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    Luto na cultura


    Relembre a vida e obras de Thiago de Mello, o poeta do Amazonas

    Reconhecido como um ícone da literatura regional no Amazonas e no Brasil, o poeta buscava trazer os dramas e desafios da sua época para dentro das suas obras

     

     

    O poeta completou 95 anos em 2021
    O poeta completou 95 anos em 2021 | Foto: Divulgação

    Manaus (AM) - Um dos poetas mais influentes e respeitados no país, o amazonense Thiago de Melo, morreu aos 95 anos, na manhã desta sexta-feira (14). Reconhecido como um ícone da literatura regional no Amazonas e no Brasil, o Em Tempo relembra as principais obras do escritor. 

    Com um grande talento para a escrita, o poeta buscava trazer os dramas e desafios da sua época para dentro das suas obras. Uma das suas principais marcas era envolver os relatos da sua vida com o seu trabalho. 

     

    O "Silêncio e Palavra" sua primeira obra, que foi aclamada pela crítica
    O "Silêncio e Palavra" sua primeira obra, que foi aclamada pela crítica | Foto: Divulgação

    Uma obra que ocupar um lugar central em sua trajetória é "Silêncio e Palavra", publicado em 1951. O trabalho marca o reconhecimento ao seu talento, e  foi saudado pela crítica da época, merecendo elogios de ensaístas do porte de Álvaro Lins, Otto Maria Carpeaux, Gilberto Freyre, entre outros. Com intenso conteúdo humano, evidencia toda a força e intensidade poética que marcam a sua poesia.

    Um dos exemplos é usar a sua vivência na ditadura militar para dentro de suas poesias. A obra "Estatuto do Homem" possuía forte conteúdo político. Indignado com o Ato Institucional nº. 1 e por ver a tortura ser empregada como método de interrogatório, escreveu o seu poema mais famoso. 

    Outra obra que marcou a sua trajetória, foi o poema "Madrugada Camponesa", de 1965. Um de seus versos – “Faz escuro mas eu canto” – se tornou, em 2017, o lema do 14º Congresso do PCdoB e marcou a literatura brasileira.

    Sobre a arte, Thiago de Melo tem sua versão. “A arte tem que estra presente como uma parte importante na construção de uma sociedade humana solidária”. Na opinião do poeta, o mundo atual sente cada vez mais falta da “delicadeza de fazer você levar e dar aquilo que você está sentindo para outra pessoa”. Assim, delicada é a literatura do "poeta da floresta".

    Obras de Thiago de Melo 

    Poesia

    Silêncio e Palavra, 1951

    Narciso Cego, 1952

    A Lenda da Rosa, 1956

    Faz Escuro, mas eu Canto, 1965

    A Canção do Amor Armado, 1966

    Poesia comprometida com a minha e a tua vida, 1975

    Os Estatutos do Homem, 1977

    Horóscopo para os que estão Vivos, 1984

    Mormaço na Floresta, 1984

    Vento Geral – Poesia 1951-1981, 1981

    Num Campo de Margaridas, 1986

    De uma Vez por Todas, 1996

    Prosa

    A Estrela da Manhã, 1968;

    Arte e Ciência de Empinar Papagaio, 1983

    Manaus, Amor e Memória, 1984

    Amazonas, Pátria da Água, 1991

    Amazônia — A Menina dos Olhos do Mundo, 1992

    O Povo sabe o que Diz, 1993

    Borges na Luz de Borges, 1993

    Vida do poeta

     

    Thiago de Mello nasceu em Barreirinha, no interior do Amazonas
    Thiago de Mello nasceu em Barreirinha, no interior do Amazonas | Foto: Divulgação

    Thiago de Mello nasceu em Barreirinha, no interior do Amazonas. Ainda criança, Tmudou-se com a família para Manaus, onde iniciou seus estudos no Grupo Escolar Barão do Rio Branco e, depois, no Ginásio Pedro II. Dez anos mais tarde mudou-se para o Rio de Janeiro e, em 1950, ingressou na Faculdade Nacional de Medicina, mas não chegou a concluir o curso para seguir a carreira literária.

    Durante a década de 50, colaborou com veículos de oposição ao governo de Getúlio Vargas, fundou a Editora Hipocampo e dirigiu o Departamento Cultural da Prefeitura Municipal da Cidade do Rio de Janeiro. Após um período servindo no Itamarati como agente diplomático de cultura do Brasil na Bolívia e, posteriormente, no Chile (onde conheceu o poeta Pablo Neruda).

      Em 1965, retorna para o Brasil, porém 3 anos após a sua chegada é perseguido pelo regime militar e se vê forçado a viajar novamente para Santiago (Chile), onde permanece exilado por 10 anos, tempo suficiente para escrever algumas de suas maiores obras que lhe renderam também um prêmio concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, ainda durante o regime militar, tornando-o conhecido internacionalmente como um intelectual engajado na luta pelos Direitos Humanos.  

    Após a sua cassação política, também viajou para vários para vários países, rumando a Europa. Em 2021 completou 95 anos de idade.

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