Carreira


Dia do psicólogo: profissionais contam desafios do ofício na pandemia

Com diferentes realidades, psicólogas relatam que durante a pandemia a luta foi para equilibrar os sentimentos desencadeados em si e nos pacientes

Neste dia 27 é comemorado o dia deste profissional tão importante para a sociedade
Neste dia 27 é comemorado o dia deste profissional tão importante para a sociedade | Foto: Lucas Silva

Manaus - O psicólogo é um profissional capaz de entender o comportamento e funções mentais do ser humano, ajudando o indivíduo a manter uma boa saúde mental e prevenindo o desenvolvimento de doenças relacionadas à psique humana. Durante a pandemia, a procura por estes profissionais se tornou ainda maior, já que a necessidade de isolamento social e o cenário de risco desencadearam diversos tipos de transtornos mentais em muitas pessoas.

Neste dia 27 é comemorado o dia deste profissional tão importante para a sociedade e o EM TEMPO dá voz e espaço a algumas profissionais da área.

"Sozinho é bem mais difícil"

Amanda Tundis, 35, é psicóloga e mestre em psicologia clínica
Amanda Tundis, 35, é psicóloga e mestre em psicologia clínica | Foto: Lucas Silva

Amanda Tundis, 35, é psicóloga e mestre em psicologia clínica. Atua na profissão há mais de 12 anos, passando por municípios do interior do Amazonas e, no início de sua carreira, chegou até a participar de um projeto social no Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro. Ela conta que o maior desafio que enfrentou, e ainda enfrenta, é trabalhar o preconceito social contra os pacientes.

"No Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro atuávamos desmistificando o estigma e o conceito deturpado de 'loucura' aos moradores que residiam próximo ao Hospital. Trabalhar o preconceito com pessoas em sofrimento psíquico é com certeza um grande desafio profissional. Após este período e também pela carência de profissionais no interior do Amazonas logo fui trabalhar em regiões mais distantes como Juruá, Parintins e Manaquiri. Nestes locais os desafios culturais, logísticos, sociais e até políticos foram muitos, mas o sentimento de gratidão e da busca de sempre atuar de forma ética e profissional ficaram bem marcados em minha memória, assim como nos resultados que consegui alcançar com cada trabalho realizado" conta a psicóloga.

Ela explica que ao longo dos anos muitos psicólogos são formados com uma visão de carreira clínica, mas sua grande motivação sempre foi justamente fugir do habitual. Para ela, as instituições que se propõem a direcionar ao foco da Psicologia Social e Comunitária, conseguem ampliar o olhar destes estudantes para uma visão mais crítica e humana do outro.

Lidar com a pandemia

"Uma situação a ser levada em consideração se refere às dúvidas e incertezas diante do vírus, os conflitos intrafamiliares e a dificuldade de viver em isolamento, esta que também tem sido de nós profissionais. Ao mesmo tempo em que você precisa dar conta dos pacientes, você também precisa acionar seus recursos para lidar com o seu próprio sofrimento", explica a psicóloga.

Amanda relata ainda que os desafios na pandemia têm sido relacionados com os inúmeros diagnósticos de pânico, ansiedade e episódios depressivos, a falta de informação e até formação para lidar com os atendimentos mediados por tecnologia. Além de técnicas de abordagem com emergências, pandemias e desastres, que não é algo vivenciado nas formações de graduação no Brasil. 

Sobre as expectativas para o futuro, ela conta que um dos pontos de mudança que se espera é que o coletivo se torne mais presente e que o profissional de psicologia seja visto com novos olhos, valorizado por ser a pessoa qualificada capaz de resinificar os sofrimentos dos pacientes, além de oferecer o suporte necessário para o entendimento pessoal do indivíduo.

"Sem dúvida a pandemia e todo seu isolamento social que temos passado vai nos reforçar mais ainda a necessidade do nosso cuidado com a saúde mental. E não só com a nossa, mas um olhar diferenciado para os nossos familiares, amigos e colegas de trabalho. O profissional de psicologia passa a ganhar um novo olhar por parte até mesmo dos que possuíam aquela visão clássica de tudo ser tratado apenas com medicamento, pois é alguém que vai entender suas dores, medos, anseios e te orientar melhor a como agir com todos esses sentimentos. Podemos ter a certeza: sozinho é bem mais difícil!", finaliza a psicóloga.

Privilégio em atuar

Janaína Dias, 23, atua como psicóloga há quase três anos
Janaína Dias, 23, atua como psicóloga há quase três anos | Foto: Lucas Silva

Janaína Dias, 23, atua como psicóloga há quase três anos. Ela explica que a escolha da profissão, apesar de precoce, foi certeira. Sempre se manteve aberta para experimentar os diferentes âmbitos que a psicologia trabalha, vivendo muitos desafios diários na psicologia clínica, que apesar disso a fazem se sentir grata por poder exercer a profissão.

"Eu me sinto privilegiada em atuar na profissão que amo. Desde a escolha da graduação até hoje o meu  objetivo sempre foi pautado no desejo de ajudar pessoas. Tive a oportunidade e consegui escolher muito cedo a área que gostaria de atuar, e desde o início tem sido uma jornada de muitos desafios e experiências carregadas de aprendizado", conta. 

Ela conta que durante a quarentena os desafios se intensificaram, entre eles a adaptação dos atendimentos que passaram de presenciais a on-line, sendo necessárias diversas modificações importantes para a realização do trabalho clínico. 

"No início foram não foram mudanças fáceis, mas hoje acredito que podemos vislumbrar um horizonte de perspectivas e possibilidades dentro do fazer clínico psicológico. Estamos passando por uma crise sem precedentes, e o mundo pós pandemia, traz muitas interrogações e questionamentos, e o psicólogo, assim como a terapia terá o papel fundamental na reorganização e restruturação na saúde mental da população", relata a psicóloga Janaína.

Além disso, ela explica que em tempos de reclusão prolongada, a incerteza econômica e política atual vivida mundialmente traz impactos para o cotidiano individual e, consequentemente, para a saúde mental de todos. Jaqueline conta que a vivência de um período de quarentena pode trazer muitas frustrações e com elas angústias, ansiedade, estresse e, às vezes, transtornos mais sérios. Devido a isso, a busca pelo atendimento clínico tem crescido consideravelmente, os desafios se potencializaram, mas ela ainda mantém expectativas positivas para o futuro, em um cenário pós-pandemia.

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