Economia


Número de lojas para alugar e vender no Centro de Manaus cresceu 30%

A estimativa é do Creci AM/RR. A onda, que começou no ano passado, é reforçada pelo enfraquecimento do comércio e a falta de estacionamento

São muitos os casarões com placas de venda | Foto: Ione Moreno

Manaus - Símbolo da época áurea da borracha, o Centro Histórico de Manaus, atualmente, acumula um número crescente de casarões históricos e lojas comerciais com placas de aluguel e venda. O crescimento da prática registrou alta de 30% em 2018, após a crise comercial no centro da capital, segundo o Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado do Amazonas e Roraima (Creci AM/ RR).

De acordo com o economista Judah Torres, o número de imóveis com anúncio de venda vem crescendo na área por três motivos: insegurança, enfraquecimento do comércio e dificuldade em conseguir estacionamento na área comercial.

“A saída dos camelôs e o desenvolvimento do comércio nos bairros são alguns dos fatores para que o centro da cidade esteja sofrendo essa queda, além de uma área grande do Centro Histórico ser marginalizada. Com isso, é cada vez mais comum ver imóveis históricos sendo ofertados com o valor abaixo do mercado, a tendência é que o número aumente, uma vez que os bairros estão abarrotados de lojas que conseguem atender bem o consumidor”, explicou.

As imobiliárias estão com taxas mais acessíveis
As imobiliárias estão com taxas mais acessíveis | Foto: Ione Moreno

A reportagem percorreu o Centro Histórico e contou pelo menos dez imóveis com anúncios, alguns já depredados e desgastados, outros conservados. Torres disse, ainda, que, nas regiões do Paço da Liberdade e Manaus Moderna, a insegurança faz com que os proprietários busquem outros locais para morar ou trabalhar.

“Infelizmente a região onde a nossa história começou está tomada pela marginalidade, isso faz com que o consumidor prefira realizar qualquer tipo de compra nas proximidades de onde mora. A consequência disso são lojas fechando as portas e moradores procurando locais mais movimentados e seguros para morar, aumentando o número de locais para negociação. Essa realidade deve aumentar enquanto os governantes não tomarem providencias para aumentar a segurança.Se esses imóveis fossem vendidos o mercado de compra e venda injetaria na economia local pelo menos R$ 2 milhões”, enfatizou.

Outro fator que fez com que os números de casas antigas fossem ofertados são questões familiares. Segundo um corretor de uma das casas localizadas no Paço da Liberdade, o casarão histórico foi herança familiar, o valor da venda será dividido entre irmãos que não tiveram interesse no imóvel.

 Os imóveis históricos sendo ofertados com o valor abaixo do mercado
Os imóveis históricos sendo ofertados com o valor abaixo do mercado | Foto: Ione Moreno

Novos Imóveis

A “superoferta” é resultado de dois movimentos paralelos. De um lado, a queda expressiva na procura por locação. Com a recessão avançando pelos setores da economia, muitas pessoas optavam por novas alternativas para enxugar gastos. Um exemplo clássico é o de jovens que perderam o emprego e voltaram a morar na casa dos pais ou começaram a dividir despesas, como aluguel, com amigos.

Por outro lado, empreendimentos imobiliários registraram crescimento em 2018. Contra a corrente, quem pôde aproveitou o aquecimento econômico nos anos passados e usou as economias da poupança em investimento nos imóveis que estavam sendo construídos. Além disso, as imobiliárias estão com taxas mais acessíveis.

Um exemplo é o casal Viviane Noronha, 24, e Jorge Nunes, 29. Apaixonados por Manaus, eles cogitaram a possibilidade de comprar a casa própria nas proximidades da região central da cidade. Mas desistiram da ideia após inúmeras pesquisas. A pedagoga disse que, no fim, o casal optou por comprar o imóvel na planta em um condomínio fechado no bairro Tarumã localizado na Zona Oeste.

Várias casas antigas  estão a venda
Várias casas antigas estão a venda | Foto: Ione Moreno

“Decidimos investir em segurança, conseguimos comprar o apartamento com as economias, financiando o restante com juros mais baixos, com uma boa localização, que está em expansão, quem sabe um dia a gente consiga comprar um casarão no centro e transforme em um local de lazer para a família e amigos”, disse.

De acordo com a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Estado do Amazonas (Ademi – AM), o Tarumã foi o que mais cresceu em volume de vendas nos últimos meses. Só em julho, o mercado imobiliário faturou mais de R$ 100 mil.

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