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    ARTE


    Jandr Reis cria obra audiovisual sobre ação humana na natureza

    Videoinstalação 'Mãos que Matam' reflete sobre destruição humana do meio ambiente

     

    Videoinstalação 'Mãos que matam' reflete sobre a poluição da natureza pela ação humana.
    Videoinstalação 'Mãos que matam' reflete sobre a poluição da natureza pela ação humana. | Foto: Pedro Marinho

    Manaus - O artista visual Jandr Reis prepara a apresentação da videoinstalação “Mãos que Matam”, que trata da destruição do meio ambiente pela ação humana. A instalação propõe a crítica a partir de uma situação específica que, infelizmente, é comum no Amazonas: a poluição dos rios, igarapés e cursos de água por todo tipo de lixo.

      Gravado na Praça do Relógio, Centro de Manaus e no Parque Nacional de Anavilhanas, em Novo Airão, a videoinstalação busca alertar e conscientizar a população sobre o perigo que é a poluição continuar imperando sobre a capital e avançar para locais ainda preservados no interior. A cantora Márcia Siqueira também participará da obra, recitando crônica do ambientalista Fernando Antônio de Carvalho Dantas.  

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    A videoinstalação ‘Mãos que Matam’ é uma obra que já tenho desde 1992 e é uma forma em que busco conscientizar a população sobre a agressão que eles cometem contra a natureza. Não é toda vez que temos uma cheia como a deste ano, e aproveitei ela para trazer à tona esta realidade "

    Jandr Reis, artista

     

    O processo criativo do artista foi intuitivo, utilizando suas referências amazônicas para defender o lugar em que vive. Segundo ele, a Amazônia é seu ‘quintal’, então além de celebrá-la, seu dever também abrangeria defender sua integridade da violência da poluição e do descaso.

      Nascido em 1968 em Óbidos, no Pará, o artista mudou-se para Manaus na adolescência. Reis foi ao Rio de Janeiro para estudar e posteriormente retornou a Manaus, onde realiza os trabalhos. A obra de Jandr, segundo ele, é inspirada por referências de infância, absorvidas e reinterpretadas no dia a dia, além da reflexão constante da defesa da natureza.  

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    Por ser uma videoinstalação, ‘Mãos que Matam’ preciso colher as imagens e editá-las, então estou preparando elas para que causem um impacto visual e cheguem ao efeito desejado no espectador. Isso leva tempo e inspiração. Quando terminar a videoinstalação, quero publicá-la nas mídias sociais, além de apresentá-la em locais que prezam pela luta pela natureza e pelo meio ambiente "

    ,, explicou o artista.

     

    O artista refletiu sobre a resposta da natureza diante da agressão humana, tanto com a pandemia quanto em relação às mudanças climáticas.

    “A natureza sempre respondeu e sempre responderá. O aquecimento global, as doenças, as cheias, o efeito estufa, tudo isso é resposta. Enquanto o homem agredir a natureza e não preservá-la, isso sempre acontecerá e nos afetará, não tem jeito”, refletiu.

    Jandr ainda destaca que trabalhar com arte no Amazonas segue tendo grandes dificuldades, principalmente pela falta de reconhecimento.

     

    Videoinstalação 'Mãos que matam' reflete sobre a poluição da natureza pela ação humana.
    Videoinstalação 'Mãos que matam' reflete sobre a poluição da natureza pela ação humana. | Foto: Pedro Marinho
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    O processo ainda é lento. Temos grandes artistas, Parintins é um celeiro de artistas, mas ainda não há grande valorização. Eu mesmo, que já tenho uma carreira consolidada, passo na pele as dificuldades de ser um artista no Amazonas. Até a inserção no mercado de arte anda a passos lentos: muitas vezes, quem consome arte prefere comprar reproduções estrangeiras a consumir arte local "

    ,, afirmou.

     

    Jandr ainda está desenvolvendo uma exposição “Jaraquiarte” em comemoração ao aniversário de Manaus, além da produção de camisetas com estampas de suas obras pela Manart e um projeto internacional que ainda está em sigilo.

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