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    A literatura no Amazonas: saiba mais sobre os 'escritores da floresta'

    O Amazonas tem um celeiro de escritores com obras que já ganharam repercussão mundial.

     

    Amazonas tem um celeiro de grandes escritores
    Amazonas tem um celeiro de grandes escritores | Foto: Divulgação

    O início da atividade literária no Estado do Amazonas começa com os relatos de Frei Gaspar de Carvajal escrivão da expedição do capitão Francisco Orellana, em viagem pela região para descobrir um novo mercado de especiarias e expandir o Cristianismo por meio das missões religiosas. Sendo assim, como a carta de Caminha, o relato de Carvajal é apenas de caráter informativo, ou seja, uma literatura voltada para documentar e registrar os fatos acontecidos em tais viagens. 

    De acordo com artigo do professor Geone Angioli, Professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, as obras "Sonetos" de Francisco Vitro José da Silveira e "Muhuraida" de Henrique João Wilkens (1785) falava dos índios, mas enaltecia, na verdade, o conquistador.

    Pelo instrumento eficaz da fé e da própria religião, a literatura no Amazonas passa a se consolidar como produção verdadeiramente literária, mesmo que seu teor inicial fosse de cunho superficial.

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    Tenreiro Aranha

    O primeiro poeta amazonense foi Bento de Figuereido Tenreiro Aranha (1769), que conseguiu produzir sua obra debruçando-se nos clássicos. Seu filho João Batista Tenreiro Aranha em 1850 foi nomeado Presidente da Província do Amazonas e nesse mesmo ano publicou textos ainda existentes da obra de seu pai.

    A figura de Tenreiro Aranha, apesar do vazio cultural que existia na época, merece destaque na região, devido à estagnação econômica e também pelo fato de não haver jornal impresso, portanto obra póstuma é de grande relevância histórica. Após a obra de Tenreiro Aranha surgiram poetas como Torquato Tapajós, Paulino de Brito, Maranhão Sobrinho, e outros mais.

    Fim do Período Áureo da Borracha

    O Período áureo da borracha no Amazonas chega ao fim, o ciclo de grandes negócios acaba e por conta disso o estado entra num período de depressão econômica que irá servir de inspiração para os escritores. Eles passam a produzir uma série de contos, romances, ensaios, crônicas, inpiradas nos lamentos da "depressão econômica" e de uma legião de novos pobres.

    Clube da Madrugada

     

    Escritores do Clube da Madrugada
    Escritores do Clube da Madrugada | Foto: Divulgação

    O Clube da Madrugada tem seu início nos anos 50 inspirado na geração modernista de 45, muito ligado à maneira de pensar regionalista. O clube finca os pés em Manaus com sua sede debaixo de uma árvore na Praça da Polícia e muitas produções foram realizadas a partir dessa formação clubista.  Por fim, a Literatura no Amazonas apresenta inúmeras fases . Mais recentemente, uma gama de grandes escritores e poetas traduzem a cultura do Amazonas em belas obras literárias.

    Tesouro da selva: conheça obras de escritores amazonenses

    O Amazonas é terra de vários autores renomados do cenário literário brasileiro.  O Portal EM TEMPO listou algumas das principais obras de autores destacados como Milton Hatoum, Márcio Souza, Aldisio Filgueira, Tenório Telles e Thiago de Mello.

    Dois irmãos - Milton Hatoum

     

    Escritos amazonense Milton Hatoum
    Escritos amazonense Milton Hatoum | Foto: Divulgação

    O segundo romance do aclamado escritor amazonense Milton Hatoum foi lançado em 2000, ganhou o Prêmio Jabuti de literatura brasileira na categoria de Melhor Romance e foi publicado nos Estados Unidos e diversos países da Europa. Passando-se em Manaus na época do Regime Militar, o livro narra a história da relação conturbada entre dois irmãos gêmeos, Yaqub e Omar, de uma família de ascendência libanesa.

    Junto com a família, moram Domingas, a empregada, e seu filho, um menino cuja infância é moldada justamente por esta condição: ser o filho da empregada. É este menino que, trinta anos depois dos acontecimentos, vai contar o que testemunhou calado: histórias de personagens que se entregaram ao incesto, à vingança e à paixão desmesurada. O livro virou minissérie na Rede Globo.

     

    Escritor Márcio Souza
    Escritor Márcio Souza | Foto: Divulgação

    Galvez - Imperador do Acre - Márcio Souza

    O livro marcou a estreia de Márcio Souza no meio literário, em 1976, e lhe concedeu o prêmio de escritor revelação da Associação Paulista de Críticos de Arte. A revista de críticas New Yorker definiu: “O livro é ao mesmo tempo uma delícia de comicidade e um conjunto de poucos prováveis, meio verdadeiras aventuras, recontadas com perícia e economia”.

    A obra conta a vida e a prodigiosa aventura de Dom Luiz Galvez Rodrigues de Aria nas fabulosas capitais amazônicas, e a burlesca conquista do território acreano contada com perfeito e justo equilíbrio de raciocínio, para a delícia dos leitores. Ambientado no fim do século XIX, mostra como o rápido avanço da revolução industrial multiplicou a demanda da borracha.

    Mad Maria - Marcio Souza

    O livro relata os episódios mais macabros e inacreditáveis dos registros históricos da construção da ferrovia, focando-se num período de três meses, Márcio Souza força o leitor a confrontar o inferno. A ferrovia Madeira-Mamoré integraria uma região rica em látex na Bolívia com a Amazônia, mas encontrou obstáculos descomunais: 19 cataratas, 227 milhas de pântanos e desfiladeiros, centenas de cobras e escorpiões, a exuberância da floresta amazônica além da malária.

    As obras inacabadas deixaram um saldo de 3,6 mil homens mortos, 30 mil hospitalizados e uma fortuna em dólares desperdiçada na selva. O engenheiro inglês Stephan Collier comandava com mãos de ferro a construção da ferrovia, liderando um enorme grupo de homens de todo o mundo, indispostos entre si, no meio de uma floresta selvagem, ameaçados por toda a sorte de infortúnios. O livro também virou minissérie.

     

    Escritor Aldísio Figueiras
    Escritor Aldísio Figueiras | Foto: Divulgação

    Estado De Sítio - Aldisio Filgueira

    Estado de Sítio foi a primeira obra de Aldisio Filgueira, publicada em 1968, e ganhou nova versão em 2018, contando a trajetória literária do autor. Enuncia um posicionamento diante do mundo, ao mesmo tempo em que labora sua lírica com fundamento filosófico e estético.

    Cidades do Puro Nada - Aldisio Filgueira

    Livro mais recente do autor Aldisio Filgueira, a obra reúne poesias com o tema mais celebrado do escritor: a cidade de Manaus. Com tom de crítica social, Aldisio descreve sobre o crescimento populacional desenfreado na capital do Amazonas.

     

    Tenório Telles, professor, escritor e poeta
    Tenório Telles, professor, escritor e poeta | Foto: Divulgação

    Renovação - Tenório Telles

    A coletânea de crônicas do amazonense Tenório Telles, lançada em 2013, reúne obras publicadas ao longo de 15 anos de carreira do autor, com reflexões sobre acontecimentos cotidianos e temas sociais. A vida ganha com este livro um sentido superior, e a sua preocupação está em apelar para os homens para que eles não se esqueçam de que cada ação traz com ela as suas consequências, sejam boas ou más. Tenório Telles quer que os seus leitores conheçam as situações e as personalidades que mudaram o curso da História.

    Em entrevista ao EM TEMPO, Tenório disse que percebeu que seria escritor ainda no ensino médio." Tive um professor que estimulava a leitura e a escrita na sala de aula. Com o professor Valadares descobri Gregório de Matos, Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu, Castro Alves, Augusto dos Anjos, Manuel Bandeira, entre outros. Foi nessa época que escrevi meus primeiros poemas e crônicas. Aí brotou meu fascínio pelas palavras.


     

    Escritor e poeta Thiago de Melo
    Escritor e poeta Thiago de Melo | Foto: Divulgação

    Faz Escuro Mas Eu Canto: Porque a Manhã Vai Chegar - Thiago de Mello

    O livro resgata os contornos verdadeiros das coisas e das almas - o amor ferido, as cantigas de roda, o açude, a fome, os sem-terra, entre outros. Em sua obra, Thiago de Mello inspira coragem e reacende a esperança de dias melhores.

    Os Estatutos do Homem – Thiago de Mello

    O livro de poemas se consagrou como um dos mais famosos da literatura brasileira. Este poema é uma afirmação dos valores eternos do homem. Na edição mais atual, há um depoimento de Pablo Neruda, poeta de quem Thiago foi muito amigo.

    Sobre a arte, Thiago de Melo tem sua versão. “A arte tem que estra presente como uma parte importante na construção de uma sociedade humana solidária”. Na opinião do poeta, o mundo atual sente cada vez mais falta da “delicadeza de fazer você levar e dar aquilo que você está sentindo para outra pessoa”. Assim, delicada é a literatura do "poeta da floresta".

    *Gláucia Chair e Ana Gadelha

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