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    Plano Dubai


    'Zona Franca não será extinta', diz superintendente da Suframa

    Após polêmica do "Plano Dubai", Suframa convoca coletiva e diz que Zona Franca de Manaus não será extinta e que houve interpretação leviana sobre "Plano Dubai"

    O superintendente, coronel Alfredo Menezes, afirmou que houve uma interpretação “leviana”. “Em nenhum momento o nosso secretário deixou a entender que o modelo seria extinto
    O superintendente, coronel Alfredo Menezes, afirmou que houve uma interpretação “leviana”. “Em nenhum momento o nosso secretário deixou a entender que o modelo seria extinto | Foto: Leonardo Mota

    Manaus - O governo Bolsonaro protagonizou, nesta terça-feira (11), mais um episódio de desalinhamento. Após publicação polêmica sobre o fim Zona Franca de Manaus e a criação de um “Plano Dubai” como substituto, na segunda-feira no jornal Folha de São Paulo, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) convocou coletiva de imprensa para desmentir a informação repassada ao jornal pelo secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec), Carlos Alexandre da Costa. 

    O superintendente, coronel Alfredo Menezes, afirmou que houve uma interpretação “leviana”. “Em nenhum momento o nosso secretário deixou a entender que o modelo seria extinto, quem está falando que o modelo seria extinto são pessoas que estão interpretando por um lado leviano”, afirmou.

    Compromisso de Bolsonaro 

    Promessa de campanha de Jair Bolsonaro, a manutenção do Polo Industrial de Manaus (PIM), principal fonte econômica do Amazonas, foi reafirmada
    Promessa de campanha de Jair Bolsonaro, a manutenção do Polo Industrial de Manaus (PIM), principal fonte econômica do Amazonas, foi reafirmada | Foto: Divulgação/Suframa

    Promessa de campanha de Jair Bolsonaro, a manutenção do Polo Industrial de Manaus (PIM), principal fonte econômica do Amazonas, foi reafirmada pelo coronel. “Fortalecer o modelo Zona Franca de Manaus, esse é um compromisso do nosso presidente, da nossa equipe econômica, do ministro Paulo Guedes, do secretário especial Carlos Alexandre da Costa e de nós também”, disse. 

    Menezes informou até mesmo que não há nenhum “Plano Dubai” e que a cidade dos Emirados Árabes foi usada apenas como modelo pelo titular especial da Sepec. “Ele citou Dubai como exemplo positivo de pessoas que conseguem fazer do nada alguma coisa, no deserto implementar um grande case de negócios, que tem também em Las Vegas”.

    Cobiçado destino turístico, a cidade de Dubai é reconhecida pelo planejamento estratégico de alternativas econômicas ao prever o esgotamento da exploração de petróleo, antes sua principal fonte econômica. 

    Ideia embrionária

    A instalação de polos biofármacos, turismo, defesa, mineração, piscicultura – citados na reportagem da Folha – e o digital é ainda uma ideia em fase embrionária, segundo o superintendente. Com a prorrogação dos incentivos fiscais da ZFM até 2073, o coronel afirmou que "o que existe é um plano para buscar alternativas". "Esse momento agora urge buscarmos estudar alternativas, porque quem é que nos garante que teremos a prorrogação desse modelo daqui a 50 anos? Temos que começar quando? Agora, até agora nada foi feito (...) desde quando a Suframa foi criada, de fevereiro de 1967 para cá, não foram criadas matrizes econômicas alternativas”, afirmou. 

    CORONEL ALFREDO MENEZES - SUPERINTENDENTE SUFRAMA - ZONA FRANCA DE MANAUS - FOTO LEONARDO MOTA
    CORONEL ALFREDO MENEZES - SUPERINTENDENTE SUFRAMA - ZONA FRANCA DE MANAUS - FOTO LEONARDO MOTA | Foto:

    Impacto negativo

    Wilson Périco, presid. do CIEAM - Foto Marcio Melo
    Wilson Périco, presid. do CIEAM - Foto Marcio Melo | Foto: Márcio Melo

    O caso é que o assunto veiculado no fim da tarde de segunda-feira causou forte repercussão negativa no Amazonas. O presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, comentou que "uma notícia como essa por parte do governo federal traz, sim, muitas dúvidas ao investidor" e "dificulta a atração de novos investimentos". 

    "É necessário o Amazonas ter outras atividades que o permita deixar de ser tão dependente como é da Zona Franca,  mas não algo que venha a substituir, no nosso entendimento é algo que tem que se somar ao modelo Zona Franca, à atividade da indústria do nosso estado para alavancar ainda mais a atividade dentro dessa diversificação, não é acabar com aquilo que nós temos que gera riqueza e dá ao estado do amazonas o equilíbrio fiscal que tem, para podermos gerar dentro dessas potencialidades emprego, atividade econômica além dos muros da capital. Vejo isso com bons olhos neste sentido, não a substituição", afirmou.  

    Périco afirmou que a necessidade de diversificação das matrizes econômicas do Estado é algo que a categoria vem defendendo há algum tempo. "O que nós temos conversado com o governo federal e conversado aqui no âmbito do estado é da necessidade de nós termos outras matrizes econômicas para que o Estado deixe de ser tão dependente como é hoje da capital por conta do modelo Zona Franca que é a única atividade que sustenta esse Estado verdadeiramente com geração de receita", comentou. 

    Seguindo a mesma linha, o ex-superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira, também afirmou ser a favor de um projeto que venha "somar".  "Tudo o que vier a somar é positivo. Há algum tempo tenho dito que para nosso futuro o nome do jogo é diversificação, seja diversificando a produção industrial para além dos polos que hoje temos, buscando atrair o que não produzimos no país, ou o que temos baixa competitividade face ao produto estrangeiro, seja diversificando a atividade econômica para utilizar os elementos de nossa especificidade geográfica", disse. 

    Mineração

    Dos polos citados como alternativas, Thomaz Nogueira afirmou que possui uma preocupação com o item "mineração" para que não se repita no Amazonas o mesmo que ocorreu no Estado vizinho. "O Pará agora procura superar que é a exportação do minério bruto ou semi-elaborado, que não agrega mão de obra, não gera receita pública e deixa um buraco e seus impactos ambientais. O que não pode, por ingenuidade, preconceito ou má-fé, é se pretender usar o que deve ser uma adição para esvaziar uma atividade exitosa como o PIM”, disse. 

    Exploração sustentável

    Menezes afirmou que a iniciativa do governo federal é realizar um "destravamento ambiental" e "fazer uma exploração sustentável". O plano possui apoiadores. "Essa demanda é urgente para o Estado, ou seja, desenvolver atividades explorando as potencialidades que o Estado tem além dos muros da capital para levar desenvolvimento e crescimento e geração de renda para o interior calcado nessas potencialidades, e esses segmentos que ele [Alexandre Costa] cita são segmentos que nós já temos discutido bastante, inclusive a mineração que nós temos a segunda maior jazida de potássio do mundo, só que por burocracia e questões pseudoambientais a gente não consegue explorar", afirmou Wilson Périco.

    Wilson Lima - Governador do Amazonas

    A bomba sobre o anúncio do fim da ZFM gerou inclusive o pronunciamento oficial do governo do Estado. "O governador do Estado, Wilson Lima, afirma não haver a menor possibilidade de aceitar o fim da Zona Franca de Manaus, sobretudo por ser um modelo de desenvolvimento regional garantido pela Constituição e reconhecido como eficaz na diminuição das desigualdades regionais e na preservação da Amazônia", diz trecho da nota. No comunicado, o governo também frisou a necessidade da implantação de novas matrizes econômicas. “Meu compromisso é com a implantação de novas formas de negócios, que nos permitam gerar emprego e renda, mas nada nos tirará a Zona Franca, esta também é um compromisso meu”.

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