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    Crimes em família expõem série de elementos que podem servir de estudo

    O comportamento de Jimmy se encaixa em uma teoria bastante discutida no momento – foto: arquivo EM TEMPO/Danilo Mello

    Pesquisadores afirmam que a tragédia da família Belota – o triplo assassinato que chocou Manaus há quase duas semanas - é interessante e pode se tornar um excelente objeto de estudos e pesquisas desenvolvidas nos campos da psiquiatria, da psicologia e da criminologia.

    Para o cientista social e mestre em direito penal, Raimundo Pontes Filho, existem aspectos a serem analisados, como os fatores, circunstâncias e a personalidade dos autores.

    Na opinião do pesquisador, os estudos e pesquisas sobre o caso Jimmy ou caso ‘Belota’ podem ser importantes para que, no presente e no futuro, se possam produzir recomendações a fim de prevenir que crimes como estes não mais aconteçam ou, se forem cometidos, não o sejam com frequência.

    Pontes Filho afirma que Jimmy por si só pode ser um ótimo personagem para pesquisas. O sociólogo afirma que o publicitário Jimmy Robert Queiroz Brito, apontado como o mentor do triplo assassinato dos Belota, pode ser um ator cujo comportamento se torna parâmetro para questionar o nível de discernimento do ser humano.

    Na opinião do sociólogo, isso ocorre a partir do momento em que Jimmy coloca os valores materiais em um nível superior aos valores da convivência e da própria vida. “Tudo para satisfazer seus desejos físicos e materiais”, afirma.

    O comportamento de Jimmy se encaixa em uma teoria bastante discutida no momento por causa de seus efeitos, que é o materialismo e o consumismo. Isso se faz presente quando o ator (Jimmy) busca solucionar de modo rápido o seu desejo e opta por uma vida ilícita e de riscos. “Importa é o ‘ter’, não importa como”, afirma o sociólogo.

    Pontes Filho afirma ainda que o caso ‘Belota’ pode ser uma analogia aos setes pecados capitais por ter no roteiro da tragédia todos os elementos do campo deste conceito sociológico.

    A ira, por exemplo, se faz presente com o desejo de vingança, o requinte de crueldade com que as vítimas foram assassinadas.

    A avareza, que é o apego ao dinheiro de forma exagerada, desejo de adquirir bens materiais. Esse pecado capital está implícito quando os suspeitos planejam e praticam o crime para se apossar da herança do pai de Jimmy, o aposentado Roberval Roberto.

    A luxúria ocorre quando Jimmy e o namorado Rodrigo demonstram o apego à valorização aos prazeres sexuais a ponto de serem cúmplices em um crime. A preguiça, que é a falta de vontade para o trabalho, se configura quando todos os atores envolvidos optam em praticarem o crime do que trabalharem para satisfazerem ao desejo consumista.

    A vaidade é quando os suspeitos, principalmente Jimmy, demonstram preocupação excessiva com o aspecto físico para conquistar a admiração dos outros. A soberba e a gula, apesar de estarem em menor escala, podem ser ilustrados quando Jimmy diz em seu depoimento que decidiu matar Gabriela ‘por ela ter tudo e ele não ter nada’.