Fonte: OpenWeather

    Cinema


    Cine Casarão busca democratizar e valorizar o cinema nacional

    O Cine Casarão retorna às atividades nesta quinta-feira (24), com exibição em dois horários

     

    Cine Casarão retorna nesta quinta-feira (24). Cinema é o único independente da cidade.
    Cine Casarão retorna nesta quinta-feira (24). Cinema é o único independente da cidade. | Foto: Divulgação

    Manaus - O Cine Casarão retorna às atividades nesta quinta-feira (24), após mais de um ano fechado. Criado em 2017 como um novo espaço do Casarão de Ideias, que inaugurava à época seu atual prédio, o Cine tem como “objetivo a democratização do cinema e a valorização das produções nacionais”, de acordo com o diretor do Casarão de Ideias, João Fernandes.

    O Casarão tem lutado para manter as portas abertas desde o início da pandemia. “Fechamos em março e voltamos em agosto de 2020, por conta da primeira quarentena. Aí em setembro voltamos com o cinema e tivemos que fechar de novo em dezembro, com o aumento dos casos e logo depois a crise do oxigênio. E agora, estamos tentando acompanhar o aumento da vacinação e a melhora nos casos e voltar de novo com o cinema”, conta Fernandes.

     

    Casarão de Ideias voltou a funcionar em abril deste ano, para visitação e funcionamento do café
    Casarão de Ideias voltou a funcionar em abril deste ano, para visitação e funcionamento do café | Foto: Divulgação

      Até o momento, o Casarão está aberto para visitação, com acesso à biblioteca e com o café da casa funcionando e vendendo lanches. A partir de quinta-feira, a bilheteria passa a vender os ingressos, mas apenas para dois horários e com capacidade reduzida - a sala, que tem lotação de 35 lugares, venderá um máximo de 18 ingressos, em poltronas separadas.  

    João ressalta as adaptações sanitárias que o Casarão fez ao cinema para receber o público sem grandes riscos de contaminação. Desde abril, quando a casa foi reaberta, as principais medidas sanitárias, como a exigência da máscara, dedetização e distanciamento social estão sendo exigidas. O café do casarão está funcionando, além da biblioteca estar disponível para consulta pelo público. Em breve, a galeria também será reaberta, segundo o diretor.

    No Cine, além do que já é feito, foram implementadas outras medidas para proteção do público e da equipe.

    "

    Além do distanciamento social, fizemos a aquisição de uma lâmpada germicida especial que é usada na descontaminação de aviões e outros ambientes fechados, e realizamos a limpeza da sala após cada sessão "

    João Fernandes, diretor do Casarão de Ideias

     

    Nas cadeiras que não podem ser usadas, respeitando o distanciamento social, consta um recado de esperança para o público cinéfilo: “uma pessoa muito especial sentará ao seu lado aqui em breve”.

    Cinema verdadeiramente independente

      O Cine Casarão, segundo João, é o primeiro cinema de rua de Manaus desde que o saudoso Cine Chaplin, na Joaquim Nabuco, fechou no início dos anos 2000. Além disso, é um cinema totalmente independente - ao contrário de espaços de cinema que são parte do setor cultural de bancos ou instituições de cultura, o Cine Casarão se mantém através de sua bilheteria e dos recursos que circulam no Casarão de Ideias.  

    O cinema foi inaugurado como um “atrativo a mais” para a segunda versão do Casarão de Ideias, que em 2017 mudou para a Rua Barroso após sete anos na Monsenhor Coutinho, ambas no Centro. Desde então, se tornou um espaço visitado por um público diverso, que é atraído pela oferta de filmes que não estão passando em outros cinemas de Manaus e que estão no centro de discussões não só sobre cinema, mas sobre a sociedade atual.

     

    | Foto: Divulgação

    “Na Monsenhor Coutinho, trabalhávamos com audiovisual bem pontualmente. A partir de 2017, quando mudamos para cá, pensamos em um atrativo que gerasse uma renda para o espaço, e foi quando decidimos buscar na Ancine a abertura do cinema: fazer o cadastro, ter um número de sala, tudo que é necessário”, conta Fernandes.

    João orgulha-se de o Cine Casarão não ter se tornado uma sala de cinema de nicho: não é apenas frequentado por pessoas envolvidas no audiovisual e nas artes, como poderia se esperar. “Temos um público misto, de todas as idades, todas as áreas. Realizamos algumas atividades de cineclube às vezes, mas é principalmente um cinema de público diverso e com vários tipos de filme”.

      A seleção dos filmes busca oferecer ao público uma diversidade de filmes, normalmente exibindo produções diferentes dos filmes que estão passando nos cinemas dos grandes shoppings da cidade. Além de priorizar a produção nacional, o Cine Casarão traz filmes de reputação internacional, como indicados a premiações estrangeiras e os tradicionais lançamentos de prestígio dos grandes estúdios, os chamados filmes da “temporada de premiações”.  

    Ao retornar na quinta-feira, o Cine Casarão exibirá os filmes: Druk (2020), de Thomas Vinterberg, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro; Cine Marrocos (2021), documentário nacional de Ricardo Calil sobre a ocupação de um cinema abandonado em São Paulo; Alvorada (2021), de Anna Muylaert e Lô Politi, que retrata os últimos dias da presidenta Dilma Rousseff no cargo; e Fale com As Abelhas (2018), que conta a história de amor de uma médica e a mãe de um de seus pacientes na zona rural da Escócia.

    O valor da entrada é R$ 12 inteira e R$ 6 meia-entrada, benefício para idosos, professores, estudantes e quem vier de bicicleta.

    Leia mais:

    Confira quais espaços culturais foram reabertos ao público em Manaus

    'A Última Floresta' terá sessões ao ar livre no 71º Festival de Berlim

    Casarão de Ideias prepara tour virtual nos 125 anos do Teatro Amazonas