Flutuante


Diversão sobre as águas: flutuantes movimentam a economia manauara

Complexos de lazer atraem centenas de pessoas que buscam uma opção de lazer diferente na capital

 Paixão pelo rio e a natureza inspiraram o engenheiro civil Marcus Vinícius a construir o Flutuante Arpoador
Paixão pelo rio e a natureza inspiraram o engenheiro civil Marcus Vinícius a construir o Flutuante Arpoador | Foto: Arquivo Pessoal/ Flutuante Arpoador

Manaus - Não há nada mais ‘manauara’ do que reunir a família e os amigos para curtir um dia a bordo de um flutuante no Rio Negro. Concentrados na região do Tarumã, principalmente nos igarapés Tarumã-Açu e Tarumã-Mirim, os flutuantes são estruturas de diversão e lazer que atraem diferentes públicos, movimentando a economia e o turismo em Manaus.

Segundo o Comando do 9º Distrito Naval, há 11 flutuantes operando comercial e regularmente na capital amazonense. Cada estabelecimento tem seu diferencial, mas a experiência tem a ‘cara’ da região, com ofertas de cardápios com peixes e outros pratos regionais, além de opções de lazer como boias, pedalinhos e stand-up paddle. Tudo isso em um cenário com as belas paisagens que a Amazônia tem a oferecer.

Diversão com responsabilidade ambiental

A paixão pelo rio e a natureza inspiraram o engenheiro civil Marcus Vinícius a construir o Flutuante Arpoador. Inicialmente, o local era para ser apenas um refúgio de lazer, mas o interesse de amigos e conhecidos fizeram com que o proprietário abrisse o Arpoador para locação. Dez meses após a inauguração, o flutuante recebe uma média de 300 pessoas por mês e funciona como renda complementar para Marcus.

Flutuante recebe uma média de 300 pessoas por mês
Flutuante recebe uma média de 300 pessoas por mês | Foto: Arquivo Pessoal/ Flutuante Arpoador

Aportado em frente à Praia dos Passarinhos, no lago do Tarumã, o Arpoador traz a preocupação com a preservação ambiental já em sua estrutura. “Não foram utilizadas toras de madeira de assacu como boias, e sim tambores de plástico com estrutura metálica, tornando o flutuante mais sustentável e sem agredir o meio ambiente nesse quesito”, explica o engenheiro. Além disso, o flutuante tem uma mini estação de tratamento de água para o material de esgoto não ser descartado diretamente no rio.

Segundo Marcus, infelizmente não são todos os proprietários que têm essa preocupação.

O Arpoador tem capacidade para 30 pessoas e está disponível para locação por preços que variam de R$300 a R$500, dependendo do dia da semana. Sábados e domingos são os dias de maior movimento e para garantir a ocupação durante os dias úteis, Marcus lança promoções com até 20% de desconto. “Procuramos ajudar e facilitar de todas as formas para que o dia aqui seja perfeito. Costumo dizer sempre que não queremos fazer apenas clientes, mas amigos também”, enfatiza o engenheiro.

A atividade de flutuantes como Arpoador também ajuda na geração de renda para os ribeirinhos
A atividade de flutuantes como Arpoador também ajuda na geração de renda para os ribeirinhos | Foto: Arquivo Pessoal/ Flutuante Arpoador

A atividade de flutuantes como Arpoador também ajuda na geração de renda para os ribeirinhos que moram no entorno. “Estando ali, nós criamos empregos diretos e indiretos para a população ribeirinha. Tenho funcionários que moram ali mesmo. Há os barqueiros que transportam as pessoas até nós. O próprio comércio local é ajudado”, diz Marcus.

Para o futuro, o proprietário pretende trabalhar em parceria com agências de turismo, de olho nos turistas do Brasil e do mundo que buscam uma experiência amazônica. “A ideia é fazer o flutuante Arpoador um ponto de passagem desses turistas, para descerem, baterem fotos, tomarem um banho no rio e quem sabe até servir o nosso delicioso regional tambaqui assado”, planeja.

Algumas das cortesias que o espaço oferece para quem aluga é um kit palete para decoração de festas, aniversários e também uma prancha de sup.
Algumas das cortesias que o espaço oferece para quem aluga é um kit palete para decoração de festas, aniversários e também uma prancha de sup. | Foto: Arquivo Pessoal/ Flutuante Arpoador

Algumas das cortesias que o espaço oferece para quem aluga é um kit palete para decoração de festas, aniversários e também uma prancha de sup. Tudo sem custo adicional.

O ‘flutu’ das novidades

Frequentadora assídua de flutuantes manauaras há anos, Juliana Chagas notou que havia muitos aspectos desse tipo de entretenimento que poderiam ser melhorados, por isso resolveu entrar nesse ramo. Assim nasceu o Flutu há três anos, na margem esquerda do Tarumã-Açu. 

“O Flutu chegou para ser um diferencial do que já estava disponível. Nossa proposta é trazer a festa para o meio do rio. São festas de aniversário, despedidas de solteiro, por aí vai. Para facilitar a vida deles, oferecemos decoração cortesia, com diversos objetos para tirar as fotos. Isso faz o hóspede economizar pelo menos R$200 . Quando ele chega, já está tudo montado lá”, conta a proprietária.

Festas são o foco do Flutu
Festas são o foco do Flutu | Foto: Divulgação

A capacidade do flutu é de 30 pessoas e chega a receber 660 banhistas por mês. Desde sua inauguração, o estabelecimento ficou conhecido por trazer novidades de entretenimento, como boias gigantes, tapetes flutuantes e caudas de sereia para as frequentadoras posarem para ensaios. A locação do espaço varia de R$340 a R$600, com opções de pernoite. 

Público se diverte com as opções de entretenimento no meio do rio
Público se diverte com as opções de entretenimento no meio do rio | Foto: Divulgação

Para Juliana, quem quiser investir no ramo dos ‘flutus’ precisa estar preparado não só para a diversão, mas também para toda a responsabilidade que o negócio traz. “Não é só colocar o flutuante no meio do rio, é preciso estar atento a todas as normas ambientais e de segurança da Marinha”, enfatiza.

O Flutu dispõe de uma estação de tratamento de efluentes para diminuir os impactos ambientais no local. “É uma minoria que tem essa preocupação, até porque o investimento é grande, mas existe uma grande movimentação dos órgãos fiscalizadores para que tudo esteja regularizado, dê segurança a quem visita e não polua o meio ambiente”, avalia Juliana. 

Estabelecimentos no meio do rio oferecem experiência amazônica ao público
Estabelecimentos no meio do rio oferecem experiência amazônica ao público | Foto: Divulgação

Regulamento

Tanto a proprietária do Flutu quanto o responsável pelo Arpoador relatam que houve um 'boom' no número de flutuantes operando. Segundo Marcus, no espaço de dez meses em que está no lago do Tarumã, pelo menos mais cinco estruturas foram instaladas no local. O engenheiro desconfia que nem todos cumpram as normas necessárias para serem sustentáveis e seguros. Apesar da Capitania registrar apenas 11 flutuantes operando comercialmente, basta visitar o lago do Tarumã para constatar um número bem maior de 'flutus' disponíveis para locação.

Os flutuantes são regularizados e fiscalizados por órgãos que cuidam de diferentes aspectos do funcionamento dessas estruturas. Entre eles, a Capitania dos Portos; o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), que cuida para que as normas ambientais sejam atendidas; e a Vigilância Sanitária Municipal (Visa Manaus), responsável pelo licenciamento de cozinhas e restaurantes dos flutuantes. 

O estabelecimento precisa atender à Norma da Autoridade Marítima, da Diretoria de Portos e Costas, além de ter alvará expedido pela Prefeitura. As fiscalizações são realizadas diariamente pelas Capitanias e Agências Fluviais da região, que observam a segurança da navegação, a salvaguarda da vida humana e a prevenção da poluição hídrica.

A Marinha recomenda, também, que os usuários de flutuantes fiquem atentos a aspectos como a presença de extintores de incêndio e coletes salva-vidas em número suficiente; integridade da estrutura; e o número máximo de pessoas que podem estar na embarcação ao mesmo tempo.

Para os flutuantes que vendem comidas e bebidas, é obrigatório cumprir as normas sanitárias vigentes e ter licença sanitária válida. Aspectos como estrutura, qualidade da água utilizada e higienização de superfícies e utensílios são avaliados.

As fiscalizações da Visa acontecem sempre que é feito o pedido de licenciamento, nas programações de monitoramento, por meio de denúncias e por solicitação de outros órgãos como o Ministério Público. Caso haja irregularidade, o flutuante pode autuado, multado e/ou interditado. Em 2019, nenhum flutuante manauara teve intervenção da Visa.

Pauta e edição: Rebeca Mota