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    Cheque especial


    Juros do cheque especial cai, mas segue acima dos 300%

    Essa é a menor taxa desde março de 2016, quando estava em 300,8% ao ano.

    Queda da taxa de juros cai mesmo depois das mudanças nas regras de cobrança e do aumento do número de inadimplentes
    Queda da taxa de juros cai mesmo depois das mudanças nas regras de cobrança e do aumento do número de inadimplentes | Foto: Marcos Santos

    Manaus - A taxa de juros do cheque especial caiu em julho, de acordo com dados do Banco Central (BC) divulgado nesta quarta-feira (29). A taxa chegou a 303,2% ao ano, com redução de 1,7 ponto percentual em relação ao mês de junho. No mês passado, a taxa de juros tanto do cheque especial e do cartão de crédito j á haviam apresentado queda.

    Essa é a menor taxa desde março de 2016, quando estava em 300,8% ao ano. Na comparação com o mês de julho de 2017, a taxa de juros do cheque especial teve uma redução de 18,1 pontos percentuais, dado que no ano passado o índice foi de 321,3% ao ano. Ainda assim, a taxa de 303,2% faz com que o cheque especial continue sendo a modalidade de crédito mais cara do mercado.

    A título de comparação, a taxa do crédito pessoal, por exemplo, é mais baixa: chegou a 118,5% ao ano, em julho, com aumento de 3,8 pontos percentuais em relação a junho. Já a taxa do crédito consignado (com desconto em folha de pagamento) ficou praticamente estável, com a redução de 0,1 ponto percentual, chegando a 24,9% ao ano, em julho.

    A taxa média de juros para as famílias caiu 1,1 ponto percentual para 52% ao ano, em julho. A taxa média das empresas subiu 0,4 ponto percentual: agora é de 20,6% ao ano.

    Segunda modalidade mais cara de crédito, o cartão de crédito também viu a taxa média de juros do rotativo cair. Ela chegou a 271,4% ao ano, com redução de 20,4 pontos percentuais em relação a junho. A taxa média é formada com base nos dados dos consumidores adimplentes e inadimplentes.

    No caso do consumidor adimplente, que paga pelo menos o valor mínimo da fatura do cartão em dia, a taxa chegou a 252,1% ao ano em julho, com redução de 9 pontos percentuais em relação a junho. 

    Já a taxa cobrada dos consumidores que não pagaram ou atrasaram o pagamento mínimo da fatura (rotativo não regular) caiu 28,1 pontos percentuais, chegando a 285,2% ao ano. O rotativo é o crédito tomado pelo consumidor quando paga menos que o valor integral da fatura do cartão. O crédito rotativo dura 30 dias. Após esse prazo, as instituições financeiras parcelam a dívida.

    Em abril, o Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu que clientes inadimplentes no rotativo do cartão de crédito passem a pagar a mesma taxa de juros dos consumidores regulares. A regra entrou em vigor em junho deste ano. Mesmo assim, a taxa final cobrada de adimplentes e inadimplentes não será igual, porque os bancos podem acrescentar à cobrança os juros pelo atraso e multa.

    Atrativo?

    A redução na taxa de juros do cheque especial, apesar de insuficiente para tornar essa modalidade de crédito mais atrativa surpreende por dois aspectos.

    Primeiro ela acontece após a mudança nas regras de cobrança de juros do cheque especial. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), os clientes que utilizam mais de 15% do limite do cheque especial durante 30 dias consecutivos passaram a receber a oferta de um parcelamento, com taxa de juros menor que a do cheque especial definida pela instituição financeira.

    Segundo porque o  número de inadimplentes cresceu 4,31%  em relação ao ano passado no mês de julho. Isso, porém, não afetou especificamente essa modalidade de crédito, já que o índice de inadimplentes a mais de 90 dias, para pessoas físicas, permaneceu em 5%. No caso das pessoas jurídicas, houve queda de 0,3 ponto percentual para 3,4%. Esses dados são do crédito livre em que os bancos têm autonomia para aplicar dinheiro captado no mercado. 

    No caso do crédito direcionado (empréstimos com regras definidas pelo governo, destinados, basicamente, aos setores habitacional, rural e de infraestrutura) os juros para as pessoas físicas caíram 0,2 ponto percentual para 7,8% ao ano.

    A taxa cobrada das empresas subiu 0,3 ponto percentual para 9,2% ao ano. A inadimplência das pessoas físicas permaneceu em 1,9% e das empresas chegou a 1,4%, com redução de 0,2 ponto percentual.