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    Produção no AM


    Inspirado em Clarice Lispector, “Lua vermelha” é lançado no AM

    Na obra, os textos, escritos por Vanessa Pimentel, são entrelaçados a recortes precisos de grandes obras da escritora Clarice Lispector

     

    Com roteiro e direção geral assinados pela artista, Lua Vermelha é uma reflexão sobre a vida e o universo feminino
    Com roteiro e direção geral assinados pela artista, Lua Vermelha é uma reflexão sobre a vida e o universo feminino | Foto: Leandro Iung

    Manaus (AM)- Será lançado nos próximo dia 10 de dezembro, às 20h, via Youtube, com acesso gratuito, o produto cultural híbrido chamado "Lua Vermelha– Clarice: O caminho de dentro", voltado para o feminino, o subjetivo, o oculto, com texto autoral e recortes de obras literárias da escritora Clarice Lispector. 

    A atriz, diretora, roteirista, arte-educadora e jornalista Vanessa Pimentel, que possui mais de 25 anos de carreira no teatro, na televisão, publicidade e no cinema, decidiu transformar seus pensamentos e inquietações, oriundos da pandemia, em um produto.

    Com roteiro e direção geral assinados pela artista, Lua Vermelha é uma reflexão sobre a vida e o universo feminino, fruto de um processo múltiplo de experimentações e re (descobertas) que converge, de uma forma sensível e muito particular, para a união de três linguagens artísticas: o teatro, o cinema e a literatura.

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    Minhas referências ao criar o Lua Vermelha tem muito haver com a minha paixão pelo cinema de arte, pela fotografia e outras estéticas. Desde o início, o meu objetivo foi construir uma obra artística que fosse antes de tudo, poética e imagética, e que eu pudesse imprimir, ao máximo, as minhas vivências com o Xamanismo, e também a pesquisa de Cias como o grupo Vertigem, de São Paulo, que dialoga diretamente com o espaço, isto é, com a geografia da cena, principalmente, quando nos remetemos à natureza e aos monumentos históricos em que a personagem está inserida, e também aos arquétipos femininos contidos na própria dramaturgia, que seja na minha ou na da escritora Clarice Lispector "

    Vanessa Pimentel, atriz

    Roteiro 

     

    O projeto também é um ato de amor à Manaus
    O projeto também é um ato de amor à Manaus | Foto: Larissa Martins

    Na obra, os  textos, escritos por Vanessa Pimentel, são entrelaçados a recortes precisos de grandes obras da escritora Clarice Lispector, como “Perto do Coração Selvagem” (1943) e Água Viva (1973), e outras.

    Juntos, essas obras também emergem muitos psiquismos, memórias, emoções e sentimentos, que, por vezes, permitem que história de uma (a da personagem) sirva à da outra (a da escritora), e o espectador, em meio a isso,  no decorrer de cada ação, nem sempre saiba ao certo distinguir quem fala, pois a atmosfera que prevalece na  narrativa, é a de mistério, suspense, e esse detalhe, torna tudo, ainda mais bonito e  interessante.

    O roteiro é dividido em oito atos, extremamente poéticos e imagéticos, são eles: "Cinzas da Primavera", "As faces de Eva", "Obscuro Objeto do Desejo", "Insustentável Leveza", "Retratos e Memórias", "Uma pálida sombra", "Doce Vertigem" e "O ópio da terra".

    Desafios 

     

    O projeto também é dedicado ao centenário da escritora Clarice Lispector
    O projeto também é dedicado ao centenário da escritora Clarice Lispector | Foto: Larissa Martins

    Vanessa conta que, ao longo do processo de pré e produção do projeto,  além de seguir todos os protocolos recomendados pelas autoridades de saúde do país, também precisou reduzir sua equipe de trabalho.

    O projeto também é um ato de amor à Manaus, e um convite para redescobrir a cidade através do olhar mágico, poético, literário ritualístico e feminino, da personagem Clarice, que ao longo das cenas, passeia por inúmeros espaços, monumentos e equipamentos culturais como a Praça Dom Pedro II, localizada no Centro Histórico de Manaus; Praça Heliodoro Balbi, antiga ‘Praça da Polícia’; Palácio Rio Negro (área de jardim); Parque Senador Jefferson Peres e o Igarapé Água Branca, último igarapé limpo de Manaus, localizado no Bairro Tarumã, elencado pela diretora, como uma forma de homenagem à cultura e à Floresta Amazônica.

    "Lua Vermelha" foi contemplado no Edital Prêmio Feliciano Lana, no ano de 2020, através da captação de recursos via Lei Aldir Blanc, e contou com o apoio do Governo do Amazonas, através da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e do Governo Federal, da Secretaria Especial da Cultura, e também da Fundação de Cultura, Turismo e Eventos-ManausCult.

    Centenário de Clarice Lispector

    O projeto também é dedicado ao centenário da escritora Clarice Lispector, celebrado no dia 10 de dezembro de 2020. Nascida em 1920, em uma família Judaica Russa, Clarice veio para o Brasil, quando ainda era uma criança de colo, fugindo do extremismo da Primeira Guerra Mundial. O nordeste foi o seu primeiro lar, onde viveu até os 14 anos de idade. 

    Apesar de ter morado primeiro em  Maceió, e  a maior parte da vida no Rio de Janeiro, em entrevistas, a escritora tinha orgulho de se declarar pernambucana, cenário inclusive, de uma das suas obras chamada ‘Felicidade Clandestina', publicada em 1971, que reúne 25 contos que falam de infância adolescência e família, e acima de tudo, as angústias da alma.

    Para assistir, acesse:  https://bit.ly/youtubeluavermelha

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