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    Covid-19


    Coronavírus: o sonho das férias frustradas de amazonenses

    Com o fechamento de fronteiras e cancelamentos de voos para diversos países, amazonenses relatam as tristezas de verem as viagens dos sonhos destruídas

    Principais companhias aéreas do país reduziram seus voos em até 70% na última semana | Foto: Arquivo Em Tempo

    Manaus - Imagine sonhar com uma viagem, planejá-la por vezes para, de repente, precisar desistir do sonho que dedicou expectativa e dinheiro. Essa é a realidade de alguns brasileiros, dentre eles, manauaras, no contexto da crise de coronavírus, com dois casos de Covid-19 confirmados em Manaus. O governo do Amazonas declarou estado de emergência.

    Em decorrência dos avanços no número de casos de contaminação no país, as principais companhias aéreas como Latam, Gol e Azul reduziram seus voos, principalmente internacionais, em até 70% a partir desta semana. A União Europeia e países da América Latina, como Peru, Colômbia e Chile fecharam as fronteiras, como medida de contingência. Nessa guerra contra o coronavírus, houve turista que estava fora do País e não conseguiu voltar e também quem ia viajar, mas precisou cancelar a passagem.

    Associação Brasileira de Procons emitiu nota com a recomendação de que as empresas reembolsem os consumidores que viajariam para destinos afetados pelo coronavírus
    Associação Brasileira de Procons emitiu nota com a recomendação de que as empresas reembolsem os consumidores que viajariam para destinos afetados pelo coronavírus | Foto: Reprodução

    Este foi o caso da jornalista Geizyara Brandão, de 27 anos. Ela ia à Argentina nesta sexta-feira (20), mas precisou deixar de lado, por hora o sonho antigo de conhecer o País. "Eu já estava com tudo planejado para passar sete dias em Buenos Aires. Relutei até o último minuto para que eu pudesse viajar, até que o governo argentino anunciou o cancelamento de voos para as cidades mais afetadas", conta a jornalista, que havia comprado a passagem desde novembro do ano passado.

    Ela diz que houve um decreto do governo argentino para que os turistas, ao chegarem no País, ficassem em quarentena. "Então, meu hotel cancelou a reserva e foi aí que eu vi que não conseguiria viajar para conhecer o local, até porque vários espaços públicos e turísticos já estavam sendo fechados", diz Geizyara.

    Para resolver o problema, ela conta que a Gol, companhia área por onde comprou a passagem, permitiu agendar uma nova viagem por até 330 dias a partir da data da compra. Ainda havia a opção de cancelamento com crédito integral do valor gasto na passagem para comprar uma nova, ou reembolso não integral.

    Geizyara Brandão, de 27 anos, na viagem de São Paulo em 2016, teve que cancelar viagem dos sonhos para a a Argentina
    Geizyara Brandão, de 27 anos, na viagem de São Paulo em 2016, teve que cancelar viagem dos sonhos para a a Argentina | Foto: Reprodução

    "Como ainda não sei como ficarão as coisas, decidi pelo cancelamento, mas pretendo ir no segundo semestre. Caso contrário, tenho que escolher um outro destino. Mas espero conseguir ir à Argentina ainda este ano", comenta ela.

    Desespero 

    Quem viveu momentos de sufoco foi o casal de idosos Sonia e Ricardo Miranda, de 67 e 69 anos. Os dois vivem em Manaus mas estão na cidade de Cusco, no Peru. O país latino tem 145 casos de coronavírus. Sonia e Ricardo estão em um grupo de 50 brasileiros que ficaram presos no Peru após o governo peruano decretar o fechamento das fronteiras. Em viagem ao País desde o dia 8 de março, o casal de idosos agora está em um hotel por conta própria e ainda tentam retornar ao Brasil.

    Em vídeo divulgado na internet na terça-feira (17), Sonia e Ricardo aparecem pedindo ajuda do governo brasileiro para serem levados de volta ao país. "Nós moramos em Manaus. Eu tomo remédio controlado [...] eu não trouxe medicamento para todos esses dias. Minha medicação acaba no domingo e nós precisamos de ajuda de vocês aí do Brasil. Mande avião da FAB, sei lá. Entrem em contato com a Latam, pelo menos para os brasileiros que estão aqui e precisam de assistência", pede a idosa. 

    Sonia e Ricardo Miranda, de 67 e 69 anos, no Peru, não puderam retornar ao Brasil
    Sonia e Ricardo Miranda, de 67 e 69 anos, no Peru, não puderam retornar ao Brasil | Foto: Reprodução

    Sonia e Ricardo chegaram no aeroporto da cidade de Lima no domingo (15), de onde iriam para as ruínas de Machu Picchu, mas nem conseguiram deixar o local. Eles e outros brasileiros foram avisados que o governo federal havia fechado as fronteiras. O casal de idosos só conseguiu sair do aeroporto na virada de domingo para segunda (16).

    De lá, foram para um hotel e em seguida para outro, este último chamado Casa Andina. Segundo Sonia, eles têm arcado com todas as custas de hospedagem e alimentação, mas a principal preocupação dela é que toma remédio controlado e só tem estoque da medicação para o próximo domingo (22). 

    "Já é o nosso terceiro dia na cidade. Está frio, há policiais nas ruas. Só podemos ir ao supermercado e a farmácia. Eu fui atrás do meu remédio, mas não tem aqui. Só quero voltar para a minha cidade, para o meu País", conta Sonia. 

    Ela diz que os brasileiros no Peru estão em contato com a Embaixada do Brasil, que disse estar em contato com o governo peruano para liberar a volta dos brasileiros ao País. "Preenchemos uns formulários e agora estamos aguardando a Latam e a Embaixada do Brasil entrarem em contato para que possamos voltar", explica Sonia.

    Você teve viagem cancelada?

    O advogado especialista em Direito do Consumidor, Diogo Franco, explica que o artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor deixa claro o respaldo aos passageiros em caso de cancelamento. O artigo determina que "são direitos básicos do consumidor a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos”.

     Com isso as empresas devem negociar alternativas para que não venha prejudicar o consumidor, como por exemplo: alteração de datas sem taxa de remarcação, restituição valores pagos ou outra alternativa que o consumidor esteja de acordo. Segundo o advogado, o tempo da ação judicial é muito relativo, pois "temos uma variação temporal de acordo com determinadas varas, podemos citar uma média de 18 meses para a resolução da lide, mas pode variar", explica ele. 

    Jalil Fraxe, diretor-presidente do Procon-AM, que já esteve na WEBTV Em Tempo, recomenda "que o consumidor procure primeiro a empresa (companhia aérea, hotel, agência de viagens) para tentar o cancelamento ou adiamento da reserva. Caso não haja êxito (falta de retorno da empresa ou recusa em fazer reembolso) o consumidor pode registrar reclamação no Procon-AM, que, por meio do setor de conciliação, poderá auxiliá-lo nesse processo". 

    Segundo o próprio Procon, recentemente, a Associação Brasileira de Procons emitiu nota com a recomendação de que as empresas reembolsem os consumidores que viajariam para destinos afetados pelo coronavírus. O Ministério Público Federal (MPF) apresentou recomendação à Agência Nacional de Aviação (Anac) para que as companhias aéreas assegurem o cancelamento sem ônus de passagens. Dito isso, o passageiro pode e deve procurar o Procon-AM em caso de negativa por parte das empresas, visto que o Código de Defesa do Consumidor (CDC) preza pela saúde e pela segurança dos consumidores.

    "Temos intensificado as ações de combate ao coronavírus junto aos demais órgãos e secretarias do Governo do Estado. Enquanto órgão de defesa e orientação ao consumidor, a autarquia tem respondido dúvidas sobre cancelamento de passagens e de shows/grandes eventos, com 12 processos já registrados na Conciliação. Além disso, o Procon-AM tem atuado diariamente com fiscalizações relacionadas ao preço do álcool em gel e das máscaras cirúrgicas, que são itens com alta procura durante a pandemia do coronavírus", ressalta o diretor-presidente do Procon-AM.

    Para entrar com uma reclamação, é imprescindível levar RG, CPF, comprovante de residência e notas fiscais/fotos/prints/documentos que comprovem a denúncia. 

    Procon Denúncias

    Email: [email protected] e [email protected];

    Telefones: 0800 092 1512; 3215 4012; 3215 4015; 3215 4009; 99271-5519 (ouvidoria);

    Site: http://www.procon.am.gov.br/