de João Moreira Salles e Kátia Lund, um panorama nuançado da violência urbana e da guerra do tráfico no Rio de Janeiro é exposto ao espectador, numa realidade em que a polícia, os traficantes e o poder público estão mais relacionados do que se pode imaginar, e em que os moradores das favelas estão presos em meio das relações tumultuadas que marcam o conflito.

    As Melhores Coisas do Mundo (2010) - Laís Bodanzky

    Neste filme de 2010, Laís Bodanzky traça um retrato doce da adolescência de um menino de classe média, Mano (Francisco Miguez), que tem que lidar com a descoberta da sexualidade, do amor, com a separação dos pais e o entendimento da pessoa que está se tornando, enquanto é aconselhado por seu compreensivo professor de violão (Paulo Vilhena), que está lhe ensinando uma música dos Beatles.

    Benzinho (2018) - Gustavo Pizzi

    Ancorado na atuação sensível da protagonista Karine Telles, este filme conta a história de Irene, que é sobrecarregada pelas demandas da família - o marido sonhador Klaus (Otávio Müller), o cuidado dos filhos e o abrigo da irmã Sônia (Adriana Esteves), que sofria violência doméstica do marido. Apesar disso, Irene parece ter tudo sob controle e gostar de conduzir a família, até que seu filho mais velho anuncia que vai embora de casa para jogar handebol na Alemanha.

     A vida invisível (2019) - Karim Aïnouz

    Este longa conta a história de duas irmãs de temperamentos diferentes, Eurídice (Carol Duarte/Fernanda Montenegro) e Ana (Júlia Stockler), que enfrentam o machismo à sua maneira ao longo do século XX, buscando realizar seus sonhos e reencontrar-se após serem forçadas a viver distantes uma da outra pelo pai.

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