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    Orçamento


    PIB cresce mais ainda está no mesmo patamar de 2012

    Apesar de ter afastado o país de entrar numa recessão técnica, especialistas afirmam que ainda é cedo para falar de recuperação

    Manaus - Impulsionado pela indústria de transformação e da construção civil, bem como pelos  investimentos, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, registrou alta de 0,4%, no segundo trimestre deste ano. O resultado foi melhor que o esperado pelos analistas - alta de 0,2% em relação ao primeiro trimestre -, mas ainda está no mesmo patamar de 2012 e pelo menos 4,8% menor do que o alcançado no primeiro trimestre de 2014, o mais alto a série histórica.

     Apesar de ainda baixo, o resultado afastou o risco de entrada do Brasil em uma recessão técnica, caracterizada por dois trimestres seguidos de retração do PIB. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o segundo trimestre de 2018, o crescimento foi de 1%. O instituto também revisou o resultado da economia no primeiro trimestre, de menos 0,2% para menos 0,1%.

     No segundo trimestre deste ano, os ganhos da indústria registraram crescimento de 0,7% e dos serviços de 0,3%. Já a agropecuária caiu 0,4%. Pela ótica da despesa, a taxa de investimento avançou 3,2% e o consumo das famílias cresceu 0,3%, enquanto que o consumo do governo recuou 1%.

     A alta de 0,4% foi o melhor resultado para segundos trimestres desde 2013 (2,3%). O IBGE revisou a queda do primeiro trimestre de 2019. Ao invés da queda de 0,2%, o recuo foi de 0,1%. Também foram revisados os resultados de trimestres anteriores, revelando que o país também registrou retração no 2º trimestre de 2018.

     No comparativo com mesmo trimestre do ano passado, o PIB subiu 1% no 2º trimestre, ante avanço de 0,5% nos três primeiros meses do ano. O ritmo de recuperação, entretanto, segue abaixo do registrado no final de 2018. “Não dá para afirmar que há recuperação, precisamos de um período maior de análise”, afirmou a gerente de contas trimestrais do IBGE, Claudia Dionísio, ao ser questionada por jornalistas se o resultado indica uma retomada.

     Há sete anos

    No acumulado no primeiro semestre, a alta do PIB é de 0,7% frente a igual período de 2018, o que representa uma desaceleração em relação à expansão de 1,2% no semestre encerrado em dezembro de 2018. “A demanda doméstica é que está segurando esse resultado de 1% de crescimento do PIB na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, já que as importações tiveram alta de 4,7% ante um crescimento de 1,8% das exportações”, avaliou Cláudia. 

    O país ainda carrega os efeitos da última recessão, entre 2015 e 2016, quando foram registrados oito trimestres consecutivos de recuo do PIB, com taxas de crescimento fracas nos anos seguintes. Segundo a gerente de contas nacionais do IBGE, com a retomada lenta, a economia recuperou até o momento apenas 3,7% das perdas registradas durante a recessão até o quarto trimestre de 2016.

     Economistas apontam que o crescimento de 0,4% no segundo trimestre coloca o PIB esperado para 2019 mais perto de 1%. Mas a recuperação é lenta e ainda depende da agenda de reformas. Conforme a última pesquisa Focus do Banco Central, a expectativa dos analistas do mercado financeiro é de uma alta do PIB de 0,80%, ante um avanço que no início do ano era estimado em 1,3%. Para 2020, a previsão de crescimento passou de 2,2% para 2,1%. Em 2018, a economia brasileira cresceu 1,1%, após alta de 1,1% em 2017, e retrações de 3,5% em 2015, e 3,3% em 2016.

     Na visão dos analistas, o impacto de medidas como liberação do FGTS e PIS, e a perspectiva de aprovação da reforma da Previdência podem contribuir para alguma melhora do consumo e da confiança no 2º semestre. Por outro lado, a piora no cenário externo trouxe ainda mais incertezas para os próximos meses, em meio ao acirramento da guerra comercial entre China e Estados Unidos, piora da situação da Argentina e temores de uma nova recessão global.