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    Município de Maués


    Ao entregar Memorial Casa Faraco, Maués resgata parte de sua história

    Com características da arquitetura original, o Memorial Casa Faraco irá sediar exposições contando a trajetória da vinda dos italianos para Maués, além de dados sobre a comercialização do guaraná

     

    Sala de exposição do memorial
    Sala de exposição do memorial | Foto: Divulgação

     MAUÉS (AM) - Na orla do município de Maués, no Amazonas, um edifício centenário chama atenção de quem passa, trata-se da Casa Faraco, construída em 1902 e que durante tempos ficou abandonada, em ruínas, destruída pela ação do tempo. A realidade do monumento histórico mudou. Na noite desta sexta-feira, 1º de outubro, o prédio foi entregue totalmente reformado pela prefeitura da cidade, para contar a história de sua origem e de seu fundador.

    O local, totalmente reformado, com características de sua arquitetura original, recebeu o nome de Memorial Casa Faraco, e irá sediar exposições contando a trajetória da vinda dos italianos para Maués, além de dados sobre a comercialização do guaraná , à época. “Hoje estamos entregando a cidade de Maués a sua história. Aqui viveu um dos homens mais visionários que nossa cidade já recebeu – José Faraco, italiano, que descobriu o potencial do fruto do guaraná para comercializar no Brasil e no mundo”, conta o prefeito Júnior Leite (PSC).

     

    Auditório do Memorial Casa Faraco
    Auditório do Memorial Casa Faraco | Foto: Divulgação
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    Giuseppe era tão visionário que ele mesmo plantou mais 50 mil mudas de guaraná na região. No ano do centenário da República (1922), foi condecorado com uma medalha superpesada de ouro maciço, no Rio de Janeiro, capital do Brasil até então, como o ‘Rei do Guaraná’ pelo governo da época, em uma exposição agroindustrial que participará. "

    Júnior Leite, Prefeito de Maués

     

    Família Faraco popularizou o termo "Terra do Guaraná"

    Graças aos Faracos, Maués é conhecida como a Terra do Guaraná. Anteriormente, aepenas os índios Sateré-Mawé comercializavam o fruto da Amazônia, por meio de escambo ( troca por outros produtos).

    “A vontade do prefeito Júnior Leite de transformar nossa cidade em um grande polo referencial turístico é grande, tanto que o Memorial Casa Faraco está sendo entregue hoje. No memorial, o visitante terá acesso à exposição ‘Memórias do Município de Maués – Terra do Guaraná’, a qual permitirá que as novas gerações conheçam e visualizem de perto a importância não só do fruto, mas como da história destes desbravadores aqui na nossa terra”, disse o secretário de Cultura e Turismo, Denny Dorzane. 

     

    Prefeito Júnior Leite disse que estava entregando a Maués a sua própria história
    Prefeito Júnior Leite disse que estava entregando a Maués a sua própria história | Foto: Divulgação


    Sobre o edifício e a Família Faraco

     

    José Faraco
    José Faraco | Foto: Divulgação


    Em 1902, o italiano José (Giuseppe) Faraco, nascido em Acquafredda , Maratéa, Província de Potenza, Brasilicatta (Itália), chega a Maués para conhecer outro conterrâneo chamado Nicoló Filizola, que iniciava o comércio do guaraná. Faraco tornou-se sócio do empreendimento imediatamente.

    O edifício que hoje vai abrigar o Memorial, foi construído no mesmo ano por Faraco e serviu de residência à família até meados dos anos 40. A prefeitura arrematou o edifício em 1947 e fez dele sua sede, onde a noite funcionava também a Câmara Municipal.

     

    | Foto:

    Na década de 70, o prédio foi cedido ao Tribunal de Justiça do Amazonas, para sediar o Fórum da Comarca de Maués que funcionou até a segunda metade de 2009 e depois foi desativado devido à enchente daquele ano.

    As muitas reformas feitas na Casa Faraco descaracterizou a arquitetura original do primeiro prédio construído em alvenaria da cidade, com material trazido da Europa, telhas usadas na construção de arquitetura italiana, com sua escadaria voltada ao rio para a facilitação do recebimento e entrega de mercadorias.

    Rei do Guaraná

    O Rei do Guaraná, como era conhecido José Faraco, facilitava a comercialização do fruto em bastão, ralado por meio da língua de pirarucu, peixe típico da Amazônia.

    Além da comercialização do fruto, Faraco também investiu nas primeiras usinas de pau-rosa. Da madeira dessa árvore amazônica, extrai-se a essência do pau-rosa, redescoberta  pelos franceses para substituir o âmbar das baleias na produção de cosméticos. Hoje o pau-rosa é conhecido por ser o fixador do famoso Chanel nº 5, eternizado como o perfume da atriz Marilyn Monroe.

     

    Parte da casa antes de passar pela reforma
    Parte da casa antes de passar pela reforma | Foto: Divulgação

    Faraco teve uma mulher, filha de índígenas, cujo nome não é conhecido. Com ela, teve três filhos: Letícia Vitoria, Maria Dolores e Arthur Angelim, todos reconhecidos e com direito à educação formal, além de moradia na própria casa do pai.  Anos mais tarde, ele providenciou a vinda ao Brasil dos seus três filhos italianos: Biagio (Brás), Francesca Emilia e Giovanni, após a morte repentina de sua esposa Carmela, na Itália.

    José Faraco retornou diversas vezes à Itália. Em 1939, estando naquele país, viu explodir o início da Segunda Guerra Mundial e não pôde mais retornar ao Brasil . Para seu desespero, todo o seu projeto comercial acabou por ser enterrado com ele, que morreu na Itália em 1946, triste e com complicações gástricas.  

    Brás Faraco é o único filho de José que permaneceu no Brasil . Era o pai do ex-governador interino do Amazonas, Raphael Faraco.

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    • Auditório do Memorial Casa Faraco | Foto: Divulgação
    • Sala de exposição do memorial | Foto: Divulgação
    • Prefeito Júnior Leite disse que estava entregando a Maués a sua própria história | Foto: Divulgação
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    • Parte da casa antes de passar pela reforma | Foto: Divulgação
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