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    Carreira


    Home office: como conciliar vida pessoal, profissional e familiar

    Segundo especialista, é necessário que os pais expliquem aos filhos sobre o atual situação mundial e encontrem espaços para aproveitar a família

    As profissionais tiveram que dividir horários para conciliar trabalho, filhos e vida pessoal | Foto: Reprodução

    Manaus – Trabalhar a distância sempre foi um estilo de trabalho desenvolvido em muitos países do mundo, mas no Brasil a forma de cumprir as jornadas de trabalho em casa se tornou uma saída para evitar a proliferação do novo Coronavírus no país. No entanto o método pode ser complicado de executar quando o trabalhador possui filhos pequenos em casa, em alguns casos pode ser difícil conciliar a vida profissional, familiar e pessoal no mesmo ambiente.

    Nas últimas semanas, as atividades escolares foram suspensas em todo o país, então os pequenos estão cada vez mais próximos dos pais, mas essa relação pode ser difícil de lidar uma vez que os pais ainda precisam cumprir seu trabalho em casa. De acordo com o Ministério da Saúde crianças de 0 a 10 anos costumam demandar mais a atenção dos pais e demoram a aceitar que o pedido nem sempre pode ser atendido, é o caso da designer Fabiana Oliveira que possui dois filhos, um de oito anos e outro de nove meses que ainda não se adaptaram a nova rotina da mãe.

    “Tem sido uma rotina bem estressante, eles ainda não entenderam que mesmo em casa eu trabalho, e para o mais velho o trabalho é só quando eu estou na rua. A minha profissão requer atenção e conciliar todas as funções não tem sido fácil. No início eu tentei fazer tudo ao mesmo tempo, mas acabei perdendo os meus trabalhos quando meu filho mexeu no computador sem eu perceber, então eu precisei separar um tempo para cada coisa”, explicou a mãe.

    Fabiana contou que precisou desenvolver uma estratégia para dividir seu tempo. Pela manhã e à tarde ela se dedica aos filhos, a noite e madrugada é o horário que ela encontrou para trabalhar. “Eu sinto me sinto sobrecarregada, pois viro as noites fazendo meu trabalho e sendo mãe o dia todo pois o bebê a acorda 5 horas da manhã e outro acorda cheio de energia. Sem falar que não sobra tempo para cuidar da casa com crianças correndo para todo lado, ainda bem que tenho a ajuda da minha mãe e tia, são minha rede de apoio, mas também já são idosas. Para mãe solteiras não existe a romantização do home office, a sobrecarga cai para a família inteira”, esclareceu Fabiana.

    Diálogo

    Casos como esses são comuns mesmo não estando em quarentena, mas segundo a psicopedagoga, Ana Michelle Martins o diálogo sempre será a porta de entendimento para a empatia, a percepção e a razão, independentemente da idade da criança.

    “Os pais precisam entender que essa é uma situação que exige colaboração e que no momento eles não estão sozinhos nesta condição, é preciso conversar sobre o que é home office, o motivo de precisarem trabalhar de casa, a situação atual e o porquê que não estão cumprindo essa jornada de trabalho como faziam anteriormente. A criança precisará ser estimulada dentro da maturação e idade cronológica de que papai/ mamãe estarão em um dado momento, em uma reunião de trabalho online, realizando uma atividade no computador ou em uma ligação importante", orienta.

    A profissional aconselha que a melhor saída é ocupar as crianças no maior tempo possível, mas deixá-las de frente para a televisão o dia todo não é uma opção. Os pais devem investir em atividades lúdicas e que façam os pequenos gastarem energia.

    “É preciso manter uma agenda colaborativa em que as crianças também participem das atividades domésticas dentro de suas capacidades, realizar exercícios de leitura e interpretação, fazer acompanhamentos das agendas escolares e aproveitar o momento para que os pais se aproximem mais da rotina dos filhos de forma criativa sem exigir muito esforço, pois cada família também exerce sua dinâmica e organização estabelecida de forma personalizada”, explicou a psicopedagoga.

    Heline e sua filha na nova rotina diária
    Heline e sua filha na nova rotina diária | Foto: Arquivo Pessoal

    A adaptação da rotina deu certo para a assistente social, Heline Maia, que ao descobrir a possibilidade de trabalhar home office, ela passou a buscar atividades que pudesse desenvolver em casa, junto com a filha de cinco anos.

    “Comprei alguns materiais básicos como E.V.A, tinta guache, ioiô, ping pong e pincéis, tudo para usar de forma simples e que me auxiliam a passar o tempo com ela e ainda aliando ao meu trabalho. Assim, consegui estabelecer tempo para trabalhar e cuidar dela, além de arrumar as coisas em casa.

    A assistente social contou que a conversar com a filha foi fundamental para que ela entendesse o momento em que ambas estão passando.

    “Eu passei a conversar com ela sobre os horários que preciso trabalhar e os que eu posso está com ela, então ela entende e até ficar sentada do meu lado enquanto trabalho, tem sido uma experiência bem tranquila”, destacou a mãe.

    Segundo Heliene, seu marido não foi liberado para trabalhar em casa, pois atua em umas das atividades essenciais neste momento, por isso acredita que a divisão de horários e o diálogo são essenciais em sua rotina.

    Valorizar cada momento

    A psicopedagoga orientou ainda que o isolamento social possibilita aos pais serem mais forte, presentes e atuantes na vida dos filhos. Segundo Ana, é preciso olhar e valorizar cada momento que a família passa junta

    “Isso traz um marco na história de suspensão de atividades rotineiras, mas jamais na suspensão do amor, pois o vínculo entre pais e filhos estão entrelaçados pela corrente  do companheirismo e da memória”, finalizou a profissional. 

    Assista à reportagem da TV Em Tempo:

    Confira | Autor: Samara Maciel/ TV EM TEMPO