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    Igreja Católica


    Cultura do cuidado, o discurso da igreja voltado à acolhida

    Cultura do cuidado. O discurso da Igreja vai sempre na direção da acolhida e na saída em direção ao pobre. Seguidora de Jesus, a moral católica vem do Evangelho. Por isto, fala-se de discernimento que pressupõem liberdade

    Escrito por Dom Sérgio Castriani no dia 02 de março de 2021 - 09:13

    Dom Sérgio Castriani

    Arcebispo emérito de Manaus

     

    | Foto: Divulgação

    Em todas as tragédias vividas pela humanidade através dos séculos, sempre existiram pessoas que deram a vida para salvar o que era salvável, e se tornaram dignos representantes da espécie humana, imagem e semelhança de Deus. Elevaram os humanos à dignidade de irmãos e dignificaram os seus sentimentos. Nas grandes tragédias surgiram grupos de homens e mulheres e seus membros enfrentavam a contaminação nas épocas de peste. Muitos morreram e foram sepultados em valas comuns.

    Os sofrimentos trazem à tona o que de melhor existe na sociedade humana. As pandemias são uma realidade recorrente na humanidade. Mas continuam sendo uma anormalidade e entre seus efeitos um é mostrar como somos fracos, desorganizados, e como é difícil tornar a massa humana  povo de Deus. Como os aproveitadores de sempre, estão ali com suas artimanhas preparados para enganar os incautos.

    A Igreja católica tem uma cultura da caridade que dá criatividade às comunidades para serem solidárias. Conversava eu com o Arcebispo de Manaus e lhe dizia que a Cáritas é a joia da coroa da Arquidiocese e a Igreja naturalmente se organiza para a solidariedade, porque no dia a dia a caridade existe e é valorizada. Não seria católica se não fosse assim.

    Faz parte da cultura católica a devoção aos santos. Vejamos alguns exemplos desta cultura católica. O primeiro é um santo muito querido: São Sebastião. Ele como mártir da fé foi invocado sobretudo na península Ibérica contra a peste. Gerações e gerações de católicos o veneram e o invocam neste sentido. Outro santo relacionado com a peste negra que assolou a Europa nos anos 300, chamava-se Roque, era francês foi para Roma, onde vendeu tudo o que tinha e foi viver no meio dos pobres e doentes para servi-los. São Roque foi inspirado por Deus a tomar banho numa fonte. Milagrosamente curado, um cão vinha lamber-lhe as feridas. O dono do cão seguiu-o e o encontrando levou-o de volta à França, onde se tornou um protetor contra a peste.

    A pandemia também cria os seus heróis e vilões. Hoje para os católicos um dos heróis é o Pe. Júlio Lancelot, por sua postura no atendimento à população de rua, mas também aos seus posicionamentos políticos.

    Cultura do cuidado. O discurso da Igreja vai sempre na direção da acolhida e na saída em direção ao pobre. Seguidora de Jesus, a moral católica vem do Evangelho. Por isto, fala-se de discernimento que pressupõem liberdade.

    A pregação de Jesus apresenta os valores do Reino. Mas Jesus foi rejeitado durante a sua vida terrena. Escribas e fariseus, doutores da lei e saduceus rejeitaram Jesus e o mataram. Hoje as ideias, forças da doutrina de Jesus, são aceitas por todos. Mas na hora de ativar esta doutrina, surgem tantas dificuldades que parece ser impossível. Este é um argumento de peso: não é possível neste mundo viver plenamente o Evangelho. O drama de nosso tempo é a ruptura entre evangelho e cultura. Se uma cultura nós temos é preciso evangelizá-la. Existe muita ambiguidade na questão cultural brasileira. Somos um povo cordato, onde a taxa de feminicídio não para de subir. Os nossos índices de desenvolvimento humano continuam a baixar. O importante seria não ter uma visão romântica do assunto.


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