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    HISTÓRIA


    Historiador publica livro sobre ordem religiosa que fundou Manaus

    De acordo com o autor Jordan Lima Perdigão, a origem de Manaus está ligada à atuação dos carmelitas na Amazônia

     

    | Foto: divulgação

    Manaus - O historiador, filósofo e professor Jordan Lima Perdigão lança neste sábado (3) o livro ‘Entre a cruz, a flecha e a espada’, que investiga a atuação de uma das ordens religiosas mais ligadas à história do Amazonas: a dos carmelitas. O livro trata das missões dos carmelitas na Amazônia Colonial, entre os séculos XVI e XIX, e das relações destas missões com os colonos não-religiosos e com os habitantes originais daqui: os indígenas.

      De acordo com Jordan, o tema das missões carmelitas lhe atraiu pelo desafio: os carmelitas presentes no Brasil Colônia são bem menos pesquisados que os jesuítas, e isso se deve à dificuldade de conseguir documentação verificável. Além disso, em sua trajetória, o professor já estreitou laços com a Igreja Católica: foi seminarista na juventude, antes de escolher pelo caminho acadêmico.  

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    Eu comecei buscando pesquisar a Arquidiocese de Manaus por volta de 2011, mas conforme fui me aprofundando, verifiquei que havia muitas coisas interessantes sobre os carmelitas. Mas eles também eram um objeto de pesquisa desafiador, porque há menos dados sobre eles. Ao contrário dos jesuítas, que documentavam praticamente tudo que faziam, os carmelitas não produziram todo esse material, então foi mais difícil pesquisá-los, mas mais recompensador também "

    , relata o autor

     

    De acordo com o professor, a origem da própria capital amazonense estaria ligada à ação dos carmelitas. ”Eles buscaram atrair os índios para perto da região do Forte da Barra do Rio Negro, e seu sucesso nisso deu origem a um pequeno núcleo social que se desenvolveu até se tornar a cidade de Manaus”, explica o professor.

      Os carmelitas teriam vindo à Amazônia após a Ordem dos Jesuítas queixar-se à Coroa de Portugal que não tinha gente suficiente para administrar a quantidade imensa de território que tinha sob sua responsabilidade. Originalmente uma ordem de natureza contemplativa e conventual da Igreja Católica, os carmelitas foram os que se propuseram a ‘tomar conta’ da região.  

    Proteção e extinção

    Jordan explica que a ação dos religiosos apresenta um paradoxo: ao mesmo tempo em que o processo de colonização e aculturação acabou por destruir a cultura indígena, a presença de religiosos acabava por blindar os indígenas sob sua proteção da escravização que buscavam os colonos não religiosos.

    “O processo de colonização foi terrível ao acabar com a vida independente destes indígenas, com suas culturas e costumes. Ainda assim, eu considero que o papel dessa espécie de ‘proteção’ assumido pelos carmelitas contra a escravização dos indígenas impediu que esse processo se tornasse ainda mais brutal e exploratório”, explica o pesquisador.

      As missões carmelitas, no entanto, não tiveram sua estabilidade garantida. A intervenção de figuras como, por exemplo, o Marquês de Pombal, acabaram por expulsar sua ordem religiosa para eliminar sua influência. Apesar de ‘oficialmente’ católico, o Império no século XIX também buscou diminuir a força dessas ordens para não ter ameaças estrangeiras ao seu poder, já que os superiores destes religiosos católicos estava na Europa.  

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    O maior legado dos carmelitas foi justamente as cidades que eles fundaram por aqui, como Manaus, Parintins e Itacoatiara, além de muitas cidades do Pará e do Rio Solimões. Ao buscar o contato com os indígenas, eles estabeleceram a partir de suas missões o início de diversas estruturas sociais que acabaram por desenvolver-se em cidades que temos até hoje "

    , acrescenta Lima

     

    O livro ‘Entre a cruz, a flecha e a espada’ será lançado com a presença do autor Jordan Lima Perdigão neste sábado (3), 10h, na Livraria Nacional, Rua 24 de Maio. A publicação conta ainda com prefácio de Almir Diniz de Carvalho, autor de ‘Amazônia e índios cristãos’,  e terá sessão de autógrafos.

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