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    Fraternidade


    Por falar em ecumenismo

    Há muita ação ecumênica no meio do povo simples das nossas comunidades quando enfrentam os problemas comuns juntos. A Campanha da Fraternidade é uma ocasião para celebrar estas pequenas conquistas como sinais do Reino de Deus que já está entre nós

    Escrito por Dom Sérgio Castriani no dia 19 de janeiro de 2021 - 21:22

    Dom Sérgio Castriani

    Arcebispo emérito de Manaus

     

    | Foto: Divulgação

    A próxima Campanha da Fraternidade será Ecumênica. Isto quer dizer que ela foi preparada e está sob a responsabilidade do CONIC. É importante termos uma Campanha da Fraternidade ecumênica, neste ano ainda marcado pela pandemia que esperamos vencer e reconstruir nossas relações. Diante da tragédia que está se delineando, com a falência dos serviços públicos de saúde, fica difícil aceitar discípulos de Jesus divididos. A realidade mostra que somos todos iguais diante da vida e se quisermos ter um futuro na terra temos que deixar para trás aquilo que nos divide e caminhar rumo a uma unidade que respeite a diversidade.

    Só descobriremos as nossas coisas boas através do diálogo. Diálogo profundo, não conversa fiada. Diálogo em que as partes se reconhecem como irmãs, partes uns dos outros, reconhece que o outro tem sua verdade. Buscar a fraternidade pelo diálogo é um compromisso que brota do amor. O diálogo, como qualquer outra experiência que quiser ser apresentada como cristã, vem do amor e leva ao amor. Deus realiza a união, a pandemia despertou a caridade na vida dos fiéis. Muita gente despertou para a solidariedade.

    A grande verdade é que Cristo é a nossa paz. Nele encontramos a resposta e a força para vivermos unidos. Ele pela sua cruz uniu os contrários e fez de dois povos um povo só. Do que era dividido fez uma unidade. Não tem sentido a desunião, sobretudo quando ela é destrutiva do outro. Se encontramos Jesus, ele nos apontará o caminho da unidade. Temos muitas causas comuns. Uma delas é a violência que aumentou nestes tempos de pandemia. Nossas comunidades de fé podem fazer muito neste sentido oferecendo serviços de atendimento psicológico. É preciso recorrer à ciência nos casos graves. Na luta pelos direitos das pessoas também podemos estar juntos.

    Não podemos permitir a politização das nossas comunidades e lideranças, que é o uso do sofrimento humano em proveito próprio. Todos são iguais diante das soluções para os seus problemas humanos. Ninguém é melhor do que ninguém por pertencer a esta ou àquela denominação religiosa. Jesus ao se fazer humano assumiu a humanidade toda.

    O Verbo ao se fazer carne assumiu a natureza humana e portanto se uniu a toda a humanidade. Ninguém está fora da ação da graça. Mesmo aqueles que não aceitam o cristianismo tal como existe historicamente estão fora do alcance do mistério da salvação. Os cristãos devem ser sinal desta redenção para o mundo. Por isto a divisão é um escândalo, e deveria nos fazer corar de vergonha.

    Há muita ação ecumênica no meio do povo simples das nossas comunidades quando enfrentam os problemas comuns juntos. A Campanha da Fraternidade é uma ocasião para celebrar estas pequenas conquistas como sinais do Reino de Deus que já está entre nós. Juntemos pequenos grupos de pessoas que acreditam na fraternidade universal. Não percamos nunca a esperança da paz entre as religiões, porque isto equivale a perder a esperança em Cristo. Mas as lideranças das diversas expressões religiosas do nosso país têm a obrigação histórica de declarar o respeito pelos outros. Juntar a pandemia uma questão religiosa seria demais para o nosso povo já tão sofrido.