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    Turismo


    Turismo: como minimizar os impactos do coronavírus?

    Segundo consultor, momento exige atenção às finanças e planejamento para o futuro

    Setor de turismo é um dos mais afetados pela crise econômica gerada durante a pandemia da Covid-19 | Foto: Divulgação

    Manaus - De janeiro a setembro de 2019, o setor de  turismo arrecadou para o Amazonas mais de R$ 545 mil, entre viajantes brasileiros e estrangeiros. Uma reportagem do EM TEMPO mostrou como especialistas projetavam um 2020 de sucesso no setor turístico, mas algo aconteceu. Com o novo coronavírus e o primeiro caso confirmado em Manaus no dia 13 de março, hotéis e agências de turismo já registraram queda de até 90% no fluxo de visitantes. Muitas empresas estão com seus caixas fechados e já temem grandes prejuízos. 

    A Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear) informou no dia 16 de março que as companhias de aviação já haviam registrado queda de 30% em voos domésticos e até 50% nos internacionais. A Gol e a Latam, gigantes do mercado, já haviam anunciado risco de grave crise econômica.

    Mas não é apenas o Brasil que já sente os efeitos econômicos do coronavírus. Ainda sobre aviação, num contexto global, outras companhias aéreas já estimam baixa no lucro. Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), caso não seja controlada nas próximas semanas, a pandemia pode gerar prejuízo de 11 bilhões de dólares na receita das empresas aéreas neste ano, divulgou a revista Exame. 

    A crise em exemplos

    Embora a relação com o rio possa ser comum na vida do amazonense, uma opção de lazer que ganhou espaço na cidade de Manaus são os flutuantes. São 11 em Manaus, segundo o Comando do 9º Distrito Naval. No entanto, com a nova pandemia que assola o mundo, esses lugares foram um dos primeiros a sentirem os impactos econômicos. 

    Flutuante Arpoador cancelou várias reservas
    Flutuante Arpoador cancelou várias reservas | Foto: Divulgação

    O empresário Marcus Vinícius, dono do flutuante Arpoador, localizado em frente à Praia dos Passarinhos, no lago do Tarumã, Zona Oeste de Manaus, relata os prejuízos. "Tínhamos uma média mensal de 300 pessoas que passavam pelo flutuante. Mas com essa pandemia de coronavírus, desde o dia 20 de março o local está fechado por tempo indeterminado", conta Marcus. 

    Ele ligou para os clientes que estavam com reservas feitas e deu opções de remarcação ou cancelamento do aluguel com devolução integral. "Arcamos com todo o prejuízo, que infelizmente é grande no momento, porém é necessário para a saúde de todos", diz o dono do flutuante.

    Agência Apoema Porã tem diversos roteiros amazônicos
    Agência Apoema Porã tem diversos roteiros amazônicos | Foto: Divulgação

    A micro-empresária Rosilane Vasconcelos, dona da agência Apoema Porã, também parou o negócio. A agência dela dispõe de roteiros a tribos indígenas, visita a botos, Encontro das Águas, vitórias-régias e outros símbolos turísticos da região amazônica. Além disso, A Apoema Porã também tem os chamados 'City Tour', que são aqueles ônibus que passam pelos principais pontos da cidade. 

    Enquanto, normalmente, Rosilane recebia de 10 a 30 turistas por semana, agora o saldo é zero. "Afetou 100%. Está parado, assim como 80% dos segmentos comerciais, acredito eu. O jeito agora é esperar normalizar e quando tudo isso acabar, fazer campanhas de marketing para tentar driblar os prejuízos", diz ela, que é a favor da quarentena para diminuir o contágio da Covid-19.

    Flutu fica localizado no bairro Tarumã
    Flutu fica localizado no bairro Tarumã | Foto: Reprodução/Instagram

    Até mesmo empresas que estão há mais tempo no mercado sentem os impactos da crise. É o caso do Flutu, da proprietária Juliana Chagas. "Desde o início aconselhamos os nossos clientes que remarquem as reservas. Os impactos são graves para o mundo inteiro e um exemplo é a manutenção do flutuante, porque aberto ou fechado, a casa é de madeira e no contato com a água se desgasta mais rápido", comenta Juliana, que diz esperar que tudo passe logo.

    Dicas de negócios

    O analista técnico e especialista em gestão de negócios do Sebrae, Ricardo Rivadávia, lembra que a sobrevivência das empresas dependerá das atitudes pessoais, que deverão ser bem pensadas. Segundo ele, essas são características empreendedoras fundamentais para a sobrevivência do negócio.

    Ele lista alguns comportamentos que devem ser adotados por empresários:

    - Não se desespere e não desista. A hora é de raciocinar, rever e adaptar-se;

    - A crise pode trazer oportunidades. Descubra quais são dentro do seu negócio ou próximo a ele;

    - Seja exemplo no cuidado com a pandemia. Incentive seus funcionários a utilizarem luvas, máscaras (quando necessário), álcool gel e vestimentas adequadas. Isso dá confiabilidade ao cliente;

    Ricardo Sampaio, especialista em negócios
    Ricardo Sampaio, especialista em negócios | Foto: Divulgação/UFAM

    Ricardo, que também é mestre em Planejamento Estratégico e Educação Empreendedora, diz que é importante lembrar dos benefícios que o poder público pode conceder às micro-empresas. Neste ponto, ele ressalta:

    - Se necessário, procure bancos abertos a negociarem suas dívidas e parcelamento de empréstimos;

    - Não é hora de buscar crédito para dívidas. Tenha cuidado nesse ponto. Se precisar muito, faça sob orientação de um especialista;

    - Crédito só se for para investimento em tecnologia de marketing digital, e o mínimo possível;

    - Faça uma jornada do cliente na sua mente. Se você fosse ele, o que ia querer agora na quarentena? Se reinvente a partir disso;

    - Reveja profundamente os custos. Nunca foi tão importante medir, controlar e gerenciar;

    - As vezes uma parada estratégica pode ser mais inteligente do que insistir em algum modelo com pouco lucro ou mesmo sem;

    - Busque novas parcerias. Se apoie e converse com pessoas do mesmo mercado. Saiba quais estratégias têm dado certo e aprenda com os erros dos outros;

    O especialista em negócios diz que é possível sair da crise, mas ressalta que é preciso ter coragem para ousar e rever as estratégias. "Cada caso é um caso, mas o ideal é que o empreendedor procure um atendimento técnico de especialista. Com isso, pode receber orientações e opções de melhora e permanência do negócio", afirma Ricardo.

    A 'mão do Estado' para salvar a economia

    Na quinta-feira (26), o Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) publicou uma medida que prorroga para o dia 30 de junho de 2020 o prazo de apresentação da Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais (Defis) e da Declaração Anual Simplificada para o Microempreendedor Individual (DASN-Simei), referência 2019.

    A primeira declaração (Defis) é um documento obrigatório das empresas que optam pelo regime Simples Nacional. Estas devem entregar anualmente à Receita Federal a declaração, como uma forma de prestar contas. Já a segunda (DASN) é uma obrigação do microempreendedor individual, que também deve prestar contas. 

    Receita Federal tem se movimentado para ajudar empresários
    Receita Federal tem se movimentado para ajudar empresários | Foto: Marcelo casal/Agência Brasil

    Nesse mês de março, a Receita Federal anunciou também que prorrogou por seis meses o prazo para pagamento de tributos federais, como o Simples Nacional. Segundo o Comitê, as ações publicadas no Diário Oficial têm por objetivo diminuir os impactos econômicos causados pela pandemia da Covid-19 no Brasil. 

    Já o Ministério da Economia garantiu que bancos públicos deverão agir para ajudar empresas. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, disponibilizará R$ 75 bilhões, sendo R$ 40 bilhões para o capital de giro de empresas e o restante para a compra de linhas de créditos de bancos pequenos e médios. O Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social devem acompanhar as mesmas medidas.

    Paulo Guedes, ministro da Economia
    Paulo Guedes, ministro da Economia | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

    Embora ainda sem medidas oficiais, o Ministério da Economia também já anunciou que estuda pacotes específicos de crédito para setores mais afetados pela crise, dentre eles o turismo. Enquanto isso, empresários do setor estudam maneiras de contornar os prejuízos financeiros.