Fonte: OpenWeather

    Comércio


    Pessimismo do consumidor pode afetar vendas do Dia das Crianças no AM

    CDL-Manaus estima um movimento de R$ 44,8 milhões neste ano, uma alta de 2,3% nas vendas para 12 de outubro

    Consumidor acredita que a situação econômica no Amazonas está pior do que o ano passado | Foto: Leonardo Mota

    Manaus - Os corredores vazios da importadora Povão, no Centro da cidade, preocupam a vendedora Dora Maciel. Com experiência de 28 anos no comércio, a funcionária afirma que o movimento de vendas para o Dia das Crianças, 12 de outubro, ainda é fraco se comparado aos anos anteriores. A preocupação dela vai ao encontro de pesquisa que mostra que a maioria dos amazonenses classificam o momento econômico como ruim ou pior que o de 2018. Mas, a Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus) aposta em alta nas vendas.

    “Está muito devagar, pelo menos aqui no Centro. Em outras épocas, isso aqui era lotado. Nós esperamos melhorar, porque sempre tem os pais que deixam as compras para a última hora. Mas, já era para ter gente circulando”, diz Dora.

    A baixa confiança do setor é confirmada pela última pesquisa de intenção de compras realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-AM). No levantamento, 49% dos entrevistados acreditam que a economia está um pouco ou muito pior se comparada ao mesmo período do ano passado. E a expectativa do consumidor para o futuro também não é animadora: 34,7% acreditam que a situação estará um pouco ou muito pior nos próximos seis meses.

    O presidente da Fecomércio, Aderson Frota, explica que os números pessimistas são causados pelas tensões no cenário político do país. “O povo estava preocupado com as rusgas entre Congresso e o presidente da República, assim como a questão das queimadas e desmatamento. Essas flutuações afetam a confiança do consumidor”, afirma.

    Mesmo com o ceticismo do consumidor amazonense, Aderson mantém-se otimista quanto as vendas para o Dia das Crianças e nos próximos meses. “As flutuações existem, mas as vendas no varejo em todo o Brasil crescem de forma consolidada e esperamos ingressar fortes nos últimos três meses do ano, com um crescimento de pelo menos 5%”, projeta.

    Outra pesquisa sobre o comércio do Dia das Crianças, no entanto, aposta um crescimento menor para a data comemorativa. O levantamento feito pela CDL-Manaus aponta um aumento de 2,3%nas vendas em relação ao ano passado e o movimento de R$ 44,8 milhões. O presidente da entidade, Ralph Assayag, comemora o número modesto. “Já é um bom resultado porque, no ano passado a expectativa era abaixo de 1%”, afirma.

    Lojas tradicionais se mantém firmes no mercado de brinquedos
    Lojas tradicionais se mantém firmes no mercado de brinquedos | Foto: Leonardo Mota

    Orçamento reduzido

    A dona de casa Glaucilene Tavares, 43, tem pesquisado bastante antes de comprar o presente para o filho Thiago, de 6 anos. “Ele diz as opções que quer e nós trazemos ele para escolher. O Dia das Crianças é diferente do Natal e aniversário, então o presente é mais uma lembrança. Vamos nos manter dentro do nosso orçamento”, diz. Ela e o marido pretendem gastar no máximo R$ 100 no presente.

    “Por causa crise, reduzimos o valor e deixamos as opções mais caras para o Natal, quando teremos mais dinheiro com o 13º salário”, explica a dona de casa. Na pesquisa da CDL, o ticket médio que os pais pretendem gastar com os filhos é R$114,25. Na hora do pagamento, o cartão de débito e o parcelamento no cartão de crédito são os métodos preferidos dos clientes. Para trazer esse comprador, as estratégias do segmento para essa época do ano incluem vitrines mais chamativas e facilidades no pagamento em crediários próprios e mais promoções, segundo a CDL.

    Pais pesquisam antes de escolher o presente
    Pais pesquisam antes de escolher o presente | Foto: Leonardo Mota

    Varejo de brinquedos

    Segundo o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ataliba Filho, de 2014 a 2017 houve o fechamento de algumas lojas do segmento de brinquedos por conta da crise econômica, mas lojas grandes e tradicionais do ramo, como Locomotiva e Hobby Brinquedos, mantém-se no mercado. Para Ataliba, a lenta retomada da economia propicia a melhora no varejo de brinquedos. “Vemos um aquecimento maior nada tão significativo na economia, mas a data enseja a vontade dos pais de dar alegria aos filhos com presentes”, observa Ataliba.

    Um exemplo de aposta nesse mercado é o da Distribuidora Ferraz, que abriu um novo espaço inteiramente dedicado a venda de brinquedos. “Montamos uma loja nova e sentimos que o movimento melhorou por causa da maior exposição de produtos. Antes, tínhamos grandes quantidades de brinquedo que não vendiam tão bem”, conta Márcia. Ela informa que as vendas neste ano estão mais ou menos iguais a 2018.

    Preferências

    Com o avanço de produtos eletrônicos para crianças, como tablets e videogames, existe a noção de que brinquedos tradicionais perderam espaço para os eletrônicos na preferência dos pequenos. Mas, tanto as pesquisas de entidades comerciais quanto os lojistas informam que carrinhos, bonecas e bicicletas, por exemplo, ainda permanecem no topo da lista de desejos para o Dia das Crianças.

    Na pesquisa da CDL-Manaus, 22,7% dos pais pretendem comprar brinquedos para seus filhos, seguido por vestuário (21,4%) e bonecos (12,2%). Na preferência das crianças, videogames, bicicletas, tablets e bonecos são os mais desejados.

    “Estamos vendo pela primeira vez em muitos anos os pais querendo dar brinquedos aos filhos, e isso nos deixa bastante felizes, porque era um desejo nosso e criança sem brinquedo não é criança”, declara Ralph Assayag.

    Na Importadora Povão, a procura por kits de slime e bonecos de super-herói é grande. Entre os campeões de venda está o boneco do youtuber Luccas Neto, famoso pelo conteúdo de entretenimento lúdico e espetáculos infantis na internet. Já na Distribuidora Ferraz, os produtos mais vendidos são os patins, as bicicletas e triciclos