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    Economia


    Rio Tapajós é a nova ‘rota’ para hidrelétricas

    Justiça Federal de Santarém exigiu as avaliações ambientais no entorno do Tapajós – foto: reprodução

    O ritmo e o rumo da ocupação da Amazônia seguem, desde 1966, as diretrizes estabelecidas pelo governo militar. As mudanças ocorridas desde que os generais de exército deixaram de ser os presidentes da república, por meio das chamadas ‘vias de fato’, com a redemocratização de 1985, tocaram sempre na periferia do poder de mando. Não na sua essência.

    O ‘modelo’ de ocupação da região seria doutrinariamente definido no 2º Plano de Desenvolvimento da Amazônia.

    A Amazônia constituiria o terceiro Brasil, a região de fronteira, que devia fornecer matérias primas e insumos. Sobretudo produtos com uma alta carga de energia contida e que pudessem ser vendidos no mercado internacional.

    O governo federal era o ator principal nesse cenário. Ele atendia principalmente às grandes empresas, mas essa serventia estava delimitada por uma forte concepção geopolítica. Não por acaso os agentes dessas ações eram técnicos. Associados aos dirigentes militares, eles se tornaram os responsáveis pela marca tecnocrática imposta à ‘corrida à Amazônia’.

    A Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) foi criada em 1966 para coordenar todos os órgãos federais presentes à região. A União queria a centralização e garantir o cumprimento da diretriz estabelecida.

    Os clientes preferenciais das iniciativas e recursos do poder público eram os fazendeiros. Eles derrubavam matas, abriam estradas, formavam pastos e avançavam como as frentes anteriores de penetração no Brasil.

    A crise da energia em 1973 deu um novo rumo a essa política. Se começava a faltar energia aos mais ricos. No ano mesmo do primeiro choque do petróleo foi criada a Eletronorte.

    Sua missão estava bem definida no dispositivo do seu estatuto que autorizava a participação de acionistas estrangeiros no seu capital. O monopólio estatal da Eletrobras foi violado, mas isso era detalhe insignificante.