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    SÃO JOÃO


    Famílias adaptam tradição de festas juninas no segundo ano de pandemia

    A tradição brasileira mais famosa de junho precisou de criatividade para continuar sendo realizada

     

    | Foto: Divulgação

    Manaus - A pandemia atrapalhou os mais diversos planos e praticamente todo tipo de festa ou comemoração folclórica e cultural: carnaval, domingo de Páscoa, festa junina, Círio de Nazaré e outras tantas celebrações foram interrompidas pelo risco de contaminação. No segundo ano de cuidados diante do vírus, chegamos ao período junino novamente, e algumas famílias estão buscando manter a tradição como podem.

    A família de Maria Clara Chixaro, 24, estudante de Relações Públicas, tem a tradição de sempre comemorar a festa junina em grande estilo. “Eu não sei quando começou exatamente, porque foi bem antes de eu nascer, mas minha família sempre comemorou. Nós somos católicos e comemoramos certinho no dia dos santos: São João, Santo Antônio”.

     

    | Foto: Divulgação

    Segundo Maria Clara, antes da pandemia, a festa contava com fogueira, um grande jantar com comidas típicas, muito forró, xote e outros ritmos de festa junina. A família inteira comparecia, além de diversos amigos que cada membro poderia levar. “Era coisa de encher a rua de carro, de fazer barulho mesmo. A gente até contratava gente para dar conta da quantidade de tacacá, por exemplo”, conta Chixaro.

    No primeiro ano da pandemia, a festa dos Chixaro foi bem reduzida, envolvendo apenas o núcleo familiar que mora na casa de Maria Clara: os pais e uma das irmãs. Para este ano, a família está organizando uma comemoração num sítio, afastado de Manaus e ainda apenas com a família próxima, mas com todos os elementos da festa: fogueira, várias comidas típicas e muita música.

     

    A família de Ana Clarissa comemorou por 43 anos ininterruptos por promessa da matriarca
    A família de Ana Clarissa comemorou por 43 anos ininterruptos por promessa da matriarca | Foto: Reprodução

    Já a família de Ana Clarissa, 28, relações públicas, tem uma origem religiosa para as festas: uma promessa. Desde então, por 43 anos a festa foi comemorada ininterruptamente: o único ano que não teve festa foi justamente 2020, por causa da pandemia.

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    Minha mãe fez uma promessa para São João por causa do meu irmão quando ele nasceu, há 45 anos. E essa festa sempre foi muito grande, maior até que o Natal e o Ano Novo. Enquanto o Natal e o Ano Novo eram comemorações reservadas, a festa junina era uma coisa enorme, ia todo mundo. Tinha munguzá, tacacá, churrasquinho, vatapá, arroz, feijão tropeiro. Iam amigos dos meus irmãos, primos e bandas ao vivo tocando pra todo mundo "

    Ana Clarissa, relações públicas

     

    Ana destaca que a festa sempre ia aumentando de tamanho a cada ano - as pessoas iam espalhando sobre a festança e a comemoração crescia cada vez mais, assim como a quantidade de comida servida. O saudoso Arlindo Júnior cantou na festa, além de diversas bandas de forró.

    Neste ano, após o jejum causado pela primeira quarentena, a comemoração foi reduzida a Ana Clarissa, a mãe, os irmãos e suas respectivas esposas, com todas as comidas típicas e música de São João. “Como meus pais tiveram Covid-19 em janeiro, minha mãe cozinhou tacacá e serviu para todo mundo, e foi uma festa simbólica. Foi uma maneira de comemorar a vida deles”, ela explica.

    A funcionária pública, 32, conta que a festa junina é tradição por conta de uma praticidade: o aniversário da mãe é no dia 23 de junho, véspera de São João. “Até o casamento dela foi em forma de festa junina, casando no dia 24”.

     

    Família de Mayara Cruz tem tradição forte de festa junina por conta do aniversário da mãe, na véspera de São João
    Família de Mayara Cruz tem tradição forte de festa junina por conta do aniversário da mãe, na véspera de São João | Foto: Acervo/Mayara Cruz

      As festas da família de Mayara tornaram-se uma tradição de família, com diversas receitas sendo preparadas para a comemoração: pirarucu de casaca, bananas fritas, munguzá e bolo de macaxeira são algumas das guloseimas que eram servidas na comemoração. No entanto, a pandemia e a correria do dia-a-dia fez com que ultimamente, Mayara encomendasse receitas mais complexas.  

    “No ano passado, não houve nada de festa. Encomendamos alguns pratos juninos e comemoramos em família o aniversário da minha mãe. Nem bandeirinha penduramos. Com a situação, era impossível juntar a quantidade de gente que ia antes. Mas esse ano eu quero pendurar as bandeirinhas e cultivar esse clima de festa junina, mesmo que seja entre nós, para deixar minha mãe feliz no aniversário dela”, conta Mayara.

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