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    Presos recusam algemas e matam detento a estocadas no Ipat

    dia10-09-01-13A rebelião terminou por volta das 14h depois que os presos aceitaram retornar às celas  - foto: Joel Rosa

    Um detento foi morto com golpes de estoque durante uma rebelião que durou quatro horas, nesta quarta-feira (09), no Instituto Penal Antonio Antonio Trindade (Ipat), localizado no km 8 da BR 174 (Manaus-Boa Vista).

    De acordo com o diretor do presídio, Claudiomar Duarte Freire, a revolta iniciou por volta das 10h e foi provocada depois que os detentos que estava no banho de sol se recusaram a voltar às celas.

    A recusa foi comandada pelos líderes dos três pavilhões que incitaram os demais internos a descumprir as rígidas medidas disciplinares impostas pela cúpula da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejus), principalmente o uso de algemas.

    Durante o tumulto, o preso Raimundo Natalino Rodrigues Sampaio, 34, foi morto com várias estocadas pelo corpo no pavilhão A. Após a agressão, ele foi entregue pelos próprios rebelados aos agentes de disciplina e atendido na enfermaria da unidade, onde não resistiu aos ferimentos e morreu.

    De acordo com o secretário executivo da Sejus, Bernardo Encarnação, a vítima estava presa desde o dia 15 de junho de 2012 e respondia pelo crime de tráfico de drogas e assalto.

    A situação ficou ainda mais tensa depois que os presos recusaram o almoço e ficaram no pátio exigindo o fim das novas regras impostas a eles, principalmente o uso das algemas.

    Foi chamado reforço e 150 homens do Batalhão de choque, da Rocam e de Força Tática chegaram para tentar conter a revolta. O presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM), Epitácio Almeida, foi acompanhar a negociação.

    Do lado de fora, a situação também era tensa. Cerca de cinquenta parentes de presos choravam, gritavam e protestavam por não conseguirem informações do que estavam ocorrendo dentro do presídio.

    A gritaria aumentou depois que se espalhou a notícia de que um dos presos tinha sido assassinado e que outros cinco prisioneiro tinham sido feridos, informação depois desmentida pelo representante da CDH e pelo comandante da Companhia de Policiamento Especializado (CPE), tenente-coronel Aroldo Ribeiro.

    A rebelião terminou por volta das 14h depois que os presos aceitaram retornar às celas sem terem suas reivindicações atendidas.