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    Empregos


    FIEAM discute plano emergencial para gerar empregos no Estado

    As dificuldades apresentadas pela indústria no interior, vão compor um plano para futura apresentação ao governo do Estado

    Como representante do governo do Estado na reunião, o assessor de gabinete da Secretaria de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Seplan-cti), Luiz Almir Fonseca, disse que o interesse maior é esse, que a iniciativa privada se una ao governo do Estado
    Como representante do governo do Estado na reunião, o assessor de gabinete da Secretaria de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Seplan-cti), Luiz Almir Fonseca, disse que o interesse maior é esse, que a iniciativa privada se una ao governo do Estado | Foto: Divulgação

    A indústria madeireira, que chegou a gerar 54 mil empregos no interior do Amazonas, nos anos 1980, hoje gera pouco mais de 10 mil. Os dados foram apresentados pelo presidente da Federação das Indústrias Madeireiras do Estado do Amazonas (Fedemflor), Sérgio Andrade, em reunião conjunta com os presidentes dos sindicatos patronais das áreas naval, cerâmica e juta, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas.

    As dificuldades apresentadas pelas pequenas, grandes e médias indústrias no interior, levando em consideração as legislações municipais, estaduais e federais, vão compor um plano para futura apresentação ao governo do Estado. Segundo Andrade, a indústria madeireira, no interior, já chegou a exportar, em termos de valores, muito mais que o Polo Industrial de Manaus (PIM).

    “Apesar de ainda existirem alguns gargalos na legislação, nós conseguimos avançar muito no Conselho Estadual de Meio Ambiente (Cemaam), onde nós fomos conselheiros. Mas, o grande problema para nós, no mercado interno, ainda são os gargalos logísticos.

    A madeira hoje, no nosso mercado, não tem valor. A exportação é o grande negócio. Hoje, a madeira mais barata a gente vende a US$ 400 para exportação, e para o mercado interno de R$ 700 a R$ 800”, disse ele.

    Aprovado pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), segundo Andrade, existe atualmente cerca de 1 milhão e 741 mil metros cúbicos de madeira em tora, sendo 35% desse volume para exportação. Para ele, a cadeia produtiva da madeira, no plano de manejo, até o produto acabado, gera oportunidades de empregos na região.

    Polo Naval

    Considerado atualmente um dos grandes polos brasileiros em termos de produção, o Polo Naval do Amazonas conta com cerca de 300 estaleiros instalados no Estado, de pequeno, médio e grande porte.

    O mercado é demandado pelo navegador da região Norte e mais 15 estados de outras regiões, como a Bahia, que fazem suas encomendas aos estaleiros de Manaus.

    De acordo com informações apresentadas pelo presidente do Sindicato da Indústria da Construção Naval, Náutica, Offshore e Reparos do Amazonas (Sindnaval), Mateus Araújo, os rios do Estado representam 2.600 km de via navegável e essa grande exuberância e extensão faz a vocação natural do polo naval.

    “Quando estabilizado já tivemos 12.000 postos de trabalho no polo naval do Amazonas, hoje temos pouco mais de 3.000. Por conta da sazonalidade, nós construímos bem quando estamos com rio seco e construímos muito pouco com o rio muito cheio”, explicou Araújo, acrescentando que a mão de obra hoje, se encontra estabilizada por conta da variação percentual de contratações e demissões, entre 5% a 8%.

    Juta e malva

    A cadeia produtiva de juta e malva foi apresentada, na reunião, pelo presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Amazonas (Sindfiação), Sebastião Guerreiro.

    Iniciada no Estado do Pará, de onde a semente é trazida para cultivo nas várzeas do Amazonas, a produção, segundo Guerreiro, contabilizou, na última safra (2017/2018), 6.700 toneladas de fibra de malva distribuídas exclusivamente para a indústria.

    “Se nós levarmos esse número aqui para o número de pessoas envolvidas, considerando que a atividade hoje é da agricultura familiar e que cada família eventualmente produz 1.800 toneladas de fibra, o número de pessoas participantes dessa cadeia girou em torno de 18.000 nessa última safra”, apontou Guerreiro.

    A indústria hoje, segundo ele, importa metade da sua matéria-prima de Bangladesh, na Ásia. Se considerar a demanda nacional que gira em torno de 15 mil toneladas, a geração de emprego no interior poderia chegar a 40 mil postos de trabalho.

    “Como em nossa atividade a semente de malva é plantada no momento em que o rio está secando e a fibra é colhida no período em que o rio está enchendo, essa geração de emprego e renda ocorre no período de seis meses no máximo”, frisou Guerreiro.

    Polo cerâmico

    Um dos setores que lidam diretamente com as demandas do interior do Estado, o polo cerâmico foi representado na reunião de planejamento na FIEAM pelo presidente do Sindicato das Indústrias de Olaria do Estado do Amazonas (Sindcer-AM), Sandro Santos, que presidiu a reunião.

    O polo, localizado nos municípios de Iranduba e Manacapuru, viu cair de 36 para 25 o número de empresas com atuação regular.

    “A geração de emprego no primeiro semestre de 2016 foi de 4.500 postos de trabalho, o que caiu para 980 nos dias atuais. Nossos problemas econômicos também são tremendos em nível de município. Dos 62 municípios do Estado do Amazonas, o setor cerâmico está ativo em 52, mas, destes, menos de 3% é legalizado”, apresentou ele. 

    Plano Emergencial

    O contexto econômico do Estado, de acordo com Sandro Santos, faz surgir a necessidade de ação voltada para o grande mercado que é a capital por conta do Distrito Industrial. “Estamos vivenciando a todo momento as notícias relacionadas ao PIM e essa é a nossa realidade. Nós enquanto empresários estamos tentando avançar no melhor caminho e mais veloz possível junto ao governo do Estado”, disse ele.

    A proposta do grupo de empresários é se colocar à disposição do governo do estado e oferecer subsídios sobre os temas relacionados aos quatro setores produtivos. A ideia é, além de ajudar na geração de emprego e renda, corrigir os gargalos existentes no interior do Estado.

    “Dependemos muito de como o governador Wilson Lima irá receber essas ideias. Já vivenciamos o interior do Estado e sabemos que, como está não conseguimos avançar. Se você tem uma serraria não tem a madeira, se você tem a madeira e tem a serraria, não tem energia, se você tem a serraria, madeira e energia, não tem uma estrada, e por aí vai”, apontou ele.

    Como representante do governo do Estado na reunião, o assessor de gabinete da Secretaria de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Seplan-cti), Luiz Almir Fonseca, disse que o interesse maior é esse, que a iniciativa privada se una ao governo do Estado.

    “Ninguém melhor para falar do que vocês sofrem com essa situação do que vocês mesmos. O empresário tem que ser incentivado e não perseguido, afinal é o empresário que sustenta o governo com os seus tributos” disse ele.

    *Com informações da assessoria

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