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    Coronavírus


    Vagas de emprego no AM durante a pandemia já são raras

    Embora a oferta de empregos esteja pequena agora, antes mesmo da crise do coronavírus, o desemprego já estava em ascensão no Brasil

    Vagas já estavam em queda, mas se acentuam com a pandemia | Foto: Márcio James / Arquivo Semcom

    Manaus - Antes mesmo da nova pandemia do coronavírus, o Brasil já via os números de desemprego aumentarem. De dezembro de 2019 a fevereiro de 2020, antes do fechamento do comércio, o número de desempregados já havia alcançado 12,3 milhões de pessoas, 11,6¨% a mais do total anterior. A informação é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. E se antes, esses números já não iam bem, agora com crise econômica gerada pela pandemia, parecem ficar pior. 

    O Sine Manaus, da prefeitura e do Ministério do Trabalho, até o início da segunda semana de março ainda anunciava vagas de trabalho. Mas, de acordo com a assessoria do sistema, desde a semana passada, as empresas pararam de enviar aberturas de contratação de funcionários. Os únicos serviços ainda em funcionamento são os relacionados à carteira de trabalho digital e seguro desemprego., que agora são feitos on-line. 

    Sites de anúncios de vagas como OLX ainda têm oportunidades, mas a maioria apenas voltadas para serviços essenciais, como atendimentos recepção;  professor para aulas à distância; atendentes em supermercados; em barbearias e salões de beleza. 

    Vagas anunciadas na OLX na quinta-feira (2)
    Vagas anunciadas na OLX na quinta-feira (2) | Foto: Reprodução

    Quem contrata

    Uma mulher que se identificou apena como 'Lana' tem um salão de beleza em um bairro na Zona Oeste de Manaus. Ela anunciou uma vaga para 'designer de sobrancelha' na tarde desta quinta-feira em um site de empregos. 

    "Além dessa vaga, estou procurando alguém para fazer escovas em cabelo também. Já recebi alguns currículos e estou fazendo a seleção para depois contratar", conta Lana.

    Ela diz que apoia o isolamento social, mas não pode ficar sem trabalhar. "Dependo deste salão para comer e alimentar também minha família. Não posso parar, mas tenho tomado várias medidas de prevenção. Agora só atendo com hora marcada para evitar aglomeração no espaço", conta ela.

     5 mil vagas

    Empresa está com vagas abertas
    Empresa está com vagas abertas | Foto: Divulgação

    Recentemente a multinacional de supermercados Carrefour também ganhou os noticiários por, em plena pandemia, anunciar cinco mil novas vagas de emprego para todo o Brasil. Segundo a empresa, as novas contratações são para que consigam manter os atendimentos nos estabelecimentos, que são considerados essenciais e não podem parar. 

     Os postos de trabalho são para operador de loja, auxiliar de perecíveis, agente de prevenção, recepcionista de caixa, padeiro, peixeiro, técnico em manutenção, açougueiro, operador de centro de distribuição e vendedor de eletrodomésticos.

    Em comunicado à imprensa, o Carrefour informou que o processo é totalmente on-line e o candidato não precisará se deslocar para cumprir as etapas de seleção, incluindo entrevista e entrega de documentos, que deverão ser digitalizados. A ação visa preservar os interessados nas vagas e as equipes de recursos humanos, em decorrência da pandemia do coronavírus.

    Prevenção na seleção

    Grupo Tapajós criou comitê interno para lidar com a crise
    Grupo Tapajós criou comitê interno para lidar com a crise | Foto: Divulgação

    Além do Carrefour e seu processo de candidatura de vaga de emprego totalmente digital, outras empresas seguem com esse e outros métodos. No grupo de farmácias e distribuidora Tapajós a seleção para novos funcionários ainda ocorria até três semanas atrás.

    "A gente estava tendo cuidado durante a seleção. Inclusive temos um médico do trabalho que fazia uma triagem com os candidatos e media temperatura, por exemplo. Montamos até mesmo um comitê de combate ao coronavírus na empresa logo quando foi confirmado o primeiro caso no Brasil", conta a diretora de marketing, Emanuele Rodrigues.

     Mesmo com o atual quadro da empresa, o Grupo Tapajós montou medidas de prevenção ao novo coronavírus. Segundo Emanuele, cartazes de orientações foram espalhados pelos estabelecimentos  e diariamente um médico do trabalho examina os funcionários para saber se há manifestação de sintomas.

    "Tivemos cuidado também com os funcionários que são do grupo de risco. Idosos, diabéticos e hipertensos da empresa já estão trabalhando em casa desde que o primeiro caso de Covid-19 foi confirmado no Amazonas", comenta a diretora.

     Preocupação comercial

    Em reportagem do EM TEMPO, lojistas de Manaus disseram já terem registrado queda de até 80%. No setor de turismo, um dos mais impactados pela crise, hotéis e agências contabilizaram até 90% de redução no fluxo de viajantes. 

    Restaurantes e bares são outro setor prejudicado. Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a atual queda nos restaurantes é de 50% a 90% e para os bares, a porcentagem chega até 100% de perda de fluxo de clientes e consequentemente de vendas.

    Outro dado divulgado pelo EM TEMPO é a perda de 25% a 35% das vendas do comércio, o que pode ocasionar até cinco mil novos desempregados. A informação foi passada pela Câmara Dirigente dos Lojistas de Manaus (CDL-Manaus).

     A preocupação é externada pelo presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas (FCDL-AM), Ezra Benzion. Ele diz que não pode orientar novas contratações agora, mas sabe que setores essenciais têm registrado aumento de demanda. "Nosso foco agora está voltado não para novos empregos, mas sim manter os que já existem. Isso é muito importante".

    Anderson Frota, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM) segue pelo mesmo caminho. E lembra a realidade de boa parte dos empresários de pequeno e médio negócio.

     "Estamos todos preocupados porque temos nossos compromissos com funcionários, fornecedores e outros. O que não queremos é a dispensa de trabalhadores, estes que precisam comer e são pais e mães de família", comenta Anderson.

    Ele diz que a Fecomércio e outros empresários que conhece estão se movimentando para evitar 'que haja um colapso e instabilidade social no Amazonas e em Manaus".