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    Educação ambiental


    A falta de cuidado com nossa cidade

    Como pessoas responsáveis pelo bem da sociedade, deveríamos despertar homens e mulheres para o cuidado da convivência que hoje engloba o meio ambiente, a casa comum

    Escrito por Dom Leonardo Steiner no dia 25 de junho de 2021 - 21:21

    Dom Leonardo Ulrich Steiner

    Arcebispo de Manaus

     

    A ausência de lixeiras visíveis e grande número seria sinal de uma cidade que preza pela sua beleza e convívio
    A ausência de lixeiras visíveis e grande número seria sinal de uma cidade que preza pela sua beleza e convívio | Foto: Divulgação


    Os oceanos recebem tanto lixo que se tornaram uma lixeira. Nossos rios estão sempre mais poluídos, nossos igarapés nesse tempo de cheia revelam o quanto de lixo jogamos no lugar errado. É lastimável o quanto de lixo jogamos na calçada, jogamos pela janela do carro, atiramos nos igarapés. É lastimável a ausência de uma cultura do cuidado com a cidade, a ausência de uma educação que cuida do meio ambiente, da casa comum.

    A ausência de lixeiras visíveis e grande número seria sinal de uma cidade que preza pela sua beleza e convívio. Quem deseja viver numa cidade suja e mail cuidada? Para onde vai o lixo, especialmente o lixo plástico que permanece por mais tempo na natureza? Para os rios e dos rios para o mar. Existem pesquisas alarmantes quanto à presença do plástico nos oceanos. “A ingestão de plástico é hoje um dos principais problemas para a conservação das espécies de tartarugas marinhas tanto pela mortalidade direta como por todos os problemas crônicos decorrentes de sua ingestão, como contaminação por poluentes, por exemplo” (Robson Guimarães dos Santos, professor da Universidade Federal de Alagoas,  https://g1.globo.com/natureza/desafio-natureza/noticia).

      Elas e outros animais não distinguem entre plástico e alimento, levando à morte por obstruir trato gastrointestinal. 80% do lixo encontrado hoje no mar provém de atividade humana na terra que foi jogadoem praias e ruas, antes de chegar aos oceanos, e 20% de atividades pesqueiras, turismo, mergulhos, entre outras realizadas no mar. O Fórum Econômico Mundial chega a firmar que, em 2050, os mares e oceanos terão mais plásticos do que peixes (https://www.weforum.org/press). É uma constatação quase estarrecedora.  


    Além do lixo continuamos a lançar nos rios o esgoto da cidade, para não dizer o esgoto das nossas cidades. “Na questão coleta de esgoto (...) somente 12% dos habitantes da capital têm coleta de esgoto, segundo o Ranking do Saneamento 2020 do Instituto Trata Brasil, com base no SNIS – 2018 (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento). Os maiores desafios no tratamento de esgoto ainda são no Norte do país, que tem nove cidades no ranking das dez piores. No ranking geral, Manaus ficou em 96º lugar.” (Portal Tratamento de Água).

    Para onde vai o esgoto? Igarapés ... rios ... mar. É difícil entender o descuido com o saneamento básico em nossa cidade e no Estado do Amazonas. Temos pequenos gestos que podem ajudar. Outro dia, esperando para ser atendido numa  na fila, observo uma criança que apresenta à mãe o papel que envolvia o seu doce. A mãe olha ao redor e não vê a lixeira; recebe e segura o papel na mão e agradece à criança. Ou então o menino que deseja entregar ao pai o invólucro da bala. O pai olha ao redor vê a lixeira, toma o menino pela mão e o leva até a lixeira. Ergue o menino que olha para dentro e deixa cair o pedaço de papel. Educação, cultura do cuidado!

      Parece pouco. Nesse pouco está o segredo da transformação: sempre menos pessoas lançando papel e latinha de refringente pela janela do carro, sempre menos pessoas deixando lixo fora da lixeira; uma cidade cuidado e limpa. Como pessoas responsáveis pelo bem da sociedade, deveríamos despertar homens e mulheres para o cuidado da convivência que hoje engloba o meio ambiente, a casa comum.  


    Deveriam ser implementadas três ações quanto ao plástico: reduzir o consumo, reutilizar e reciclar. Quanto ao saneamento: exigir o cumprimento da lei, das metas. A natureza agradece e as gerações futuras também. Estamos destruindo a barca que nos leva pelas águas do Rio Mar. Temos que sair dessa inércia em relação à Casa Comum.


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