Criatividade


Amazonense investe em venda de canoas e botes durante a pandemia

Jovem de apenas 19 anos iniciou o projeto para ajudar os pais e conseguir uma fonte de renda durante o período de isolamento social

Guilherme Cardoso de Araújo, 19 anos, constrói e vende botes e canoas em Manaus | Foto: Divulgação

Manaus - Novos negócios surgem a todo momento, principalmente durante o período de pandemia, quando toda a população brasileira sentiu os efeitos de uma crise econômica. Um desses novos projetos nasceu da criatividade e força de vontade de Guilherme Cardoso de Araújo, 19 anos, que passou a construir e vender botes e canoas em Manaus. Guilherme conta que a ideia surgiu repentinamente, mas que já era familiar, pois seu avô também já havia construído um barco no passado.

"Como essa pandemia quebrou todos no mundo, lá em casa não foi diferente. Eu estava sem dinheiro e queria ajudar meus pais, então teve um dia de noite que eu pensei em criar uma empresa de canoa. Eu fui em uma madeireira, comprei algumas madeiras e fiz a primeira para vender. Meu pai até me falou que eu  tinha puxado para o meu avô, pois quando ele morava em um município do interior, fez um barco gigante e levou a família para Coari e aí começou", relata o jovem.

Ele conta que já realiza o trabalho há quatro meses, que consiste em pintar os materiais, verificar se há qualquer buraco nos botes e canoas, e tampá-los. O trabalho é realizado no sítio do pai e, depois, ele leva até a sua própria casa para finalizar e entregar aos compradores. O jovem também criou uma logo, para personalizar os itens, nominando seu pequeno negócio de "Ararinha Canoas e Botes" e conta que a alta procura foi uma surpresa.

O próprio rapaz criou a logo para estampar nos botes e canoas
O próprio rapaz criou a logo para estampar nos botes e canoas | Foto: Divulgação

"Eu publiquei na Olx e no Facebook. Muitas pessoas me ligaram para querer comprar. Eu tive dois clientes de estados diferentes, um era do Rio de Janeiro e outro do Rio Grande do Sul. Fiquei feliz por saber que a propaganda que eu tinha feito alcançou lugares bem longes. Eu só tinha começado a fazer mesmo para ganhar meu dinheiro e ajudar meus pais", afirma Guilherme.

Para realizar a entrega para os lugares mais distantes, ele explica que o próprio comprador arca com o transporte de um estado para outro. "Era uma senhora, eu entreguei e ela mandou um caminhão levar. Ela é de classe alta e falou que no estado dela não tinha essas coisas e queria colocar na piscina dela", relata.

O trabalho é realizado no sítio do pai e, depois, ele leva até a sua própria casa para finalizar e entregar aos compradores
O trabalho é realizado no sítio do pai e, depois, ele leva até a sua própria casa para finalizar e entregar aos compradores | Foto: Divulgação

O jovem empreendedor conta ainda que pretende continuar o negócio, mesmo após o fim da pandemia. Visando um melhor investimento e lucro, ele pensa em começar a produzir com um outro material: alumínio. "Eu faço os últimos detalhes, fiz a logo também. Eu pretendo continuar [com o trabalho] e estava pesquisando para começar a realizar os trabalhos no material de alumínio, seria melhor e daria um lucro melhor", afirma o jovem. 

Para entrar em contato com Guilherme, estão disponíveis os números: (92) 99299-4088 e (92) 99145-2693.

Pandemia e crise econômica

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), as primeiras semanas de junho marcaram o ápice do crescimento do desemprego no Brasil. Cerca de 700 mil pessoas passaram a fazer parte das estatísticas, que passaram de 11,8% a 12,4%.  Durante o período de março a julho deste ano, o Portal do Empreendedor, do Governo Federal, registrou 551.153 novos microempreendedores, cerca de 3,1% a mais do que no mesmo período do ano passado. 

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