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    ROCK


    No Dia Mundial do Rock, conheça detalhes do gênero musical

    O rock tem uma história rica em personagens, eventos e histórias, sendo indissociável da história da música

     

    | Foto: Divulgação

    Manaus - O rock é um dos estilos de música mais populares do mundo e uma das mais importantes formas de manifestação cultural Modinhas vêm e vão, mas o ritmo regado a guitarras elétricas permanece como herói da resistência. Nesta segunda-feira (13) é comemorado o Dia Mundial do Rock, e o Em Tempo vai contar um pouco da história do gênero.

    Desde o surgimento no final dos anos 50, o rock n' roll, ou simplesmente rock, criou uma atmosfera mitológica em torno de si. O gênero criou diversos momentos que entraram para a história da cultura popular como 'O Dia em que a Música Morreu", data da morte de Buddy Holly, Ritchie Valens e Big Bopper; os Beatles no programa do Ed Sullivan, que marca a chegada dos Beatles ao mercado americano; 'a eletrificação de Dylan', quando Bob Dylan foi vaiado ao tocar acompanhado por uma banda de rock (até então, Dylan tocava apenas com seu violão); e 'incidente de Altamont', quando uma confusão do motoclube Hell's Angels deixou um adolescente morto num show dos Rolling Stones.

    Mesmo a origem do rock é controversa: enquanto alguns atribuem o evento ao lançamento da música 'Rock around the clock', de Bill Haley and His Comets, outros apontam como o ponto zero do gênero canções como 'That's all right', de Arthur Crudup, 'Move it on over', de Hank Williams, 'The Fat Man', de Fats Domino e 'Strange Things Happening Every Day', de Sister Rosetta Tharpe.

      Conhecido pelas músicas que variam entre o dançante, o pesado, o reflexivo e até o poético, o rock n' roll já avançou por diversas searas, misturou-se a diversos gêneros, já se expandiu e também já voltou ao básico. Dito isto, o gênero ofereceu ao longo de sua história artistas tão diversos quanto Rolling Stones, Kinks, New York Dolls, Radiohead, Uncle Tupelo, My Bloody Valentine, R.E.M., Pavement e White Stripes.  

    Se há um denominador comum a quase todas as bandas, é a formação de baixo, bateria, guitarra e voz e um fervor obcecado e até mesmo agressivo que passa nas canções. A influência do blues também é muito presente, com suas linhas pentatônicas de guitarra e a distorção criada pelos bluesmen a partir da agradável sensação sonora da saturação de amplificadores de guitarra valvulados.

     

    Uma das imagens mais clássicas do rock: Paul Simonon, baixista do Clash, destrói seu baixo ao vivo. A fotografia é a icônica capa do álbum London Calling, de 1980.
    Uma das imagens mais clássicas do rock: Paul Simonon, baixista do Clash, destrói seu baixo ao vivo. A fotografia é a icônica capa do álbum London Calling, de 1980. | Foto: Divulgação

    Rock no Brasil

    Após surgir nos EUA, não demorou muito para o rock chegar ao Brasil. A Jovem Guarda de Erasmo Carlos, Roberto Carlos, Wanderlea, Renato e seus Blue Caps e Ronnie Von foi o primeiro exemplo de rock brasileiro, no fim dos anos 50 e ao longo da década de 60. Artistas do que hoje é chamado MPB também experimentaram com o rock, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Elis Regina e principalmente Gal Costa, cujos discos de estúdio do fim dos anos 60 e o álbum ao vivo "Fa-Tal: Gal a Todo Vapor" seguem monumentos nacionais do gênero.

    Outra banda importantíssima foi Os Mutantes, de Rita Lee, Sérgio Dias e Arnaldo Baptista. Além de apresentar ao público três dos maiores roqueiros brasileiros, Os Mutantes participaram do histórico disco 'Tropicália ou Panis Et Circensis', de 1967, e gravaram álbuns icônicos, como 'Os Mutantes', 1968 e 'A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado', de 1970.

    O Brasil sempre esteve antenado às tendências do rock. Os próprios Mutantes embarcaram na onda do rock progressivo, que, embalado pelas inovações dos anos 60, cedia às várias possibilidades criativas (e excessos) disponíveis no estúdio, criando canções longas e complexas.

     

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    O rock progressivo foi destronado em 1977 pela explosão do punk: uma música rápida, atrevida e simples, que se espalhou como pólvora no mundo todo, sendo apontado como origem de muitas das vertentes de rock que resistem até hoje. No Brasil, o punk logo fez sucesso entre os jovens da periferia de São Paulo, dando origens a bandas como Restos de Nada, Inocentes, Ratos de Porão, Olho Seco e Cólera. Em 1982, a cena foi registrada em toda a sua glória no festival 'O Começo do Fim do Mundo'

    Rock independente e futuro

    Apesar de ter sido um gênero influente e que deu origem a alguns grupos populares, como Titãs, Charlie Brown Jr, RPM e Barão Vermelho, o rock nunca foi o ritmo de maior sucesso no Brasil. Com o fim dos anos 90, bandas e artistas de rock brasileiros pararam de encontrar tanto espaço na mídia, e foram buscar outras alternativas para continuar fazendo música. O que poderia parecer um problema acabou sendo a fonte de persistência do gênero, já que fora da grande mídia, o controle criativo sobre a música era absolutamente dos artistas.

    Clemente Tadeu, icônico membro fundador das bandas punk Restos de Nada e Inocentes, também é criador, apresentador e diretor artístico do Showlivre, programa da produtora de mesmo nome que, desde o ano 2000, é referência em música na internet. Apresentaram-se no Showlivre artistas de sucesso como Ana Cañas, CPM 22, Pitty e NXZero, além de músicos de uma infinidade de gêneros. Bandas amazonenses como República Popular e Alaídenegão também já tocaram no programa.

     

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    Eu sempre estive em contato com o rock porque, na época, ele tava na moda, com a Jovem Guarda e tal. O primeiro disco de rock que eu parei para ouvir mesmo foi o Paranoid, do Black Sabbath. Aí, em 1977 teve o estouro do punk rock, com Ramones, Sex Pistols e The Clash. Foi aí que eu entrei, formando com amigos a primeira banda, a Restos de Nada. A gente montou por diversão e também por aquela urgência do punk de nos expressar, de falar alguma coisa "

    Clemente Tadeu, um dos pioneiros do punk rock no Brasil

     

    Para Clemente, o rock ter saído da 'grande mídia' não muda nada, já que muitas bandas continuaram produzindo e, com o Showlivre, ele tem contato com diversas delas. O problema para ele, na verdade, é a 'chatice' de certos fãs do gênero'.

    "Tem fã de rock que é muito chato, cara. Só quer ouvir as mesmas coisas, só quer ficar naquilo. Quando eu era jovem, a ideia de apreciar rock era diferente: você estava sempre atrás de uma banda nova, uma música bacana, buscava estar antenado. Enquanto não mudar essa mentalidade que fica estagnada, o rock vai perdendo espaço. Mas eu sigo trabalhando, a cena alternativa e do punk segue trabalhando, só não está na grande mídia", acrescenta o músico.

    "Showlivre já tocou de tudo, desde um programa musical na TV Cultura até banda de axé. Apareceu pela primeira vez na TV a Pitty, o Cachorro Grande. A cena emo, como NXZero, passou toda por lá pela primeira vez. Toda a cena alternativa de rock, como Los Porongas, E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, Mad Monkees, passa por lá. Além disso, eu tenho um programa na Kiss FM (rádio de rock) chamado Filhos da Pátria, que aposta no rock nacional", acrescenta.

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