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    CULTURA


    Artista plástico Moacir Andrade terá ala especial em museu de Manaus

    Artista plástico amazonense Moacir Andrade, falecido em 2016, levou a arte amazonense para as galerias do Brasil e do mundo

     

    As suas obras, retratando a vida do ribeirinho e a Amazônia, são reconhecidas internacionalmente.
    As suas obras, retratando a vida do ribeirinho e a Amazônia, são reconhecidas internacionalmente. | Foto: Divulgação

    Manaus (AM) - O Museu da Cidade de Manaus (Muma) reabre à população com uma nova ala dedicada ao pintor Moacir Couto de Andrade. Artitsta multitalentos, escritor, professor, Moacir Andrade formou gerações de pintores e levou a arte amazonense para galerias e colecionadores do Brasil e do mundo.

    O novo espaço que homenageará o amazonense será composto por uma antessala e sala principal, onde será instalado o ateliê do artista, que foi doado pela família, para que a população e visitantes conheçam parte do acervo particular e o processo criativo de Moacir Andrade. 

    A filha do artista, Gracimoema Andrade, ressaltou que a ideia de doar para o museu público municipal é uma forma de compartilhar o amor às artes que seu pai produziu com tanta paixão e energia.

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    O acervo que meu pai deixou é o resumo de uma vida inteira de trabalho, de amor pela arte, de um apaixonado pela vida, pelas pessoas, pelo que fazia. Ele gostava de ensinar em praças públicas, era apaixonado pelo Amazonas, por tudo que ele fazia com muito amor. "

    Gracimoema Andrade, filha do artista

     

    O espaço de memória vai contar a história do artista por diferentes ângulos ressaltou o diretor do Museu, Leonardo Novellino.

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    Estamos felizes com esse presente que Manaus está recebendo desse profícuo artista, que produziu bastante e com qualidade, no seu estilo pictórico, sendo fiel a imagem e não idealizando o nosso paisagismo amazônico, ao contrário, reproduziu o que temos de tão lindo e maravilhoso. E especificamente esse lugar será um espaço de memória enquanto cidadão, pai e grande artista. "

    Leonardo Novellino, diretor do Museu

     

    Moacir Andrade, uma lenda amazônica

    Nascido em 17 de março de 1927, em Manaus, na Santa Casa de Misericórdia, Moacir Andrade passou sua primeira infância com os pais no interior do Estado. A majestosa floresta, os paradisíacos cenários amazônicos e suas gentes marcaram profundamente sua memória afetiva, representada em toda a sua obra.

    No livro biográfico "Moacir Andrade - Uma Lenda Amazônica", publicado em 2010, o autor José Roberto Girão de Alencar, reproduz um artigo do intelectual Eurico Andrade Alves, publicado no jornal Correio da Feira, no município de mesmo nome, em Portugal, narrando a biografia e feitos à altura e grandeza de um artista que fez a diferença em seu tempo, com sua vida e obra.

     O pintor e escritor morreu aos 89 anos, em 27 de julho de 2016, deixando um legado que foi muito além dos milhares de quadros e dezenas de livros, formou gerações de artistas e levou o nome do Amazonas e da Amazônia para muitos países. 

    As suas obras, retratando a vida do ribeirinho e a Amazônia, são reconhecidas internacionalmente, somando mais de 10 mil telas pintadas e dezenas de livros escritos, dentre eles “Manaus, Ruas, Fachadas e Varandas”, que resgata o patrimônio histórico da cidade.

      Artista com presença marcante na vida cultural do Amazonas, Moacir foi um destacado membro do Clube da Madrugada, ajudando no processo de renovação das expressões artísticas locais.  

    Organizou exposições, cursos de pintura para os jovens interessados em aprender a pintar. Essas atividades foram realizadas em espaços públicos, para que a população tivesse acesso.

    Como escritor, deixou importante contribuição para a literatura regional, com livros de ensaio sobre a cultura amazônica, poesia, memória e artes plásticas.

    Sua ligação com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam) foi duradoura, e Moacir tem sua trajetória pautada na evolução da Instituição.

    Em 1935, o artista ingressou aos oito anos de idade na Escola de Aprendizes e Artífices. 

    Na década de 70, tornou-se professor de desenho na então Escola Técnica Federal do Amazonas (Etfam), onde dedicou-se por mais de 20 anos de vida acadêmica. 

    Após se aposentar, Moacir de Andrade sempre esteve presente nas atividades desenvolvidas pelo Ifam, principalmente no Campus Manaus Centro (CMC), chamada carinhosamente por ele de “querida escola”, para a qual o artista plástico doou diversas obras, sendo homenageado em vida com o Museu Moacir Andrade.

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