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    Cultura


    Disco do Barão Vermelho com Cazuza é relançado com música inédita

    Primeiro álbum do Barão Vermelho foi lançado em 1982
     
    Não é possível compreender razoavelmente a sintaxe do rock nacional sem ouvir com atenção esse disco, gravado há 30 anos pelo quinteto Barão Vermelho. Remasterizado agora pela Som Livre, 'Barão Vermelho' (1982) reedita todas as faixas originais em nova mixagem e traz uma canção inédita, 'Sorte e Azar'.
    Os integrantes originais do grupo regravaram os instrumentos no ano passado, emparelhando um som menos precário à voz de Cazuza, força sobrenatural que era o abre-alas, a poética e a consciência da banda.
    Quando apareceu, o Barão Vermelho tinha pinta de banda de playboys que tinha aprendido a imitar uns riffs de Keith Richards na guitarra e uns acordes de Jerry Lee Lewis no teclado. O que os diferenciava? A poética suja de Cazuza, beatnik do Leblon, que incorporava termos de uso corrente, mas tidos como 'degenerados' pela legalidade semântica.
    "Como pode alguém ser tão demente, porra-louca/inconsequente/ e ainda amar, ver o amor/como um abraço curto pra não sufocar?", cantava, em 'Bilhetinho Azul'.
    Parece traição histórica regravar todos os instrumentos em 2012, remixando o disco novamente. "Era um trabalho de adolescente", explicou o baixista Dé, da formação original, alegando que aquela precariedade inicial nunca os deixou satisfeitos.
    A voz de Cazuza encaixava-se naquela instrumentação ingênua como uma lufada de sinceridade. Ele não era messiânico, não tinha intenção de apontar caminhos para ninguém, apenas escapar salvo e são das balas de quem lhe queria bem - só para citar um artista do mesmo naipe que o precedeu, Belchior.
    Poeta de ambição popular como Noel Rosa ou Cartola, Cazuza vasculhou a alma torta de sua geração com o espírito aberto, sem medo nem preconceito.