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    Cultura


    Vinícius: 100 anos de um gênio da arte poética

    A literatura brasileira celebra neste ano de 2013 o centenário do multiarticulador de palavras, Vinicius de Moraes, nascido em 19 de outubro de 1913.

    O escritor e poeta carioca é considerado mais que um gênio por unanimidade. Contudo, há quem prefira partir da premissa ‘toda unanimidade é burra’, de Nelson Rodrigues, para olhá-lo como um machista por natureza, escondido atrás de centenas de belas frases românticas.

    O radialista Joaquim Marinho é uma das personalidades locais que guardam na memória as boas impressões do artista. Marinho foi o responsável, nos anos 1970, pela primeira e única visita de Vinícius a Manaus, onde chegou a fazer dois shows em uma semana de estadia.

    “Ele cantou no Olímpico e no Rio Negro Clube, ao lado de outros nomes da época, como o Quarteto em Cy. Ele foi, sem dúvidas, uma das melhores personalidades desse país”, diz o radialista.

    O também poeta e jornalista, Aldísio Filgueiras, enfatiza que Vinícius de Moraes foi um espinho de garganta na ‘carolice’ da sociedade brasileira, que acredita no paletó e gravata como símbolo do bom comportamento e da seriedade.

    “É por isso que o coralinho branco é também o emblema do crime contra o dinheiro público e já está identificado que os piores psicopatas são os melhores vizinhos”, afirma Filgueiras ao lembrar que Vinícius era diplomata e o Itamaraty o odiava.

    Na contramão de direção, o poeta Dori Carvalho acredita que houve, sim, um certo distanciamento dos conservadores da poesia para com a obra de Vinícius por ter se tornado tão popular.

    “A obra dele não diminuiu para se tornar popular. As pessoas simplesmente gostavam dele, pelas coisas grandiosas que escrevia. A letra de ‘Operário em construção’, por exemplo, em nada depõe contra o aspecto crítico que possuía, ao falar sobre o trabalhador do mundo. Eu mesmo, quando jovem, tinha algum preconceito sobre isso. Achava-o sentimentalóide. Mas uma entrevista de Chico Buarque, defendendo Vinícius me fez pensar melhor”, revela.

    Vinícius em Manaus
    Ainda nos idos de 1972, o poeta, escritor, compositor e cronista (como lembra Dori Carvalho ao mencionar o texto “Pátria minha” de Vinícius) carioca esteve em Manaus e, como lembram o jornalista Mário Adolfo e o compositor Zeca Torres, visitou um dos bares mais antigos e conhecidos da cidade, o Bar do Caldeira (que fica na esquina das ruas Lobo D'Almada e José Clemente, no Centro).

    “Lá, ele deixou um bilhete, em forma de "atestado", registrando a sua alegria em estar ali. Não sou frequentador do lugar, mas se não me engano esse documento ainda existe por lá, emoldurado na parede. Foi um momento histórico para a vida boêmia-artística de nossa cidade”, diz Torres.

    Falando em bar, Mário Adolfo (fã inconteste do ‘poetinha’) mantém há 20 anos um bar na própria residência, batizado de Vinícius de Moraes, totalmente caracterizado.

    Ainda nessa época, Aldísio Filgueiras, então repórter de jornal, entrevistou o poeta. “Juntos, acabamos bebendo demais e não consegui escrever a matéria. Tive que ditá-la”, lembra.