Fonte: OpenWeather

    DANÇA


    Festival Folclórico de Itacoatiara 2021 será exibido de forma virtual

    Evento conta com apresentações de danças regionais, nacionais, até internacionais, além de cirandas e bois-bumbás

    | Foto: divulgação

    Itacoatiara - O Festival Folclórico de Itacoatiara (Fesfi), tradicional evento do município do Amazonas, conta todos os anos com apresentações de danças regionais, nacionais, até internacionais, além de cirandas e bois-bumbás. Esse ano, porém, devido à pandemia, que ainda não foi embora, a festa poderá ser vista apenas pela internet.

      Na 42.ª edição, o festival ocorrerá virtualmente, no mês de setembro, e será transmitido por meio do Facebook e YouTube. Mesmo sem a presença do público, a expectativa dos moradores para a atividade cultural é grande.  

    Para a produtora cultural e coordenadora do festival, Marly Nascimento Nogueira, de 47 anos, a festa é muito importante para o setor econômico. “O festival impulsiona diretamente a economia do município, gerando empregos diretos e indiretos para os artesãos, artistas e para os trabalhadores da iluminação e sonorização. Além disso, os hotéis da cidade e locais de lanches ficam bastantes movimentados”, disse.

    A cerimonialista e apresentadora de eventos culturais no município, Sida Martins, de 45 anos, considera que o festival folclórico apresenta a cultura da região amazônica. “Nós mostramos para o mundo a nossa cultura e os nossos artistas, que são de vários segmentos”, afirmou.

    De acordo com o presidente da Liga Folclórica de Itacoatiara, André Nogueira, de 37 anos, o evento gera renda para as famílias, aprimora os trabalhos dos artistas, e expõem o ofício dos artistas.

    "

    Diferente do Fecani [Festival da Canção de Itacoatiara], o festival é restrito para os itacoatiarenses, temos vendedores ambulantes, coreógrafos, músicos, o que gera lucro para nosso povo. Eu costumo dizer que para nós artistas, o festival folclórico é uma das melhores maneiras para mostrarmos o nosso trabalho, mostrar a maneira e como a gente vivencia a arte "

    André Nogueira, presidente da Liga Folclórica de Itacoatiara

     

    André aponta que, diferente de outras regiões, o município vem buscando valorizar os seus artistas. “Hoje, a gente sente no cenário estadual e nacional a desvalorização dos artistas. Aqui em Itacoatiara estamos lutando para que possamos continuar nos mantendo da nossa arte, e falo por todos os seguimentos que compõe essa teia de artista”, afirmou.

    Pandemia e a classe artística

    A pandemia trouxe muitas consequências econômicas e financeiras para as famílias que vivem da arte e do turismo em Itacoatiara, assim como em outras cidades do Amazonas.

    "

    Eventos como Fecani, festival folclórico, rodeio e carnaval são fundamentais para movimentar a economia da região. Com a pandemia, as pessoas não podem aglomerar e isso impacta diretamente todo o setor artístico e cultural e até hoje não temos uma sinalização de ter uma segurança para ter a volta desses eventos "

    André Nogueira, presidente da liga folclórica

     

    “A mudança na vida dos artistas foi a mais impactante de todas, porque todos sobrevivemos da arte e da cultura, passamos por muitas necessidades. Tivemos que vender muitas coisas nossas para sobreviver. Recebemos ajudas de cestas básicas, o que ajuda muito, mas não é o suficiente. Nós nos cadastramos no Auxílio Cultura, estamos esperando o resultado que sai agora em junho, mas só em julho iremos receber a primeira parcela. Nesse período passamos muita necessidade e até mesmo fome”, desabafou a produtora cultural Marly Nascimento.

     

    Festival impulsiona diretamente a economia do município, gerando empregos diretos e indiretos
    Festival impulsiona diretamente a economia do município, gerando empregos diretos e indiretos | Foto: Divulgação

      O coreógrafo e aderecista, Paulo Henrique Rosas, de 29 anos, garante que a classe artística precisou lidar com a doença e com a falta de dinheiro.  

    "

    Tivemos que nos reinventar, muitos de nós trabalhávamos com confecção de roupas, coreografias, e com a pandemia nada disso mais foi viável. Todos precisamos comprar alimentos e pagar as nossas contas, acabou que ficamos à mercê de doações. Precisamos que os órgãos públicos possam olhar para nós com a verdadeira valorização que a gente precisa nesse momento de pandemia "

    Paulo Henrique Rosas, coreógrafo

     

    A coordenação do festival folclórico diz que a edição da festa segue os protocolos de prevenção à Covid-19. “O números de pessoas nos ensaios foi reduzido. Cada participante precisa levar sua própria garrafinha, suas máscaras e todos precisam ter o álcool em gel. Sem a presença do público, investiremos nas apresentações em formato de lives, com grupos presentes no local. Esse ano estamos prevendo quatro noites para que não haja novamente público, somente a presença dos artistas, músicos e apresentadores”, afirmou a coordenadora do festival, Marly Nascimento.

    Leia mais

    Artista visual expressa emoções humanas com fotografias artísticas