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    LENDAS


    Histórias Ribeirinhas: 'Gasolina de avião fez o barco voar'

    Na segunda edição da série Histórias Ribeirinhas, EM TEMPO conta uma ‘história de pescador’ fantástica

     

    | Foto: Divulgação

    Lábrea - Dona Maria das Neves, 66, mais conhecida como ‘Dona Neves’ em Lábrea, é a contadora da História Ribeirinha deste domingo (27). Professora aposentada que também trabalha num bar e restaurante da cidade, Dona Neves conviveu e ainda convive com o fluxo contínuo das mais diversas histórias que carregam a cultura do interior do Amazonas, sejam elas lendas com personagens mais conhecidos ou relatos fantásticos, como o que será apresentado nesta edição.

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    Essas histórias eu ouvi de muitos moradores daqui ao longo da vida. Eu escuto muito isso na rua, no dia a dia. No interior do estado, as pessoas ainda conversam muito. No bar e restaurante em que eu trabalho, então, as pessoas sentam, vão comendo e bebendo, e essas histórias vão saindo, e eu vou registrando "

    Dona Neves, professora aposentada

     

      A história de Dona Neves tem um ar de realismo fantástico e um certo mistério, como todas as boas histórias de pescador. Segundo ela, ouviu a narrativa de um canoeiro que precisava prestar um serviço ligeiro para uma autoridade da maçonaria do município. Ele conseguiu a proeza de voltar de canoa no rio em instantes num serviço que levaria horas, sem ninguém saber de outra explicação que não a dele de como o fizera.  

    “Este rapaz foi contratado para fazer um serviço para o líder da maçonaria daqui, o Venerado. O serviço consistia em pegar umas palhas e trazer de canoa para cobrir o chapéu de palha da maçonaria, que era uma área de lazer da cidade feita pelos maçons”, ela narra.

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    “Ele levava no barco uma cuia para tomar água e os materiais para colher a palha. Dirigindo o motor sem prestar atenção para o rio, ele enfiou a cuia no rio para tomar água. Mas ele esticava, esticava o braço e não alcançava o rio. Foi quando ele finalmente deixou de prestar atenção no motor e percebeu: a canoa estava no céu, voando. A gasolina que tinham vendido para ele colocar no motor do barco era de avião "

    ,, narra dona Neves

     

    “O pior é que ele conseguiu controlar a canoa voadora: foi lá, pousou sabe Deus de que jeito, pegou as palhas e voltou voando, chegando em Lábrea em minutinhos daquele serviço que deveria levar um tempão. O tal ‘Venerado’, da maçonaria, espantado, quis saber como que ele tinha conseguido trazer tanta palha tão rápido do outro lado do rio, o homem simplesmente respondeu que a gasolina de avião tinha feito seu barco voar e ele aproveitou pra fazer o serviço ligeiro” conclui Dona Neves.

    Se é verdade ou não, não sabemos, acredite se quiser. Retornamos no próximo fim de semana, para mais uma História Ribeirinha.

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